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remuneração continua a ser um dos principais fatores na escolha de um novo emprego, mas deixou de ser suficiente para convencer os profissionais a aceitar uma proposta. Fatores como flexibilidade, oportunidades de desenvolvimento, transparência e confiança na organização estão a ganhar peso nas decisões.
A mudança é particularmente notória numa altura em que a inteligência artificial (IA) está a acelerar a evolução das profissões e das competências exigidas pelas empresas. De acordo com o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Económico Mundial, 39% das competências atualmente valorizadas no mercado de trabalho irão transformar-se até 2030, tornando a aprendizagem contínua um dos principais fatores de competitividade para profissionais e organizações.
Como tal, as empresas enfrentam um desafio que vai muito além da definição de pacotes salariais competitivos. A capacidade para comunicar uma proposta de valor credível, disponibilizar perspetivas de crescimento e criar relações de confiança desde o primeiro contacto com os candidatos está a assumir um papel cada vez mais determinante na atração e retenção de talento. É esta a leitura da Adecco Portugal, que considera que o mercado de trabalho está a atravessar uma mudança estrutural na forma como candidatos e empresas se relacionam.
A empresa defende que, hoje, os candidatos valorizam aspetos como a flexibilidade dos modelos de trabalho, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, a cultura organizacional, a estabilidade e, sobretudo, as oportunidades de desenvolvimento profissional. A transparência ao longo do processo de recrutamento é igualmente apontada como um fator diferenciador. A clareza relativamente às funções, às condições salariais e às expectativas associadas à função contribui, segundo a Adecco, para estabelecer uma relação de confiança desde as primeiras fases do processo de seleção.
Para Alexandra Andrade, CEO da Adecco Portugal, “estamos a assistir a uma mudança estrutural no mercado de trabalho. Hoje, os candidatos escolhem empresas da mesma forma que as empresas escolhem talento: procuram informação, transparência, confiança e perspetivas de futuro”.
Aprendizagem contínua é vantagem competitiva
Com a IA a transformar funções e a acelerar a obsolescência de algumas competências, cresce a procura por empresas que invistam de forma consistente na aprendizagem contínua, na requalificação e no desenvolvimento das suas pessoas. Segundo a Adecco, estas oportunidades deixaram de ser um benefício adicional para passarem a integrar a proposta de valor que muitos candidatos procuram quando avaliam uma oportunidade profissional.
Alexandra Andrade sublinha que “o salário continua a ser importante, mas deixou de ser o único fator diferenciador. As pessoas procuram organizações onde possam crescer, aprender continuamente e desenvolver o seu potencial. A inteligência artificial está a transformar a forma como trabalhamos. Mas continua a ser o talento humano que transforma organizações. Num mercado onde a tecnologia evolui rapidamente, a vantagem competitiva continuará a ser profundamente humana”.
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