A 31.ª edição do Fórum RH decorreu esta terça-feira, 5 de maio, no Estádio do Sport Lisboa e Benfica, reunindo mais de 50 oradores e centenas de decisores para discutir os principais desafios da gestão de pessoas, num contexto marcado pela inteligência artificial (IA), transformação digital e mudança acelerada no mundo do trabalho. Sob o mote “Trabalho 5.0 – Humanos no Centro, Inteligência em Movimento”, o evento distribuiu-se por dois palcos – Sala DECO PROteste e Sala AON – e percorreu temas como liderança, bem-estar, talento, automação e o papel estratégico dos recursos humanos.
A manhã arrancou com a sessão de abertura, seguida da palestra “Heróis são eles: Shrek, Woody, Capitão América, Lucky Luke, Pippi das Meias Altas. Mas há mais!”, conduzida por José Crespo de Carvalho, Presidente da Comissão Executiva do ISCTE Executive Education, que lançou o tom para o dia, cruzando referências culturais com liderança e comportamento organizacional.
Tudo o que se passou na Sala DECOPROteste
Na primeira mesa redonda da sala DECO PROteste – “Estamos a formar para o futuro ou para o passado recente?” – o debate centrou-se no desalinhamento entre formação e estratégia. Participaram Margarida Segard, Directora da ISQ Academy, Sílvia Soares, Diretora de Recursos Humanos da Veolia, Ana Carreto, Leader for Sustainability and Circular Economy da Endesa Generación Portugal e Pedro Coutinho, People & Talent Manager da ANA – Aeroportos de Portugal, e a discussão girou em torno das competências emergentes, do papel da liderança e da dificuldade em medir impacto real.
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Confiança digital: a nova fronteira da gestão de pessoas
Seguiu-se o caso prático “Pessoas no Centro da Confiança Digital”, no qual Bruno Capelas, Sales Diretor da SIBS Multicert, e Miguel Gonçalves, CISO da CUF, reforçaram a cibersegurança como ativo crítico na gestão de pessoas e reputação organizacional.
Já na mesa redonda “Decisões que contam: bem-estar financeiro e pensamento crítico na era da IA”, estiveram presentes Susana Nunes, Diretora de Recursos Humanos e Comunicação Interna da DECO PROteste, José Maria Pimentel, economista e professor de pensamento crítico, Ana Paula Almeida, Diretora de Serviços de Gestão de Recursos Humanos do Ministério da Defesa Nacional, e Ricardo Rosa, Business Development Director da DECO PROteste, num debate centrado no impacto da ansiedade financeira e na importância da literacia e do pensamento crítico como suporte à decisão.
Engagement como fator estrutural
A palestra “Promover o Sistema Imunitário Corporativo – Engagement & Wellbeing”, com Joana Fernandes, Líder de Career da Mercer (Grupo Marsh), e Miguel Ros Galego, Líder de Health & Benefits da Mercer, reforçou a importância do engagement como fator estrutural. Enquanto isso, na conversa “O Lado Invisível da Liderança”, Alexandra Andrade, Country Manager da Adecco Portugal, e Pedro Alvarez, CEO da Malo Clinic, abordaram desafios como a gestão da ansiedade das equipas, a solidão da liderança e a tomada de decisão em contextos de incerteza.
Na mesa redonda “Medir o que importa: Como transformar a avaliação de desempenho numa vantagem competitiva?”, moderada por Sara Dória, Managing Director da Grow-Ing, o foco esteve na simplificação e na cultura de feedback. Gonçalo Pereira, Global HR Senior Manager – Talent Management na Hovione, sublinhou: “Não queremos criar papelada, mas sim momentos de partilha ao longo do ano”. Já Patrícia Vicente, People & Culture Director na Makro, defendeu o alinhamento com a estratégia e a criação de consequências concretas para os colaboradores.
Durante a tarde, já depois de uma atividade dinamizada pelo Urban Sports Club, a mesa redonda “Como criar hábitos de bem-estar que as pessoas adotam de forma consistente?”, moderada por Cristina Martins de Barros, Founder do IIRH e Diretora Editorial da RHmagazine, destacou o fosso entre acesso e utilização.
