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indústria transformadora está a atravessar um período de reconfiguração, marcado por um crescimento significativo do emprego, mas também por novas exigências ao nível das qualificações. Dados da Eurofirms – People first indicam que o setor registou um aumento superior a 30% nas contratações no primeiro trimestre deste ano, face ao mesmo período de 2025.
Entre janeiro e março, a multinacional de gestão de talento colocou mais de dois mil profissionais nesta área, que assume um peso crescente na sua atividade em Portugal, refletindo a dinâmica de um setor em transformação. Mas, mais do que um aumento do volume de contratações, os dados apontam para uma mudança no perfil de procura. A evolução tecnológica, impulsionada pela automação e pela inteligência artificial (IA), está a alterar as necessidades das empresas industriais.
“O setor está mais sofisticado e tecnológico, no seguimento da integração cada vez mais acelerada de automação e de inteligência artificial (IA), associada a um aumento visível na produtividade”, afirma Filipe Ramos, National Leader Outsourcing da Eurofirms, em comunicado. O responsável acrescenta que “assistimos a uma inversão na lógica da procura. Se em tempos o foco era a mão de obra a baixo custo, atualmente as empresas privilegiam a eficiência e conhecimento. Querem, por isso, perfis mais especializados, independentemente dos custos associados”.
Formação vs necessidades do setor
Apesar do crescimento, a captação de talento continua a representar um desafio para o setor. A Eurofirms identifica um desfasamento entre o sistema de ensino e as necessidades operacionais da indústria. “Existe uma necessidade urgente de maior alinhamento entre o ensino e as necessidades reais das fábricas”, alerta Filipe Ramos.
Também Vasco Almeida, Regional Leader Norte da Eurofirms, reforça esta leitura: “O que verificamos é que a academia tende a formar quadros superiores. Mas a realidade atual do mercado de trabalho diz-nos que a indústria carece de quadros intermédios, que estejam verdadeiramente preparados para a realidade operacional”. O responsável diz ainda que “a formação continua a ser excessivamente teórica, contribuindo para lacunas em soft skills e na adaptação ao trabalho por indicadores, turnos e à cultura de ‘chão de fábrica'”.
Talento jovem ganha peso no setor
A análise revela também uma tendência geracional. Entre os profissionais colocados pela Eurofirms na indústria, 37% têm idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos, evidenciando uma maior entrada de talento jovem no setor. Ainda assim, a indústria mantém uma forte predominância masculina, com 63% dos profissionais colocados a serem homens.
Em termos geográficos, Porto, Leiria, Alverca, Mealhada e Vila Franca de Xira concentram a maioria das colocações. As funções mais procuradas incluem operadores de máquinas, operadores de cerâmica, operador e auxiliar de armazém, perfis que, apesar de tradicionais na designação, exigem hoje maior capacidade de adaptação tecnológica.
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