Esqueça o café gratuito e as zonas de lazer. O benefício que mais distingue as equipas de elevado desempenho é um espaço onde seja possível trabalhar sem interrupções, refere o psicólogo organizacional e Fundador da Superteams Inc., Ron Friedman, num artigo publicado na Harvard Business Review.
Com base num estudo realizado junto de mais de seis mil profissionais, o especialista procurou perceber o que diferencia as equipas excecionais das restantes. A investigação analisou dezenas de variáveis, incluindo práticas de liderança, hábitos de trabalho, modelos presencial, remoto e híbrido, bem como mais de 20 benefícios disponibilizados pelas empresas. Entre eles estavam salas de colaboração, ginásios, mesas de pingue-pongue, comida gratuita, café, espaços de convívio e salas privadas de reunião.
Porém, os resultados surpreenderam. O único fator que distinguiu as equipas de elevado desempenho foi o acesso a um espaço tranquilo para trabalhar sem interrupções. Para Ron Friedman, o estudo desmonta parte do debate em torno do trabalho presencial, remoto ou híbrido, uma vez que nenhum destes modelos se traduz automaticamente em melhores resultados.
Segundo o especialista, o que influencia o desempenho é a forma como o trabalho está organizado. Tanto o escritório como o teletrabalho criam obstáculos à concentração. Nos espaços presenciais, predominam as conversas paralelas, as interrupções inesperadas e a expectativa de disponibilidade permanente. Já nos modelos remoto e híbrido, multiplicam-se as mensagens instantâneas, as notificações e as reuniões por videoconferência, reduzindo igualmente o tempo disponível para trabalho. “A questão deixou de ser onde as pessoas trabalham. A questão é saber se têm condições para pensar”, resume ao longo da análise.
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Um dos principais mitos que a investigação procurou desmontar é a ideia de que colaborar implica uma interação constante entre colegas. No entender Ron Friedman, as equipas precisam de discutir ideias, alinhar prioridades e tomar decisões em conjunto, mas também necessitam de tempo para que cada colaborador possa analisar informação.
O especialista recorda ainda que vários estudos sobre brainwriting, metodologia em que cada participante desenvolve individualmente as suas ideias antes da discussão em grupo, mostram que este modelo produz propostas mais numerosas e originais do que sessões de brainstorming. “A melhor colaboração começa muitas vezes antes da reunião”, defende.
Afinal, o que fazem as equipas mais eficazes?
O estudo identificou um conjunto de práticas comuns entre as equipas com melhor desempenho.
- Determinam períodos de foco total;
- Implementam dias sem reuniões;
- Reduzem interrupções desnecessárias no dia a dia;
- Utilizam sistemas de gestão de tarefas que permitem acompanhar o progresso dos projetos sem interromper colegas
- Documentam processos e procedimentos de forma clara, facilitando o acesso à informação;
- Diminuem a dependência de contactos constantes entre membros da equipa.
Três mudanças que os líderes podem implementar
Com base nas conclusões do estudo, Ron Friedman partilha três medidas que os líderes podem estabelecer para melhorar o desempenho das equipas:
- Reconhecer que a colaboração também depende de tempo para pensar e trabalhar de forma autónoma;
- Criar períodos de concentração, sem reuniões nem interrupções;
- Dar maior autonomia aos colaboradores para escolherem o ambiente de trabalho mais adequado a cada tarefa.
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