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número de desempregados inscritos nos centros de emprego voltou a recuar em fevereiro, mantendo a trajetória de descida dos últimos meses, num contexto em que o mercado de trabalho continua a dar sinais de resiliência, ainda que com assimetrias estruturais por resolver. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), estavam registadas, no final de fevereiro, 305.179 pessoas desempregadas nos serviços de emprego do continente e das regiões autónomas. Este número representa uma redução de 9,9% face ao mesmo mês de 2025 e um recuo de 1,8% em comparação com janeiro.
No total, os desempregados representavam 68,3% dos 446.736 pedidos de emprego registados. Em termos homólogos, são menos 33.556 pessoas inscritas, uma variação explicada sobretudo pela diminuição dos desempregados inscritos há menos de 12 meses (-26.057), dos que procuram novo emprego (-27.078) e dos maiores de 25 anos (-24.936). Já na comparação mensal, havia menos 5.529 pessoas inscritas.
A descida do desemprego foi transversal ao território em termos homólogos, com destaque para os Açores, onde se registou a maior redução (-13,7%). Em cadeia, ou seja, face a janeiro, o desemprego também caiu na maioria das regiões, com exceção do Centro (+0,6%) e dos Açores (+0,2%). A região do Algarve registou a diminuição mais expressiva (-7,1%).
Do ponto de vista da estrutura profissional, os “trabalhadores não qualificados” continuam a ser o grupo mais representativo entre os desempregados registados no continente (30,2%), seguidos dos “trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores” (20,4%). Já os “especialistas das atividades intelectuais e científicas” representam 10,4% e o “pessoal administrativo” 10,2%.
No que diz respeito à dinâmica do mercado, o número de ofertas de emprego recebidas pelo IEFP em fevereiro ascendeu a 12.183, o que traduz um aumento de 10,9% face ao período homólogo e de 3,7% em cadeia. No final do mês, permaneciam por satisfazer 14.294 ofertas de emprego, um crescimento de 14,0% em termos homólogos e de 24,8% face a janeiro.
As colocações efetuadas durante o mês totalizaram 7.229, um valor ligeiramente inferior ao registado no mesmo período do ano passado (-0,6%), mas superior ao de janeiro (+5,0%). À semelhança da estrutura do desemprego, também as colocações se concentram sobretudo em “trabalhadores não qualificados” (41,3%), seguidos dos “trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores” (19,2%) e dos “trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices” (11,3%).
Duplo desemprego também diminui
Os dados revelam ainda uma evolução positiva no indicador de duplo desemprego. O número de casais em que ambos os elementos se encontram desempregados fixou-se em 4.550 em fevereiro de 2026, o que corresponde a uma descida de 12,6% em termos homólogos e de 3,1% face a janeiro. No total, 9.100 desempregados (7,8%) casados ou em união de facto têm cônjuge igualmente inscrito nos serviços de emprego.
No continente, estavam registados 295.083 desempregados, dos quais 39,7% eram casados ou viviam em união de facto, num total de 117.132 pessoas. Também neste grupo se verificou uma diminuição de 8,7% face a fevereiro de 2025 (-11.121 desempregados) e de 2,1% em relação ao mês anterior (-2.521).
Apesar da tendência de descida, os dados continuam a evidenciar um mercado de trabalho marcado por forte incidência de desemprego em perfis menos qualificados e por uma procura ainda significativa de emprego, num total de mais de 446 mil pedidos registados. Ao mesmo tempo, o aumento das ofertas e o crescimento das vagas por preencher sugerem desafios persistentes ao nível do matching entre oferta e procura, uma questão estrutural que continua a marcar o mercado laboral português.
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