Autor: António Saraiva, Business Development Manager do ISQ Academy
Podem ler-se afirmações que nos deixam particularmente otimistas: “é um privilégio viver na União Europeia (EU). No que respeita às alterações climáticas a UE reduziu as emissões de gases com efeito de estufa 32,5% entre 1990 e 2022”. Tal significa que foi a região do Globo que conseguiu maior redução. Pelo nosso lado, segundo um inquérito do Banco Europeu de Investimentos (BEI), os portugueses são dos cidadãos da União Europeia mais informados sobre as consequências das alterações climáticas – surgimos no quarto lugar em termos de conhecimento, em particular nos parâmetros que respeitam às Definições e Causas, em que estamos acima da média da UE.
Como é mais que assumido, a Ação Climática é o desafio decisivo das atuais gerações. Se bem que muito passe por investimento, tendo o BEI financiado em Portugal, só no ano passado, cerca de 746 milhões de euros, muito passa pela sensibilização global, com responsabilidade do Estado e das Organizações, mas especificamente, também, por programas educativos e académicos no âmbito do Clima. Talvez seja importante ganhar-se alguma motivação se voltarmos à estatística evolutiva positiva entre os 32 anos referidos – o processo de descarbonização foi simultâneo com um crescimento significativo do ponto de vista da Economia. Não cola, pois, certos argumentos que este fator poderia ter impactos negativos do ponto de vista económico.
Mas não há que embandeirar em arco. Se apenas uma das regiões do nosso planeta reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, logicamente que o problema não se resolve. Há, pois, que todos os países assumam o princípio das responsabilidades comuns inscrito no Artigo 3º da Convenção Quadro das Nações Unidas para as alterações climáticas. É um assumir do benefício para as gerações atuais e futuras, com critérios de equidade e responsabilidades, e dentro de uma lógica diferenciadora das contingências específicas de cada signatário.
Há, pois, todo um caminho a percorrer, já que muitos acontecimentos mundiais e relações de Poder entre países, não estão a contribuir para a resolução que carece de ser rápida do problema climático. Esta situação aumenta vulnerabilidades, e mesmo perante um nível de informação elevado, Portugal é um dos mais vulneráveis. Há, pois, aqui todo um trabalho de todos e para todos.
Há responsabilidades claras não só da designada entidade Estado, mas de cada uma das suas individualidades, sejam Organizações, seja o indivíduo de per si. E, dentro deste contexto, há aqui um contributo que se estima como fundamental ao nível das estruturas de Gestão de Pessoas.
Todos temos que assumir a nossa quota parte de responsabilidade, dentro daquilo que são as nossas valências, pois a riqueza da criação de sinergias, parcerias e interoperabilidade de processos, pode garantir resultados mais consistentes e sólidos no tempo. É dentro dessa lógica que trabalhamos no ISQ Academy, seja internamente, seja nos nossos projetos nacionais e internacionais. Capitalizamos não só as valências técnicas do Grupo ISQ, mas acima de tudo impulsionamos parcerias que nos garantem maior nível de sucesso e implementação abrangente. Não nos ficamos tão somente por uma reflexão sobre o problema ou desenho de metodologias de ação, mas agimos no mercado em que atuamos, seja ele nacional, mas acima de tudo consciencializámo-nos que podemos chegar a pontos do globo em que podemos contribuir para a diferença, como consultores, mas muito, também, com uma lógica de capacitação de Pessoas. Pois, as Pessoas, como sempre, são os maiores e melhores catalisadores da mudança.
Sem sombra de dúvida que, quando se fala de alterações climáticas, é importante pensar-se na eficiência energética, nas energias renováveis, no hidrogénio verde, etc. Mas se não acompanharmos tudo com as preocupações da designada Mudança Comportamental, dificilmente algo resultará. Isto porque cada um de nós tem de assumir a responsabilidade de agente da mudança, nem que seja por um pequeno gesto ou prática diária. Não basta, contudo, alertar e sensibilizar para os riscos inerentes às alterações climáticas. O que é fundamental é ganhar-se o compromisso e o envolvimento das Pessoas para a temática. As iniciativas de descarbonização ainda não se encontram totalmente imbrincadas ao fator humano. Para além de planos devidamente estruturados – há que consignar objetivos e respetivas ações. Há que existir uma preocupação de upskilling e reskilling destinadas a este combate fundamental dos nossos dias. Sabe-se que o desenvolvimento de Pessoas contribui decididamente para níveis de compromisso mais elevados com os objetivos traçados, em paralelo com uma comunicação objetiva e transparente de indicadores. Não pode existir o receio de se assumirem vulnerabilidades. Assumi-las é o caminho para as mitigar.
A preocupação pelas mudanças climáticas está a tomar um lugar de liderança na designada consciência coletiva. Há estudos que já fornecem informação clara que as Pessoas estão dispostas a alterar os seus hábitos para reduzir impactos nefastos no meio ambiente e expressam o desejo das Organizações em que trabalham poderem ajudar ou contribuir num modo de vida mais sustentável.
Há que eliminar riscos de perceção negativa da mudança sobre, por exemplo, o futuro do emprego. A lógica é perceber-se que novas oportunidades e modelos de negócio inovadores estão a surgir nesta lógica. E o ponto para a interiorização das vantagens é que não estão em riscos postos de trabalho, mas um desenvolvimento contínuo e sustentado, melhorando o próprio bem-estar.
