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número de empresas que utilizam o Vale Infância através da Coverflex passou de 404, em 2021, para 3.771, em 202, um crescimento superior a 800% em quatro anos. Os dados foram divulgados pela Coverflex, numa altura em que o arranque do novo ano letivo volta a colocar as despesas com creches e educação entre as principais preocupações de muitas famílias.
Também o valor atribuído pelas empresas aumentou. Em 2021, o montante anual médio por empresa rondava os 4.200 euros. Quatro anos depois, ultrapassava os oito mil euros, o que representa um crescimento de 91%.
Também conhecido como vale social de infância ou cheque creche, o Vale Infância está regulado pelo Decreto-Lei n.º 26/99, de 28 de janeiro, e pode ser utilizado em creches e jardins de infância públicos, privados e do setor privado solidário, para crianças até aos sete anos. Para as empresas, este benefício apresenta vantagens fiscais. De acordo com os dados divulgados pela Coverflex, o valor atribuído está isento de Taxa Social Única e beneficia de uma majoração de 40% em sede de IRC. Não existe, além disso, um limite legal máximo para o valor que pode ser atribuído. Do lado dos trabalhadores, o apoio é recebido com isenção de IRS e de contribuições para a Segurança Social, funcionando como uma componente extra-salarial destinada a apoiar despesas relacionadas com os cuidados infantis.
A Coverflex exemplifica com uma mensalidade de creche de 300 euros. Se esse montante for pago através do vencimento, o trabalhador recebe, segundo os cálculos apresentados pela empresa, 194,70 euros líquidos, considerando uma taxa de IRS de 24,1% e a contribuição de 11% para a Segurança Social. Já através de um Vale Infância de 300 euros, o valor não é sujeito a tributação, permitindo cobrir integralmente a mensalidade. A diferença, de acordo com o exemplo apresentado, representa uma poupança de cerca de 105,30 euros para o trabalhador.
Os setores que mais apostam neste benefício
Entre as empresas cuja atividade está identificada, os serviços de tecnologias de informação lideram a utilização do Vale Infância. Seguem-se as áreas de consultoria e gestão, saúde, indústria e construção, finanças e hotelaria e turismo. São setores que enfrentam também desafios relevantes na contratação e retenção de profissionais, o que, segundo a Coverflex, poderá ajudar a explicar a maior utilização deste tipo de benefício.
“A evolução que estamos a observar mostra que o apoio às famílias está a ganhar espaço dentro das políticas de benefícios das empresas. O Vale Infância permite apoiar diretamente uma das despesas mais relevantes para muitos trabalhadores com filhos e, simultaneamente, pode contribuir para a atração e retenção de talento”, afirma Inês Odila, Country Manager da Coverflex, citada em comunicado. Acrescenta ainda que, “a combinação entre o enquadramento fiscal, a liberdade na definição do valor atribuído e a simplicidade de gestão torna este benefício particularmente relevante para empresas de diferentes dimensões”.
Em 2026, recorde-se que a Assembleia da República aprovou uma resolução que recomenda ao Governo o reforço dos benefícios fiscais destinados às empresas que criem creches para os filhos dos trabalhadores. No entanto, num tecido empresarial maioritariamente composto por pequenas e médias empresas, a criação e manutenção de estruturas próprias de apoio à infância pode estar fora do alcance de muitas organizações.
“Num tecido empresarial dominado por PME, nem todas as empresas têm escala ou condições para criar uma creche própria. Soluções como o Vale Infância permitem que mais empresas participem nesta resposta, adaptando o apoio à sua realidade e às necessidades dos seus trabalhadores”, refere Inês Odila.
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