De que forma é que o design dos escritórios pode influenciar a atração e retenção de talento nas organizações?
Os nossos sentidos guiam-nos. O que vemos, ouvimos e tocamos molda sentimentos e instintos. O papel do design é facilitar a vida. Podemos sentir atração ou repulsa por uma imagem ou opinião; por isso, desenhar um
escritório atraente e funcional, adaptado às tarefas e às pessoas, é fundamental para atrair e reter talento. Ninguém gosta de estar onde não se sente bem ou valorizado, como pessoa e profissional.
Como é que a Steelcase tem ajudado as empresas em Portugal a repensar os espaços de trabalho?
Na Steelcase, estamos há mais de 110 anos a colaborar com pessoas e os locais onde trabalham, criando peças que são mais do que mobiliário – interfaces entre pessoas e o produto da sua função, fomentando produtividade e bem-estar. Com a metodologia “Community Based-Design”, apoiamos o pensamento do espaço como ferramenta ao serviço da organização, desenhando-o como uma comunidade centrada nas pessoas e nas suas necessidades ao longo de toda a jornada de trabalho. Flexibilidade e colaboração são premissas que um projeto de design deve acomodar, promover e até desafiar de forma segura.
Que impacto têm as soluções de design nos níveis de bem-estar, foco e produtividade?
Pensamos no bem-estar físico, mental e cognitivo. É essencial estar fisicamente confortável, encontrar facilmente os espaços adequados e controlar estímulos sonoros e visuais. Poder decidir como, onde e quando executar tarefas melhora o conforto, regula o stress e protege a saúde mental. Em casa sabemos o que fazer em cada espaço; de vez em quando podemos tomar o pequeno-almoço na cama, esticando o horário um pouco, o que também é salutar. O escritório não deve ser diferente: devemos sentir-nos tão bem aí como em casa.
Acredita que os escritórios vão evoluir num contexto cada vez mais digital e híbrido?
Passaram cinco anos desde a pandemia e muitas organizações ainda procuram adaptar-se às mudanças que todos experienciámos. A tecnologia continua a ser o principal fator que altera formas de trabalhar e os
espaços. A rápida evolução da inteligência artificial traz desafios que surgirão a velocidades surpreendentes; por isso, os espaços de trabalho devem ser flexíveis, adaptativos e centrados no ser humano. O nosso valor estará nas capacidades de análise, adaptação e criação colaborativa com colegas e tecnologia. Os espaços de trabalho devem continuar a ser locais privilegiados para nos encontrarmos, colaborar, aprender e inovar onde queremos estar, sabendo que aí seremos melhores e nos sentiremos melhor.
Artigo publicado na edição 160 da RHmagazine, referente aos meses de setembro e outubro de 2025
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