Londres, Nova Iorque e Singapura lideram o ranking e mantêm-se como principais centros mundiais de decisão, capital e talento. Mas o estudo mostra que o mapa corporativo está a mudar. As empresas adotam cada vez mais uma lógica talent first. Primeiro escolhem os mercados onde encontram o talento certo para a sua estratégia. Só depois definem onde instalam equipas e escritórios.
Neste contexto, surgem oportunidades para um conjunto mais alargado de cidades. Mercados como Toronto, Madrid ou Berlim ganham espaço em modelos dual-hub ou como alternativas às grandes metrópoles, ao conjugarem talento qualificado com custos operacionais mais competitivos.
Lisboa afirma-se precisamente neste equilíbrio. A capital portuguesa combina talento qualificado, custos competitivos e qualidade de vida, posicionando-se ao lado de cidades como Kuala Lumpur e Bengaluru. Este perfil está a colocar Lisboa no radar de empresas que procuram expandir ou relocalizar operações em serviços e tecnologia.
O estudo destaca também cidades onde a qualidade de vida é decisiva para atrair e reter talento, como Melbourne, Copenhaga ou Montreal. Nestes mercados, as empresas encontram cidades mais equilibradas, com custos mais baixos do que nas grandes metrópoles e preparadas para receber equipas altamente qualificadas.
Sarah Brooks, Associate Director na Savills World Research, lembra que, durante muitos anos, as empresas concentraram-se num pequeno grupo de grandes cidades globais, atraídas por talento, capital e proximidade a clientes. “Hoje está a surgir uma nova geografia corporativa. As grandes praças globais continuam cruciais, mas fazem cada vez mais parte de redes de escritórios mais amplas, que apoiam o crescimento, dão acesso a talento e melhoram a eficiência de custos.”
Já Michelle Needles, Global Head of Enterprise Solutions, Global Occupier Services na Savills, sublinha que “a relação tradicional entre trabalhadores e empregos inverteu-se”. As empresas deixam cada vez mais de pedir às pessoas que mudem de cidade e passam a instalar-se onde o talento já está e quer continuar a viver, dando menos prioridade a mercados saturados de concorrentes e passando a considerar localizações ainda pouco exploradas.
No caso português, os resultados do Global Talent Cities Index 2026 reforçam Lisboa como destino relevante para empresas internacionais. A cidade beneficia de uma força de trabalho jovem e qualificada, de um ecossistema em expansão de empresas tecnológicas e de serviços e de uma imagem positiva junto de talento estrangeiro. Estes fatores consolidam o seu papel como plataforma de ligação entre a Europa, África e América Latina, com impacto direto nas estratégias de ocupação de escritórios.
Para Frederico Leitão de Sousa, Head of Offices da Savills Portugal, “os resultados deste índice confirmam aquilo que temos vindo a ver no mercado de escritórios em Lisboa. Depois de vários anos de forte atividade, com a entrada de novas empresas e o aumento do take-up, a cidade afirma-se entre os principais destinos para operações internacionais. Lisboa junta três fatores decisivos para as empresas: talento qualificado, custos competitivos e uma qualidade de vida que pesa cada vez mais nas escolhas dos profissionais. É esta combinação que torna o mercado especialmente atrativo para investir e instalar novas equipas. Ao mesmo tempo, começa a notar-se uma diversificação das estratégias de localização, com mais empresas a considerar outras cidades portuguesas que oferecem condições semelhantes e espaço para crescer. Lisboa continua a liderar, mas o olhar das empresas para outras cidades portuguesas é sinal de que Portugal está a subir de nível nas decisões sobre onde crescer e instalar operações.”
O Global Talent Cities Index 2026 integra o programa Impacts, a plataforma global de investigação e thought leadership da Savills, que analisa as principais tendências que moldam o futuro das cidades, do talento e do imobiliário.
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