No 2º Fórum de L&D promovido pela PwC’s Academy em parceria com a IE University no passado dia 10 de abril, o tema eleito foi a Liderança, ou melhor: “O impacto do L&D no desenvolvimento de líderes”. Podem consultar o artigo sobre o evento aqui.
Para dar o mote e fazer uma sessão de abertura sobre o tema efetuei uma série de pesquisas com o objetivo de enquadrar a pertinência do tema nos dias de hoje e a sua relação com o L&D (Learning & Development).
Os dados que encontrei não podiam ser mais reveladores não só do impacto da liderança nas nossas pessoas, como no impacto de e para as áreas de formação e desenvolvimento, e por isso trago-os para a crónica deste mês.
Destaco os resultados de quatro estudos:
1. A liderança transformacional influencia positivamente a satisfação no trabalho, promovendo mudanças positivas e inspirando os colaboradores a alcançar o seu potencial máximo
Neste estudo “Os resultados mostraram que a liderança transformacional é um preditor forte e significativo da satisfação no trabalho, impactando diretamente na satisfação global com o trabalho”.1 Aqui liderança transformacional entende-se como o tipo de liderança que acontece quando os líderes têm a capacidade de inspirar e motivar os seus liderados e promover um crescimento significativo.
Há quem vá mais longe e refira que não existe liderança se esta não gerar mudança, que quando não geramos mudança estamos apenas a gerir.
Esta seria uma discussão que por si só daria origem a toda uma crónica… Registemos apenas o impacto que a liderança tem na satisfação no trabalho. Sabemos que se a aprendizagem contínua for valorizada e existir partilha de conhecimento, haverá uma maior tendência para as pessoas apostarem no seu desenvolvimento. É este o exemplo de uma liderança transformadora.
2. 70% da ligação à empresa de um colaborador está ligado à qualidade do seu relacionamento com o gestor
Mencionado num estudo da Gallup de 2019 estas conclusões têm feito verter muita tinta, na célebre frase que nos diz “que as pessoas deixam chefes e não empresas”.
3. 56% dos entrevistados afirmaram que o relacionamento com o gestor direto é mais importante do que salário e benefícios
Gosto especialmente deste estudo pois considero-o muito útil para demonstrar à gestão de topo a importância da criação de iniciativas que promovem a qualidade da liderança na organização.
Num mercado extremamente competitivo e em que o nível salarial e benefícios muitas vezes não criam diferencial relevante, a relação com a chefia pode ser mesmo o fator decisivo que leva as pessoas a escolher ficar na organização. Por isso “mãos à obra” a desenvolver estas competências nos líderes!!
Fazendo a ligação deste tema para os temas de Learning & Development (e com o mote da nossa conferência) achei também muito interessantes estes resultados em particular:
4. A liderança explica 18,4% dos comportamentos de aprendizagem
Este estudo identificou que a Liderança Positiva tem um impacto significativo nos comportamentos de aprendizagem das equipas, isto é, quanto mais o líder proporciona clareza sobre as ações esperadas dos liderados e os inspira com feedbacks positivos, mais os membros da equipa apresentam comportamentos colaborativos de aprendizagem.
Acho muito pertinente refletir em como as boas práticas se interligam de modo a que quando desenvolvemos uma jornada de liderança e contribuímos para a qualidade da liderança, estamos também a alimentar o ciclo formativo. E numa organização com uma cultura de aprendizagem, diria que estes impactos devem ser ainda mais visíveis.
Sabemos que criar esta cultura de aprendizagem pode ser desafiante e nem sempre as equipas de L&D se sentem ou capacitadas e empoderadas para liderar este processo, ou com a capacidade de o priorizar nas suas agendas. Gostei de ouvir na conferência que os profissionais de L&D de hoje em dia já não são administrativos, mas sim facilitadores da aprendizagem.
Este é um caminho que estamos a fazer com alguns dos nossos clientes no sentido dessa capacitação, mas ainda não é uma realidade em todas as organizações. Isto acontece, por exemplo, devido ao elevado foco na vertente de compliance e registo de horas formativas, que como sabemos pode ser um grande desperdiçador de tempo e foco.
Mas como o caminho só se faz caminhando, continuemos a trabalhar no sentido da capacitação e recorrendo a indicadores de sucesso que legitimam o rumo a seguir.
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