A procura por perfis de TI está a aumentar e a dificuldade em recrutar profissionais também. A Roberts Walters traçou uma fotografia do mercado de big data e data analytics em Portugal.
Que o setor das tecnologias de informação é um dos que mais dinamiza o mercado de trabalho em Portugal não é novidade. São várias as notícias que dão conta que a área das TI será responsável, este ano, pelo elevado volume de contratações de profissionais no país. E há uma área que se destaca. “O mercado de big data e data analytics está em grande expansão em Portugal. Para além dos profissionais serem bastante requisitados pelas empresas, há diversas consultoras nacionais e internacionais a prestarem serviços nesta área”, afirma Paulo Ayres, manager da divisão de IT software development na Robert Walters.
De acordo com a consultora de recrutamento, entre as funções mais procuradas na área de big data e data analytics encontram-se os big data engineer, data scientist e data analyst, data & analytics manager, data architect, bi specialist e big data specialist. Em comum, estes profissionais têm a “linguagem de programação Python, conhecimentos em ferramentas como Hadoop, Spark, bases de dado relacionais e não relacionais (Cassandra, MongoDB), Qlik, Tableau, além de plataformas como Cloudera e das principais empresas de tecnologia como IBM, Amazon, Google, Oracle, entre outras”, refere o manager da divisão de IT software development.
Se há um padrão no que diz respeito às hard skills dos profissionais, há dois perfis de empresas que os recrutam e que “tendem a ser organizações com participação para além do mercado português”. “Temos dois perfis principais: empresas grandes que necessitam destes perfis para os seus quadros, ou startups que têm produtos distintos ou prestam consultoria”, esclarece Paulo Ayres.
É nas cidades de Lisboa e do Porto que a oferta de emprego para as posições relacionadas com big data e data analytics em Portugal se concentram, “embora algumas empresas tenham procurado profissionais para outras cidades como Coimbra, Braga e outras que contem com boas universidades para diversificar as opções”, ressalva o manager da divisão de IT software development da Robert Walters.
Escassez de talento é a principal dificuldade
Com a elevada procura de perfis nas áreas tecnológicas, intensifica-se a escassez de profissionais disponíveis no mercado e a dificuldade das empresas os contratarem. As ofertas tendem, por isso, a “ser agressivas para conseguirem tirar os profissionais das empresas em que se encontram”, sublinha a Robert Walters.
Para que não vejam os seus profissionais saírem para outras empresas, e para que consigam atrair novos perfis, as organizações devem oferecer, “para além de excelentes pacotes salariais e benefícios, desde horários flexíveis a trabalho a partir de casa, dias de férias extra, semanas de quatro dias, as melhores estruturas tecnológicas, as ferramentas mais interessantes e os projetos mais aliciantes de forma a conseguirem manter o interesse dos profissionais”, aconselha a consultora de recrutamento.
A elevada procura por perfis de TI tem-se refletido, também, na subida dos salários, que “têm seguido a lógica do mercado de oferta e procura nos últimos anos e atualmente”. “Ao haver uma procura muito elevada por este tipo de profissionais, que estão, aliás, pouco disponíveis, tal ocasionou uma subida salarial bastante importante nos últimos anos, tendência essa que esperamos que se mantenha no futuro, em que a procura por este tipo de perfis vai aumentar ainda mais”, diz Paulo Ayres.
Segundo os dados extraídos do Salary Survey 2019 da Robert Walters, relativos a Portugal, um data & analytics manager com cinco a dez anos de experiência pode esperar aumentos salariais até 23%, enquanto um data scientist com dois a cinco anos de experiência pode verificar aumentos até 10%.
O futuro do big data e data analytics
De acordo com a consultora de recrutamento, “o mercado de profissionais de big data e data analytics continuará bastante dinâmico nos próximos anos, com muita oferta de emprego em grandes companhias e startups, assim como novos players no mercado, que farão os profissionais desta área seguir em força”. “Do ponto de vista do que podem aportar ao negócio, ainda estamos no início de um processo que vai transformar as relações entre clientes e empresas, prevendo comportamentos, individualização de produtos, conteúdos e forte segmentação de mercado”, remata Paulo Ayres, manager da divisão de IT software development da Robert Walters.