Afonso Rodrigues, SMB Sales Director no Urban Sports Club (Wellhub), afirmou que “ter o benefício não chega”, enquanto Sara Mendes, Head of People & Talent na KLx, deixou um alerta. “O principal erro é utilizar o bem-estar como ações individualizadas.” Já Pedro Fialho, Head of Talent Management & Deputy CPO na Sword Health, reforçou a importância da autonomia individual.
No caso prático “Skills em Movimento”, Maria da Fé Silva, HR Development & Operations Director na Arrow Global Portugal, destacou a evolução do foco técnico para uma abordagem mais holística: “Tudo o que não seja transformável em zeros e uns são efetivamente as competências do humano”. Por sua vez, Filipe Santos Seixas, Business Development Director no ISQe, sublinhou que “as powerskills estão em movimento” e são hoje o elo entre estratégia e execução.
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Benefícios: custo ou vantagem competitiva?
Na mesa redonda “Saúde e benefícios: investimento estratégico ou custo inevitável?”, Ana Miguel Soares, Head of HR Iberia na Tridec, apontou a mudança de mindset como principal desafio. Ana Ruivo, CEO & Co-Founder da Team 24, defendeu uma abordagem orientada a dados: “A pergunta não é qual é o ROI, mas quanto é que perdemos por não existir”. Já Hélder Batista, CEO da Coldwell Banker City, sublinhou a ligação entre bem-estar e desempenho. “Não acredito que alguém consiga cuidar da vida do outro se não cuidar da sua”, disse.
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Na mesa redonda “RH simples ou RH simplificado?”, moderada por Vera Devesas, Pre-Sales Talent Consultant da Factorial, discutiu-se o equilíbrio entre eficiência e profundidade. Luís Decq Mota, Diretor de Recursos Humanos na Armatis, afirmou que “simplificar significa tirar o ruído”. Cláudia Oliveira, Human Resources Director na Europalco, destacou que “ninguém gosta de coisas complicadas”, enquanto Rita Ricardo, People Business Partner na Vorwerk, trouxe uma visão centrada no equilíbrio entre autonomia e alinhamento, alertando para os riscos de empowerment mal estruturado. Defendeu ainda que o papel do RH está a evoluir para uma lógica menos operacional e mais estratégica: “Operacionalmente menos presentes, mas estrategicamente mais presentes.”
Sala AON: onde (também) se discutiu o essencial
Na Sala AON, a manhã arrancou com a mesa redonda “Qual é o verdadeiro papel dos benefícios sociais na qualidade de vida dos colaboradores?”. Rosa Martins, Chief Sales Officer da Edenred, Rute Candeias, Payroll, Time & Benefits Senior Specialist da Roche Portugal, Hugo Alexandre Valada, Human Resources Specialist & Team Leader da McKinsey, e Luísa Salazar d’Eça, Head of People & Culture da Aviludo, debateram o impacto direto destes instrumentos no poder de compra e na qualidade de vida.
Logo de seguida, a mesa redonda “O Talento já influencia os Conselhos de Administração?” trouxe para o centro da discussão o conceito de people risk como risco estratégico. Nuno Abreu, Human Capital Solutions Director da AON, Catarina Azevedo, People & Culture Director da KPMG, Patrícia Durães, Diretora de Gestão de Talento dos CTT, e Nuno Prata, Diretor de Recursos Humanos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, destacaram a crescente relevância dos dados de pessoas na tomada de decisão ao mais alto nível, num contexto em que temas como absentismo, rotatividade e saúde psicológica deixam de ser operacionais para passar a estratégicos.
Bem-estar: porque falha na prática?
