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FMI alertou que a inteligência artificial (IA) deverá afetar uma parte significativa do emprego a nível global, com impactos diretos na organização do trabalho, na procura de competências e na evolução dos rendimentos, defendendo a adoção de medidas de apoio aos trabalhadores para responder às transformações no mercado laboral.
O alerta surge dias antes do Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, que decorrerá entre 19 e 23 de janeiro. Em declarações citadas pela agência France-Presse (AFP), a Diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que a IA terá “consequências profundas no emprego”, com impactos distintos consoante o nível de desenvolvimento económico dos países.
De acordo com um relatório divulgado pelo FMI, a IA deverá afetar quase 40% dos empregos em todo o mundo. No entanto, a exposição ao impacto da tecnologia varia de forma significativa entre economias:
- Economias avançadas e alguns mercados emergentes: até 60% dos empregos poderão ser afetados;
- Mercados emergentes: cerca de 40% dos postos de trabalho estão expostos à IA;
- Países de baixo rendimento: a percentagem desce para cerca de 26%.
Segundo Kristalina Georgieva, estas diferenças refletem “a maior adoção da inteligência artificial nas economias mais avançadas” e a estrutura produtiva desses países, onde uma maior proporção de funções pode ser automatizada ou transformada com recurso à tecnologia.
O FMI refere que trabalhadores com níveis de qualificação mais elevados ou cujas funções sejam complementares à IA poderão beneficiar de ganhos de produtividade e de aumentos salariais. Por outro lado, trabalhadores em funções com elevada exposição à automação, mas com baixa complementaridade tecnológica, enfrentam maior risco de redução do emprego ou de pressão descendente sobre os rendimentos.
Kristalina Georgieva teme que estes efeitos possam contribuir para o agravamento das desigualdades salariais, tanto dentro dos países como entre economias com diferentes níveis de desenvolvimento.
Políticas públicas e apoio à transição laboral
Perante estes impactos desiguais, o FMI sublinha a necessidade de respostas de política pública que permitam mitigar os efeitos da transição tecnológica no mercado de trabalho. Entre as prioridades identificadas pelo organismo estão:
- Redes de proteção social ajustadas para apoiar transições entre funções e setores;
- Programas de requalificação e reconversão profissional orientados para novas competências;
- Medidas destinadas a reduzir desigualdades salariais e de acesso ao emprego associadas à adoção da IA.
“A IA pode ser assustadora, mas também pode ser uma grande oportunidade para todos”, afirmou Kristalina Georgieva, defendendo uma atuação política coordenada para garantir que os benefícios da tecnologia sejam amplamente distribuídos. “Devemos concentrar-nos nos países de rendimento mais baixo, em particular, para poderem aproveitar as oportunidades que a IA irá apresentar.”
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