Quanto vale hoje um perfil especializado no mercado de trabalho português? A resposta pode variar entre 23 mil e 60 mil euros brutos anuais, consoante a área. Tecnologia, saúde, engenharia e banca estão entre os setores com remunerações mais elevadas, num mercado em que as empresas continuam à procura de competências específicas e nem sempre fáceis de encontrar.
Os números fazem parte da terceira edição do Estudo de Tendências Salariais 2026/2027, da Randstad Research, que cruza a base de dados de contratação da empresa com estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Eurostat para analisar os salários praticados e identificar os perfis mais procurados em seis grandes áreas da economia portuguesa.
No topo está a tecnologia. O setor das tecnologias de informação (TI) apresenta salários médios entre 40 mil e 55 mil euros brutos anuais, o patamar remuneratório médio mais elevado entre as áreas analisadas.
Mas há um setor onde o limite superior vai ainda mais longe. Em Life Sciences, na vertente farmacêutica e de investigação, as remunerações variam entre 35 mil e 60 mil euros brutos anuais. Na prestação de cuidados de saúde (Healthcare), ficam entre os 30 mil e os 46 mil euros.
Segue-se a banca e seguros, com remunerações médias entre 35 mil e 50 mil euros, enquanto em engenharia e indústria o intervalo vai dos 33.500 aos 49.500 euros. Mais abaixo na escala salarial surgem marketing, vendas e as funções de finanças, recursos humanos (RH) e jurídico. Em marketing, os valores oscilam entre 26 mil e 36.500 euros; em vendas, entre 23 mil e 39.500 euros. Já a área que reúne finanças, RH e jurídico apresenta um intervalo médio entre os 24 mil e os 33.500 euros brutos anuais.
Quem querem contratar as empresas?
O estudo identifica também cinco das funções mais procuradas pelas empresas em cada uma das áreas analisadas e a especialização atravessa grande parte da lista.
Nas TI, a procura concentra-se em:
- Especialistas em cloud & security;
- Data analytics, BI & AI;
- Software development;
- Business applications (CRM/ERP);
- IT management & strategy.
A procura acontece num setor que continua a crescer. Segundo o Inquérito ao Emprego do INE relativo ao segundo trimestre de 2026, a informação e comunicação empregava 237.200 pessoas, cerca de 4,4% dos trabalhadores em Portugal. Em apenas um ano, foram acrescentados 27.600 empregos, correspondentes a um crescimento de 13,2%.
Na saúde, a dimensão é ainda maior. A saúde humana e o apoio social reuniam 567.700 trabalhadores no segundo trimestre, cerca de 10,5% do emprego nacional, depois de um crescimento homólogo de 43.200 postos de trabalho, ou 8,2%.
Nas Life Sciences, as empresas procuram sobretudo delegados comerciais e profissionais de qualidade, assuntos regulamentares, market access e medical affairs. Já em Healthcare, a procura dirige-se a enfermeiros, médicos, técnicos de multiterapias, técnicos de farmácia e farmacêuticos.
Engenharia, banca e áreas corporativas também procuram especialistas
A especialização continua quando se olha para Engenharia e Indústria. Diretores de obra, engenheiros de automação e robótica, engenheiros de desenvolvimento de produto, supervisores de produção e técnicos de supply chain ou logística estão entre os perfis mais procurados.
É também a maior das áreas analisadas em número de trabalhadores quando se considera o universo industrial utilizado pelo INE, que inclui indústrias extrativas e transformadoras, eletricidade, gás, água e construção. No segundo trimestre, reunia 1.333.700 pessoas, cerca de 24,7% da população empregada em Portugal, mais 43 mil do que no mesmo período de 2025.
Na banca e seguros, as necessidades passam por gestores comerciais, compliance officers, analysts corporate finance, underwriters e private bankers. O setor empregava 118.700 pessoas no segundo trimestre e ganhou 8.400 trabalhadores em termos homólogos, uma subida de 7,6%. Marketing e Vendas procuram, por sua vez, CRM specialists, performance marketing managers, customer experience managers, profissionais de technical sales e sales engineers.
Nas funções de finanças, RH e Jurídico, entram na lista controllers, especialistas de reporting/statutory, contabilistas certificados, profissionais de HR analytics e compliance officers. Segundo os dados do INE citados no estudo, esta grande área reunia 488.100 trabalhadores no segundo trimestre, mais 6.800 do que um ano antes.
E quanto se ganha?
- Vendas: 23.000€ a 39.500€;
- Finanças, RH e Jurídico: 24.000€ a 33.500€;
- Marketing: 26.000€ a 36.500€;
- Healthcare: 30.000€ a 46.000€;
- Engenharia e Indústria: 33.500€ a 49.500€;
- Banca e Seguros: 35.000€ a 50.000€;
- Life Sciences: 35.000€ a 60.000€;
- TI: 40.000€ a 55.000€.
Os valores correspondem a remunerações brutas anuais apuradas pela Randstad.
“A grande mais-valia deste estudo é traduzir a realidade salarial em Portugal de forma objetiva e comparável entre setores. Ao combinar dados internos e externos, conseguimos oferecer às empresas uma ferramenta estratégica para ajustar políticas de remuneração e identificar áreas críticas de escassez de talento. Para os profissionais, é a oportunidade para compreenderem onde estão as maiores oportunidades de progressão”, refere Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal, citada em comunicado.
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