O bem-estar voltou a estar em destaque na mesa redonda “Como distinguir bem-estar eficaz de iniciativas meramente simbólicas?”. Sofia Roque, Head of People Wellbeing & Sustainability na Cofidis, reconheceu o caminho ainda por fazer. Na Cofidis, “trabalhámos muito sobre os sintomas, mas há muito trabalho a fazer”, apontando a necessidade de evoluir para abordagens mais estruturais. Também Rita Roque de Figueiredo, Head of Health, Safety & Wellbeing no Grupo Fidelidade, reforçou a urgência de uma mudança de paradigma: “O bem-estar não pode ser um benefício. Tem de ser a base para as nossas condições de trabalho serem saudáveis, inclusivas, seguras”. Já Ricardo Sousa, Director of Business Solutions Iberia na Workplace Options, sublinhou a integração do tema no core do negócio. “Não temos que falar do bem-estar como algo separado do resto da empresa. Faz parte da empresa.”
Da reflexão para a prática, a apresentação do caso prático “Olá Solverde: Digitalizar para Conectar – Uma jornada de cultura e gamificação”, Daniel Couto, HR Business Partner da Solverde.pt, e João Carvalho, CEO da GFoundry, mostraram como a organização utilizou tecnologia para reforçar a ligação entre pessoas e criar uma cultura mais integrada.
A discussão evoluiu depois para o impacto da automação no trabalho, na mesa redonda “Quanto tempo estamos a desperdiçar em tarefas que não exigem talento humano?”, moderada por Rita Mourinha, Diretora da Seresco Portugal. Entre diferentes perspetivas setoriais, destacou-se o contributo de Fátima Moura, HR Manager na Luís Simões, que evidenciou ganhos operacionais claros. “Deixámos de ter 50 mil e-mails por dia com as justificações das pessoas e os colaboradores passaram elas próprias a gerir a sua assiduidade.” Já Conceição Martins, HR Director na Euronext, evidenciou o ganho ao nível da capacidade analítica e da tomada de decisão, enquanto Jaime Morais Sarmento, Senior Vice President Human Resources na Highgate Portugal, alertou para a importância de preservar o fator humano, sobretudo em funções de contacto direto.
IA: quem responde pelas decisões?
A IA trouxe novas camadas ao debate na mesa redonda “Quem é responsável quando a decisão é do algoritmo?”, moderada por Rita Cadillon, HR Director na Cegid Portugal & Africa. Num contexto em que, segundo foi referido, apenas cerca de 40% das empresas em Portugal utilizam verdadeiramente IA, a discussão centrou-se nos limites, riscos e responsabilidades. Marta Amador, HR Business Partner na AstraZeneca Portugal, foi clara ao reforçar o papel humano: “Incluímos a IA como uma ferramenta de ajuda. Mas depois temos outras responsabilidades na decisão. A decisão é sempre humana”. Por sua vez, Nuno Peixinho, Country Deputy HR Director na FORVIA/Faurecia, enalteceu o grau de maturidade da IA em contexto industrial, enquanto Ana Pereira Cruz, Global People Business Lead na Sonae Sierra, chamou a atenção para a necessidade de governação, transparência e proteção do “direito humano do colaborador”.
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O impacto da tecnologia estendeu-se à liderança. Na mesa redonda “A Liderança e o Desenvolvimento de Equipas na Era da IA”, Catarina Oliveira Fernandes, Area Leader of Learning, Development and Inclusion na Sonae MC, defendeu que “a IA não é um projeto isolado, é uma alavanca de transformação”, sublinhando a importância de integrar tecnologia, competências cognitivas e socioemocionais. Já Ana Vala, Head of Culture & Change no novobanco, destacou a dimensão comportamental da mudança. “A IA não é uma ferramenta, é uma nova forma de trabalhar”, disse, alertando também para o risco de sobredependência tecnológica e para a necessidade de equilíbrio entre preparação e execução.
Já na reta final da tarde, a mesa redonda “A língua é uma barreira invisível à progressão do talento?” trouxe para o debate um tema muitas vezes subestimado nas organizações, mas com impacto direto na inclusão e no desenvolvimento de carreiras. Em análise estiveram a inclusão de talento internacional, os desafios da liderança multicultural, o papel das competências linguísticas estratégicas e o seu impacto na mobilidade e progressão profissional. Participaram Emília Roseiro, do Conselho Editorial da RHmagazine, Diogo Bernardes, Account Executive da goFLUENT, Andreia Cabral Dias, Global HR Capability Building Lead & Global Talent Process Expert na Nestlé, e Ana Figueiredo Soares, Head of People, Culture and Workplace na Airbus GBS.
