“Cresci num ambiente familiar muito estruturado, onde os valores do trabalho, da responsabilidade e do respeito pelos outros estavam sempre presentes. Lembro-me de brincar ao ‘faz de conta’ muitas vezes a fingir que era médica e a brincar muito com as minhas irmãs. Sempre fui curiosa, observadora e muito atenta às pessoas. Andava de bicleta e de Vespa”, revela à RHmagazine.
A infância antecipava já a vida de quem viria a trabalhar com e para as pessoas. “Sou profundamente curiosa sobre o ser humano. Gosto de observar, de escutar e de compreender o que está para além do óbvio. Fora do contexto profissional, sou alguém que valoriza o silêncio, a reflexão e os momentos de conexão – comigo própria e com os outros.” Não é por acaso que encontra no Caminho de Santiago uma metáfora de vida: “Tenho uma forte ligação à caminhada, nomeadamente ao Caminho de Santiago, que para mim é quase uma metáfora de vida. Gosto de ler e de aprender continuamente. Gosto de música e tenho ligação, por motivos familiares À música jazz”.
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Liderar com valores
É nesta combinação entre introspeção e relação que assenta também a sua forma de liderar. “Diria que a lealdade, respeito, integridade, a empatia e a coragem são os meus pilares.” E sublinha: “A integridade porque acredito que a confiança é a base de qualquer relação. A empatia porque trabalhar com pessoas exige compreensão genuína. E a coragem porque liderar implica, muitas vezes, tomar decisões difíceis”. “Estes valores refletem-se na forma como procuro liderar: com transparência, proximidade e sentido de responsabilidade.”
O percurso não se construiu num momento único, mas numa sucessão de desafios. “Mais do que um momento único, diria que foram vários momentos de mudança e desafio – pessoais e profissionais – que me obrigaram a sair da zona de conforto”, acrescenta, referindo que esses momentos lhe ensinaram “resiliência e, sobretudo, humildade”. “Percebi que não controlamos tudo, mas controlamos a forma como respondemos.”
Mais do que gerir, cuidar
A ideia de resposta – mais do que controlo – surge como uma das suas âncoras e atravessa também o seu desenvolvimento na área de recursos humanos (RH). “Aprendi que posso ser cada vez mais resiliente do que imaginava. Que posso aumentar a capacidade de adaptação e que é possível encontrar sentido no impacto que consigo gerar nos outros.”
Antes disso, houve outros caminhos possíveis, todos eles com um denominador comum. “Sempre sonhei ser médica, idealmente sem fronteiras, talvez pediatra. Mais tarde, a psicologia clínica também surgiu como uma possibilidade natural. No fundo, qualquer caminho que implicasse cuidar, compreender e ajudar o outro”, conta.
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Entre a gestão e o comportamento humano
O percurso académico de Isabel Heitor cruza a gestão e o comportamento humano: formação em gestão de recursos humanos e psicologia do trabalho, mestrado em comportamento organizacional, passagem pelo marketing e aprofundamento em ciências psicológicas, tendo ainda concluído a componente teórica de um doutoramento em gestão.
Se pudesse voltar atrás, “diria: confia mais em ti e menos na necessidade de validação externa. Escuta muito, observa ainda mais, mas não deixes de agir com convicção. O tempo ensina-nos que não precisamos de ter todas as respostas mas precisamos sim, de ter clareza de princípios”.
Hoje, o que a move continua a ser, ao mesmo tempo, simples e exigente. “As pessoas. A sua capacidade de superação, de crescimento e de transformação. Motiva-me saber que o que fazemos em RH pode influenciar positivamente a vida de alguém, seja através de uma oportunidade, de um desenvolvimento ou de um reconhecimento.”
Nesse caminho, não faltaram referências. “Houve várias pessoas que me marcaram”, admite. “Foram professores, líderes, colegas e colaboradores. Pessoas que me desafiaram, que acreditaram em mim ou que me ensinaram através do exemplo.”
Mas é na família que encontra o ponto de partida e de regresso. “Sem dúvida. Pelo suporte incondicional, pelos valores transmitidos e pela estabilidade emocional que sempre me proporcionaram. E também a todas as pessoas que, ao longo do percurso, confiaram em mim porque essa confiança fez a diferença.”
Caminhos por cumprir
Quanto ao futuro, há planos concretos. “Quero continuar a crescer, a aprender e a viver com propósito. O Caminho de Santiago é um desses símbolos. E quero terminar o caminho francês nos próximos anos e depois de chegar a Santiago ir de novo até Finisterra, completando esse ciclo.”
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Já no plano profissional, os objetivos são igualmente claros: “Quero continuar a contribuir para a minha organização de deixar um legado e criar impacto real na vida de quem trabalha connosco”. “Gostaria de ser lembrada como alguém que fez a diferença na vida das pessoas e não apenas pelas decisões que tomou, mas pela forma como esteve presente. Alguém que contribuiu para criar contextos onde as pessoas se sentem respeitadas, valorizadas e com espaço para crescer.”
Artigo publicado na edição 164 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2026
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