Como está a saúde financeira das PME em Portugal?
Portugal apresenta o segundo pior desempenho em literacia financeira na União Europeia (UE), de acordo com um estudo da Comissão Europeia encomendado ao grupo de reflexão Bruegel – Improving Economic Policy. Apenas 42% dos inquiridos portugueses responderam corretamente a pelo menos três das cinco perguntas sobre temas como juros compostos, inflação e risco financeiro. Esta percentagem contrasta com a média de 52% nos 27 Estados-membros da UE.
Países como Finlândia, Estónia e Dinamarca alcançaram as percentagens mais altas, enquanto Roménia, Portugal e Grécia apresentaram os resultados mais baixos. Estes números evidenciam a necessidade urgente de melhorar a literacia financeira em Portugal.
Quanto à saúde financeira, neste tão vasto universo de pequenas e médias empresas, encontramos realidades muito diversas. Em termos médios, a saúde financeira das PME não se pode caracterizar como brilhante ou extremamente sólida, mas tem registado uma clara melhoria durante os últimos anos e, de acordo com os dados do INE, está até acima dos valores médios registados pela totalidade das empresas nacionais não financeiras.
Por exemplo, o rácio de autonomia financeira das PME, em média, está nos 44%, portanto está acima do valor mínimo recomendável de 35%. Por outro lado, em termos de solvabilidade, o rácio situa-se em 0,77, portanto ainda abaixo do valor mínimo recomendado de 1, mas ainda assim ligeiramente acima do valor médio de 0,68 do total das empresas nacionais não financeiras. A solvabilidade das PME melhorou bastante, com o rácio a subir de 0,44 em 2008 para 0,77 em 2022.
Esta melhoria poderá ter também a ver, em parte, com as dificuldades acrescidas no acesso ao crédito pelas PME, que se acentuaram no período pós-crise financeira internacional de 2008/2009 e que se agravaram ainda mais no período pós-pandemia de 2020, levando a um menor recurso à utilização do capital alheio.
Como estão a preparar as empresas para os desafios associados à sustentabilidade financeira?
O ponto de partida para a tomada de boas decisões financeiras é o conhecimento. Conhecer os principais conceitos ligados ao dinheiro pode fazer toda a diferença. Há que apostar mais na literacia financeira e defendemos a sua inclusão no ensino de modo obrigatório e universal.
Só assim o País terá gerações mais bem preparadas para enfrentar novos desafios e perigos, como o aconselhamento financeiro gerado por inteligência artificial, as fraudes que circulam nas redes sociais, não sucumbir a influencers patrocinados e distinguir novos produtos não regulados.
À semelhança do que já acontece em alguns países, empresas e organismos públicos também podem ter um papel importante na promoção da literacia financeira. Uma ferramenta para saber como empreender e financiar, por exemplo, um negócio.
“Empresas e organismos públicos também podem ter um papel importante na promoção da literacia financeira.”
Mas o nosso envolvimento tem sempre as pessoas como o foco. É nesse contexto que, há cerca de uma década, criámos cursos de formação que permitam ao consumidor melhor compreender a dinâmica financeira das suas vidas.
Dispomos, hoje, de um portfólio que procura tocar em todos os domínios que tenham implicações financeiras. Acreditamos que qualquer pessoa que saiba melhor gerir o seu orçamento pessoal, saberá também melhor perceber as contingências da gestão empresarial e, com isso, contribuir de um modo mais eficiente para a sustentabilidade da empresa onde trabalha.
Que programas de formação estão a desenvolver para dar resposta a estes desafios?
Como referi, as “Finanças Pessoais”, nas suas várias vertentes, é um dos cursos onde temos estado particularmente ativos. A “Optimização Fiscal”, “Saber Investir” ou a “Gestão Imobiliária” são outros casos de procura sistemática. Contudo, desde há muito que procuramos ir ao encontro das necessidades concretas das empresas que nos procuram, criando cursos que se adaptam às suas atividades. Daí que tenhamos um portfólio muito diversificado.
“Procuramos ir ao encontro das necessidades concretas das empresas que nos procuram, criando cursos que se adaptam às suas atividades.”
É comum, por exemplo, termos cursos sobre questões laborais ou arrendamento, mas que coexistem com outros, tais como “Vida Saudável” ou “Dietas e Mitos”. O conhecimento técnico de que a DECO PROteste dispõe nos seus quadros permite uma flexibilidade de conteúdos que não é comum neste mercado.
Como a DECO PROteste perspetiva a sua presença no Fórum RH?
Dar a conhecer a nossa experiência e oferta e relacionarmo-nos com as restantes empresas participantes é o foco. Estamos convictos de que podemos contribuir ativamente para melhorar o contacto entre os negócios e os consumidores.
Ninguém conhece melhor os consumidores portugueses do que nós. Sabemos o que enfrentam como dificuldades e o que desejam. E, por isso, temos a capacidade de ajudar as empresas a fazer a ponte entre os serviços que prestam e as necessidades dos seus clientes.
Artigo publicado na edição 152 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2024