Encerramento com lição de resiliência
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O encerramento do Fórum RH 2026 ficou a cargo de Francisco Lufinha, keynote speaker, num momento apoiado pela GFoundry, que trouxe ao palco uma perspetiva fora do contexto tradicional das organizaçõe, mas alinhada com os desafios atuais da liderança. O navegador recordista mundial transportou os presentes para cenários de elevada exigência física e emocional, onde a incerteza é constante e o erro pode ter consequências imediatas. A partir do seu percurso – de travessias em solitário a feitos inéditos no mar, incluindo a recente circum-navegação do mundo em família -, mostrou como experiências aparentemente extremas encontram paralelos diretos no contexto empresarial. A tomada de decisão sob pressão, a gestão do risco, a necessidade de adaptação contínua e a importância da preparação foram alguns dos eixos centrais da sua mensagem.
Ao longo do dia, decorreu ainda o workshop “RH e a Confiança Digital: Identidade digital, Assinatura Qualificada e Onboarding Seguro”, no qual Fernando Vicente, Head of Product da SIBS Multicert, trouxe uma abordagem prática à digitalização dos processos de RH.
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Foi ainda gravado o podcast Fórum RH Talks, com a participação da Adecco, Aon, DECO PROteste, Edenred, Grow-Ing, ISQ Academy, Seresco, SIBS Multicert e Workplace Options, para uma série de conversas dedicadas aos temas que estão a marcar o futuro da gestão de pessoas.
O evento ficou também marcado por um conjunto alargado de experiências. Empresas como a Actuasys promoveram demonstrações de hardware e software desenvolvidos internamente, enquanto a GFoundry apresentou, em contexto real, soluções aplicadas às diferentes fases da gestão de talento, do recrutamento à avaliação de desempenho. Já a SIBS Multicert destacou a digitalização do ciclo de vida dos processos de recursos humanos através da plataforma mTrust, reforçando o foco transversal do evento na confiança digital e na desmaterialização.
A AON disponibilizou um assessment sobre o impacto da inteligência artificial nas funções dos profissionais, incentivando a reflexão individual sobre maturidade digital. Também a DECO PROteste dinamizou um quiz de literacia financeira, sublinhando a importância do tema no contexto organizacional, enquanto várias marcas recorreram a dinâmicas como rodas de prémios, sorteios e desafios interativos para estimular a participação.
Por sua vez, a Dynargie propôs uma experiência imersiva sobre os desafios da mudança nas empresas, enquanto o Urban Sports Club introduziu momentos de atividade física através de desafios distribuídos no seu stand. A TEAM 24 disponibilizou sessões de massagem, reforçando a componente de bem-estar, e várias organizações – como ISQe, Mercer ou Edenred – promoveram interações centradas no desenvolvimento de competências, benefícios e engagement. Em paralelo, espaços como photobooths e experiências digitais contribuíram para criar momentos de partilha e reforçar a dimensão relacional do evento.
A 31.ª edição do Fórum RH contou com o patrocínio premium da Adecco, Aon, DECO PROteste, Edenred, Grow-Ing/isEazy, ISQ Academy, Seresco, Sibs Multicert e Workplace Options. Entre os restantes patrocinadores encontram-se a Cegid, Factorial, GFoundry, GoFluent, GoodHabitz, ISCTE – Executive Education, Cornerstone/ISQe, Mercer, Team 2, Urban Sports Club e Wospee. A Actuasys, a Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas, a Dynargie, a Didaskalia, a Nubhora e a Pulso Portugal integraram o conjunto de expositores e apoios. O Networking Lounge foi patrocinado pelo Clan.
Ao longo das próximas semanas, a RHmagazine irá aprofundar os principais momentos do Fórum RH 2026, com uma cobertura detalhada dos debates, casos práticos e intervenções que marcaram esta edição. Enquanto espera, (re)veja alguns dos principais momentos do dia na fotogaleria abaixo:
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