A
inteligência artificial (IA) está a mudar as regras de entrada no mercado de trabalho. Um estudo da PwC conclui que os profissionais em início de carreira que trabalham em funções mais expostas à IA têm hoje uma probabilidade sete vezes superior de verem exigidas competências normalmente associadas a posições seniores.
Capacidade de decisão, liderança, discernimento e pensamento crítico estão entre as capacidades que as organizações procuram cada vez mais nos profissionais que dão os primeiros passos no mercado de trabalho. Para a consultora, esta mudança reflete uma transformação na forma como as empresas encaram o desenvolvimento de talento.
Como explica a PwC, a disseminação da IA está a reduzir o peso de muitas tarefas rotineiras que, durante décadas, serviram como porta de entrada para a aprendizagem e progressão profissional. Em consequência, as empresas procuram colaboradores capazes de contribuir assumir responsabilidades mais complexas e trabalhar de forma complementar à tecnologia.
De acordo com a consultora, as ofertas de emprego para profissionais em início de carreira em setores mais expostos à IA estagnaram nos últimos anos. Por outro lado, desde 2019, o número de vagas para funções juniores que exigem competências de nível intermédio ou sénior aumentou 35%.
Face a este cenário, a PwC defende que as organizações terão de repensar os modelos de formação, acompanhamento e desenvolvimento de talento, ajudando os profissionais mais jovens a lidar com desafios mais complexos numa fase mais precoce das suas carreiras.
Empresas procuram impacto desde o 1.º dia
A transformação está também a influenciar os processos de recrutamento. Segundo Kye Mitchell, responsável da Experis US, empresa do grupo ManpowerGroup, os empregadores procuram cada vez mais candidatos que consigam gerar valor num curto espaço de tempo.
À medida que as ferramentas de IA absorvem parte do trabalho mais repetitivo, cresce a expectativa de que os novos colaboradores cheguem ao mercado com familiaridade com a IA e capacidade para contribuir desde o primeiro dia. O especialista considera que a contratação baseada em competências está a ganhar terreno face aos modelos tradicionais centrados exclusivamente em qualificações académicas. Neste contexto, os candidatos que combinam conhecimentos técnicos, experiência prática, literacia em IA e competências de comunicação tendem a destacar-se.
Apesar das preocupações em torno do impacto da IA no emprego, a PwC rejeita a ideia de que a tecnologia esteja a destruir postos de trabalho. O estudo revela que as empresas que mais investiram em IA registaram ganhos de produtividade de cerca de 40% desde a criação do ChatGPT, em 2022, quando comparadas com organizações menos avançadas na adoção destas ferramentas. Além disso, as empresas mais avançadas na utilização de IA estão também a aumentar salários e efetivos.
A consultora sublinha ainda que, à medida que a IA assume tarefas mais rotineiras, competências humanas como empatia, criatividade e discernimento tornam-se ainda mais importantes.
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI