As grandes empresas, o setor da Restauração e Hotelaria e a região Sul do país são os responsáveis pelas maiores projeções no que diz respeito à criação líquida de emprego no período entre abril e junho de 2018.
Aproxima-se a chegada de um novo trimestre e, com ele, os resultados do ManpowerGroup Employment Outlook Survey, realizado a cada três meses, com o objetivo de avaliar as intenções dos empregadores sobre o aumento ou redução do número de trabalhadores ao seu serviço. As perspetivas de contratação para o período compreendido entre abril e junho apresentam os valores mais altos desde 2016 – data do lançamento do estudo em Portugal.
De acordo com o ManpowerGroup Employment Outlook Survey, 16% das empresas inquiridas prevê um aumento nos seus níveis de contratação e apenas 2% antecipa uma redução. Já 77% considera que não haverá alterações no ritmo de contratações e 5% não sabe se irá contratar colaboradores. A projeção para a criação líquida de emprego – indicador que resulta da diferença entre a percentagem de empregadores que planeia aumentar a sua força de trabalho e a percentagem de empregadores que planeia reduzi-la – situa-se nos 14%.
Para Carla Marques, Country Manager da ManpowerGroup Portugal, os resultados do estudo para o segundo trimestre de 2018 indicam que “o ritmo de contratação no país se manterá positivo nos próximos três meses, dando continuidade aos indicadores verificados no início do ano” e constituindo “boas perspetivas para os candidatos ativos na procura de emprego”. A líder da multinacional chama, no entanto, a atenção para o momento atual: “Atravessamos uma revolução de competências, em que, para as empresas terem sucesso no futuro, é necessário garantir o equilíbrio entre os desenvolvimentos tecnológicos e as competências de natureza humana”.
Segundo a diretora-geral da ManpowerGroup Portugal, é preciso “acelerar os programas de reskilling (reconversão) com intervenções rápidas e curtas, de formação on-the-job”. “Num mundo cada vez mais digitalizado, o sucesso nem sempre exigirá um diploma universitário, mas dependerá fortemente da vontade pela aprendizagem e pelo desenvolvimento contínuo de competências”, alerta Carla Marques. E acrescenta: “Devemos nutrir essa curiosidade e capacidade de aprendizagem nas pessoas”.
Contratação por setores de atividade
No segundo trimestre de 2018 perspetiva-se que a contratação aumente nos nove setores de atividade que compõem o estudo – agricultura, floresta e pescas; construção; fornecimento de eletricidade, gás e água; finanças, seguros, imobiliário e serviços; indústria; setor público; restauração e hotelaria; transportes, logística e comunicações e comércio grossista e retalhista . O setor com maior projeção para a criação líquida de emprego é o da restauração e hotelaria, com uma previsão de 29% – valor que reflete a evolução do turismo português. Também o setor dos transportes, logística e comunicações apresenta uma otimista projeção (22%), comum aos setores da agricultura, florestas e pescas e de finanças, seguros, imobiliário e serviços, que preveem uma criação líquida de emprego de 19% e 18%, respetivamente. No setor público, os empregadores portugueses projetam uma criação líquida de emprego de 14% e, no setor da indústria, apontam um projeção de 12%. É no setor do comércio grossista e retalhista que se verifica a projeção mais baixa (5%).
Em cinco dos nove setores são registadas melhorias nos níveis de contratação face ao trimestre anterior. O setor da restauração e hotelaria apresenta um aumento de 20 pontos percentuais e o de finanças, seguros, imobiliário e serviços regista uma melhoria de quatro pontos. No entanto, preveem-se decréscimos consideráveis nos setores dos transportes, logística e comunicações (8%) e do comércio grossista e retalhista (5%).
Contratação por regiões e dimensão das empresas
As empresas localizadas no Norte, Centro e Sul do país antecipam um aumento da contratação durante os próximos três meses. As perspetivas mais otimistas são as dos empregadores a Sul, que projetam uma criação líquida de emprego de 18%. No Centro e no Norte de Portugal são antecipados aumentos de 13%. No Grande Porto, os empregadores estimam um criação líquida de emprego de 8% e na Grande Lisboa de 10%.
A projeção para a criação líquida de emprego aponta para um crescimento de 34% nas grandes empresas (constituídas por 250 ou mais colaboradores). As médias (50 a 249 trabalhadores) e pequenas (10 a 49 colaboradores) empresas indicam uma projeção de contratação de 16% e 13%, respetivamente. Nas microempresas (menos de 10 trabalhadores), a projeção de criação de emprego é de 4%.
Sobre o ManpowerGroup Employment Outlook Survey
O ManpowerGroup Employment Outlook Survey para o segundo trimestre de 2018 foi realizado com base num inquérito a uma amostra representativa de 626 empregadores em Portugal. A todos eles foi colocada a mesma pergunta: “quais as alterações que prevê para o emprego na sua região, nos três meses que terminam em junho de 2018, em comparação com o trimestre atual?”.
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