A Cegid publicou os dados referentes ao estudo “2024 HR Maturity Index: The Yardstick for HR Transformation”, que teve por base inquéritos realizados a nível mundial (17 países da Europa, América Latina e América do Norte) a cerca de 740 profissionais de RH de nível sénior ou executivo, de empresas de todos os setores com mais de 500 trabalhadores.
Segundo o estudo, os departamentos de Recursos Humanos tendem a ser pouco ouvidos – apenas 48% – no momento de investir em soluções de gestão de talento. Acrescentam que a colaboração inexistente ou ocasional com os demais departamentos das respetivas empresas, em 67% dos casos, faz parte do problema.
Prioridades e desafios clássicos
Os profissionais de RH inquiridos apresentam prioridades claras, caraterísticas da sua função: para 42% dos entrevistados, a melhoria da experiência dos colaboradores é a sua principal prioridade; para 39% é a formação e o desenvolvimento de carreira dos colaboradores são a prioridade, e para 32% é o desenvolvimento de uma estratégia de recursos humanos.
No que respeita a desafios, 70% dos líderes de departamentos de RH elege como mais relevantes o recrutamento, retenção e medição da experiência de colaborador. A formação e o desenvolvimento de competências são chave para 65%, enquanto a compliance, reporte e carga de trabalho ainda são um desafio para 45% dos inquiridos. Aliás, o reporte é, na maior parte dos casos, manual e demorado.
Para Rita Cadillon, Head of People & Culture da Cegid em Portugal e África, estes são “sinais de que na mente dos diretores de RH continuam as prioridades certas para aportar valor às organizações, no entanto, continua a sentir-se fortemente os efeitos da falta de integração de soluções tecnológicas na sua realidade diária, uma base importante para a implementação das estratégias de RH. As ferramentas integradas de gestão de recursos humanos têm um papel fundamental na transformação digital das empresas”.
Josep María Raventós, Diretor Executivo de SMB & CPA da Cegid em Portugal e África, não tem dúvidas. “Automatizar as tarefas mais rotineiras liberta tempo aos profissionais para as de maior valor acrescentado, como criar e implementar uma experiência diferenciadora para os colaboradores. A juntar a isto, a tecnologia permite recolher dados e ter uma visão global, em tempo real, do desempenho da organização. O resultado serão a base de melhores processos de decisão, mais ágeis, e da implementação de medidas que atraiam e retenham a talento. E é com talento que se obtêm resultados efetivos”, conclui.
Maturidade: automatização de processos e colaboração em baixa, ativos humanos são centrais
Este novo estudo analisa a maturidade dos RH a partir de três dimensões: tecnológica, colaborativa e estratégica.
No domínio tecnológico, 53% das organizações encontra-se no espectro da maturidade, com a automatização de metade ou mais dos seus processos. As restantes automatizam poucos ou nenhuns. Quando são adotadas soluções de gestão de talento, 60% são Software as a Service (SaaS) ou cloud-based. Mas a integração de soluções, indício de maturidade, ocorre pouco ou não ocorre em 42% dos casos. E os processos manuais são a regra em perto de metade das organizações (48%).
Sobre a maturidade colaborativa, apenas 32% das organizações são classificadas como maduras. A colaboração dos departamentos de RH dá-se, sobretudo, com o Marketing (65%) e a área financeira (57%). A relação com o negócio é mencionada em apenas 38% dos casos.
Falando de estratégia, aqui a maturidade dos RH mede-se pela agilidade no reporting. Só 44% consegue fazê-lo em um dia ou menos. Já no que respeita à diversidade e inclusão, a medição destes KPI é a regra em 65% dos casos, mas só 45% tem objetivos para esta área. Finalmente, apenas 47% dos departamentos de recursos humanos trabalha com a liderança das organizações para melhorar a experiência dos colaboradores. E 10% desenvolve três ou mais atividades de melhoria dessa experiência.
O estudo oferece uma visão panorâmica do papel dos Recursos Humanos e do seu ecossistema organizacional, tanto de um ponto de vista tecnológico, como relacional. O caminho a percorrer pelas grandes empresas parece ser ainda longo, e será mais no caso das Pequenas e Médias Empresas. A aposta na automatização e na colaboração interdepartamental são contributos decisivos para a saúde de todas estas organizações.