Os salários em Portugal continuam a crescer acima da inflação, embora a um ritmo mais moderado do que no final de 2025. No primeiro trimestre de 2026, a remuneração bruta mensal média por trabalhador aumentou 5% face ao mesmo período do ano passado, fixando-se nos 1.611 euros, segundo dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Já em termos reais, ou seja, descontando o efeito da inflação, o aumento foi de 2,7%, tendo por referência a evolução do Índice de Preços no Consumidor.
De acordo com o INE, tanto a componente regular como a componente base das remunerações registaram um crescimento homólogo de 5,1%. A remuneração regular mensal média atingiu os 1.428 euros, enquanto a remuneração base mensal média se fixou nos 1.335 euros. “Em termos reais, tendo por referência a variação do Índice de Preços no Consumidor, a remuneração bruta total mensal média aumentou 2,7%, enquanto as componentes regular e base aumentaram, ambas, 2,8%”, refere o gabinete de estatísticas nacional.
Os dados abrangem cerca de 4,8 milhões de postos de trabalho, correspondentes a beneficiários da Segurança Social e subscritores da Caixa Geral de Aposentações, o que representa um aumento de 1,9% face ao mesmo trimestre de 2025.
Apesar da evolução positiva dos salários reais, o INE destaca uma desaceleração face ao trimestre terminado em dezembro de 2025. “Assistiu-se a uma estabilidade na evolução dos preços (com as taxas de variação homólogas a manterem-se em 2,2%) e a uma desaceleração das remunerações reais (de 3,1% para 2,7% no caso da remuneração total, por exemplo).”
Agricultura e alta tecnologia lideram aumentos
Segundo o INE, os aumentos salariais verificaram-se em praticamente todas as dimensões analisadas, incluindo atividade económica, dimensão das empresas, setor institucional e intensidade tecnológica. As maiores subidas foram registadas nas atividades de agricultura, floresta e pesca, com um crescimento de 10%, seguidas pelas empresas de alta tecnologia industrial, que registaram uma subida de 7,2%.
Também as empresas com 10 a 19 trabalhadores evidenciaram aumentos relevantes, na ordem dos 6%, enquanto o setor privado apresentou um crescimento salarial médio de 5,3%.
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