Na passada terça-feira (dia 29) teve lugar, nas instalações da SAP Portugal no Lagoas Park (Porto Salvo), um evento dedicado ás novas formas de trabalho nos setores da banca e dos seguros. Um ambiente intimista, acompanhado por um aconchegante pequeno-almoço. Duas palavras ecoaram pela ampla sala de debate: flexibilidade e responsabilização.
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á não é novidade ouvir-se falar que os novos modelos de organização de trabalho, impulsionados pela pandemia, trazem com eles oportunidades, mas acarretam também grandes desafios. Oportunidades para flexibilizar, para conciliar vida-trabalho, mas também desafios, sobretudo, ao nível da cultura organizacional, do engagement, do propósito. Mas como estarão, concretamente, os setores da banca e dos seguros a viver este “novo normal”?
Foi isso que se pretendeu saber no evento “As Novas Formas de Trabalho: Banca e Seguros” promovido pela SAP, em parceria com o IIRH – Instituto de Informação em Recursos Humanos. O debate contou com a moderação de Cristina Martins de Barros, Managing Director do IIRH e teve como oradores Isabel Eliseu, DRH do Banco CTT, Marlene Franco, DRH do Oney Bank Portugal, Paulo Barreto, DRH do Crédito Agrícola, e Sandra Barranquinho, DRH do BNP Paribas Personal Finance. Houve, contudo, espaço para que os assistentes pudessem partilhar com os pares as suas próprias experiências.
Como se adaptaram estas empresas à pandemia e como estão a trabalhar nos dias de hoje? O mote para a discussão foi lançado.
Marlene Franco, DRH do Oney Bank Portugal, faz as honras do debate e começa, desde logo, por destacar a flexibilidade trazida pela pandemia ao universo organizacional, numa lógica de work-life balance. Na sua empresa, no período pré-pandémico, já estavam a trabalhar o digital, sendo já possível o trabalho a partir de casa. Posto isto, a transição foi, nas palavras da oradora, “rápida e nada dolorosa”. Agora, há, no entanto, algumas dúvidas que pairam no ar. Como se vai trabalhar o modelo de trabalho híbrido doravante? E como se trabalha o propósito de ir à empresa? “Trabalhar a cultura é o foco atual e os managers são fundamentais na sua dinamização”, diz.
No Banco CTT, uma instituição recente, com apenas seis anos, foi igualmente fácil o processo de colocar os colaboradores em teletrabalho, segundo a DRH Isabel Eliseu. Com exceção dos comerciais (cerca de 15 pessoas), de um dia para o outro, o grosso dos trabalhadores estava a trabalhar a partir de casa. Neste momento, e até ao final da Páscoa, só vai para as instalações do banco quem assim o pretende. Impõe-se agora uma fase de reflexão quanto às decisões a tomar no futuro a este nível, mas uma coisa é certa:
“Não queremos o teletrabalho imposto, no futuro, como acontece agora; pretendemos dar flexibilidade aos colaboradores e contribuir para o balanço entre a sua vida pessoal e profissional de forma inteligente”, garante Isabel Eliseu. “Há que incutir, para isso, uma cultura de responsabilização nos managers e nos colaboradores”, acrescenta ainda.
Para a oradora, caso essa flexibilidade e responsabilização não sejam bem entendidas, a solução é clara: dar um passo atrás.
É a vez de Sandra Barranquinho relatar a realidade vivida no BNP Paribas Personal Finance. Durante a pandemia, foram feitas obras nas instalações da organização e o espaço foi reduzido, desde logo a antever a flexibilidade que pretender ser instaurada. Cada pessoa teve de decidir se queria ou não conciliar trabalho em casa com o trabalho no escritório, mas os números deixam poucas dúvidas quanto às preferências: enquanto 20% dos colaboradores preferem estar a 100% no escritório, as restantes preferem o modelo flexível. A partir de abril, a política será de dois dias por semana (programados com o manager) em homeoffice, ao quais acrescem dois dias ao longo de cada mês.
Por seu turno, Paulo Barreto começa por referir que, quando chegou ao Crédito Agrícola, em 2020 (plena pandemia), a instituição não estava preparada para assumir o teletrabalho, uma vez que não existiam computadores portáteis para todos os recursos humanos. Hoje, desde há cerca de dois meses, o problema está resolvido e já há equipamento para todos. “Já tivemos a possibilidade de toda a gente estar em teletrabalho, com exceção das funções que não o permitem (ex: operações bancárias), por isso, nunca fechamos o escritório, mesmo quando era obrigatório o teletrabalho”, revela Paulo Barreto. “Agora, aconselhamos que 50% das pessoas de cada uma das equipas esteja a 100% no escritório.”
O DRH do Crédito Agrícola defende que ainda há muito trabalho a fazer no que respeita à organização do trabalho – não no sentido tecnológico, mas no sentido de se criar a tal responsabilização, amplamente abordada ao longo do debate.
A respeito das lideranças e do papel que estas desempenharam na adoção dos novos modelos de trabalho, a opinião é unânime. “Heróis” foi o adjetivo mais do que uma vez usado para caracterizar os líderes no contexto pandémico. “Os líderes foram uns grandes heróis, porque foram eles que ajustaram os seus horários, foram flexíveis e acomodaram qualquer problema”, defende Marlene Franco.
Agora, é altura dos managers planearam o regresso aos escritórios, para que haja, de facto, um propósito em regressar. “Se for para estar de fones no escritório, a fazer reuniões por Teams, não vale a pena”, refere ainda a DRH do Oney Bank Portugal.
“Os líderes foram uns grandes heróis, porque foram eles que ajustaram os seus horários, foram flexíveis e acomodaram qualquer problema”, Marlene Franco (Oney Bank Portugal)
As pessoas sentem falta dos momentos de convívio, de colaboração, e são essas vertentes que deverão ser trabalhadas.
Na segunda parte do evento, José Luís Nunes, Business Solution Advisor, Human Capital Management, da SAP Portugal, conduz os participantes para um outro espaço, onde a tecnologia reina: plasmas ao longo das paredes e luzes LED amarelas a adornar o teto. Aqui, é apresentado o mercado de oportunidades SAP, sob o olhar atento de quem assiste.
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