O HR After Work, ponto de encontro de profissionais de Gestão, com foco principal na gestão de pessoas celebrou o seu 50º encontro no passado dia 2 de fevereiro que teve como mote “O futuro das pessoas no trabalho”.
Vamos a algumas conclusões:
David Martins, Founder e Managing Partner na DCM | Littler, entende que as empresas e os RH têm de estar conscientes para dois desafios que vão impactar o futuro do trabalho: regular a alteração na legislação laboral e a adoção, em grande escala, da Inteligência Artificial.
“No caso das alterações na legislação laboral, esta muda todos os anos e todos os meses, tornando difícil saber a cada momento qual é o regime em vigor”, explica. David Martins critica o regime que, ao nível do colaborador, alterou algumas regras laborais “de forma pouco pensada”, sem especificar quais.
“Estamos a falar de alterações legislativas de seis em seis meses, o que é algo muito normal e, especialmente agora que vamos ter eleições em março, vamos assistir a mais umas alterações. Na minha opinião não deveria ser assim, porque não é possível gerir empregos com constantes alterações”, complementa o responsável da DCM | Littler.
“Tivemos agora uma alteração muito significativa, com impacto nas forças laborais, ao nível dos residentes não habituais. Durante um tempo queríamos atrair nómadas digitais e agora estamos a fazer-lhes a vida negra”, sublinha David Martins.
O segundo desafio que David Martins destaca, a Inteligência Artificial (IA), vai alterar completamente o paradigma das empresas, especialmente ao nível dos recursos humanos.
“O que vai mudar não é ao nível de ficarmos todos desempregados, mas no sentido de que muito do trabalho repetitivo que temos nas organizações vai acabar por ser substituído”, clarifica.
Para superar este desafio, David Martins sublinha a importância de estar atualizado sobre as alterações na legislação laboral e saber acomodar a IA em todas as vertentes, particularmente no desafio da privacidade e da ética.
“Há tecnologia, hoje em dia, que permite verificar quais são os sites que as pessoas visitam, quanto tempo é que estão a utilizar o computador, podemos verificar a movimentação do computador para saber se estão a trabalhar ou não, etc. Existe uma criatividade imensa. Agora, deve-se colocar a questão de um outro lado: até que ponto é que a privacidade não é um escudo para atos ilícitos?”, conclui.
O tema lançado por Martins foi retomado por Fernanda Correia, Human Resources Leader na Norauto Portugal, que falou sobre ética e responsabilidade social. Para a representante, as exigências das organizações ao nível da ética e responsabilidade social estão a marcar a função e responsabilidade dos departamentos de recursos humanos.
“Caminhamos para um maior compromisso, quer com a ética como para com a responsabilidade social. E, por esta razão, não podemos continuar a olhar para a ética apenas e só como uma mera obrigação. Mas também não podemos continuar a olhar para a responsabilidade social apenas e só como mero compromisso quando sabemos que temos impacto em todos os nossos stakeholders mas, acima de tudo, nas nossas pessoas”, detalha Fernanda Correia.
A RHmagazine é a revista parceira de comunicação desta iniciativa.