A
adoção de modelos organizacionais orientados pela inteligência artificial (IA) é uma tendência em crescimento. Na Pipedrive, empresa de software, a IA já não é apenas uma tendência ou ferramenta de suporte. É parte essencial da cultura interna.
Margarida Russo, People e Culture Manager da Pipedrive, revela que a empresa adotou uma cultura de AI-First, através da qual procura integrar a tecnologia no quotidiano das equipas de forma estratégica, sustentada e inclusiva. “A inteligência artificial é uma ferramenta que utilizamos para ampliar o nosso potencial, não para o substituir”, esclarece em entrevista à RHmagazine.
Para apoiar esta mudança, a Pipedrive desenvolveu uma AI Learning Journey gamificada, para que cada colaborador possa “explorar os fundamentos da inteligência artificial ao seu próprio ritmo, num ambiente seguro e envolvente”, explica. Depois de concluída esta etapa, as equipas têm acesso a ferramentas como o Gemini Advanced, o NotebookLM e o Take Notes for Me, sendo “encorajadas a utilizá-las para experimentar, idealizar e melhorar as suas capacidades”.
A Pipedrive adotou uma cultura AI-First. O que é que isso significa no dia a dia da empresa?
A inteligência artificial é uma ferramenta que utilizamos para ampliar o nosso potencial, não para o substituir. No nosso trabalho quotidiano, isto traduz-se na utilização da inteligência artificial para automatizar tarefas repetitivas, melhorar a qualidade dos nossos resultados e libertar tempo para uma colaboração e criatividade mais profundas. Concebemos uma AI Learning Journey gamificada, onde as pessoas podem explorar os fundamentos da inteligência artificial ao seu próprio ritmo, num ambiente seguro e envolvente. Uma vez concluída, todos têm acesso a ferramentas como o Gemini Advanced, o NotebookLM e o Take Notes for Me, sendo encorajados a utilizá-las para experimentar, idealizar e melhorar as suas capacidades.
Quais foram os principais desafios enfrentados ao implementar esta cultura AI-First? Pode partilhar um exemplo concreto de como superaram alguns deles?
Os maiores desafios foram o medo e o ceticismo. Alguns consideravam que a inteligência artificial poderia substituir as suas funções, enquanto outros pensavam que era demasiado técnica para ser compreendida. Abordámos esta questão começando pelo básico. O percurso de aprendizagem da inteligência artificial centrou-se no desenvolvimento da confiança e não da perícia. Reforçámos que esta transformação consiste em oferecer às pessoas novas capacidades e não em retirar-lhes nada. Ao criarmos um ambiente psicologicamente seguro para explorar e aprender, as pessoas tornaram-se mais abertas à utilização significativa da inteligência artificial.
Que indicadores ou métricas utilizam para avaliar o sucesso da integração da IA no trabalho diário?
Uma das principais métricas é o tempo poupado com a utilização da inteligência artificial. Se as pessoas considerarem que a inteligência artificial as ajuda a concluir tarefas mais rapidamente ou com maior confiança, é um sinal claro de que está a funcionar. Mais do que utilizar a inteligência artificial por usar, o que nos interessa é o impacto real que pode trazer.
A mudança não acontece por decreto. Acontece quando os próprios líderes utilizam as ferramentas, falam abertamente sobre o que funciona, ou não, e criam espaço para as equipas crescerem.
De que forma é que a Pipedrive equilibra a adoção de IA com a valorização das pessoas?
Somos bastante claros quanto ao facto das pessoas estarem no centro de tudo o que fazemos. A inteligência artificial existe para apoiar e potenciar os humanos, não para substitui-los. Todas as iniciativas de inteligência artificial construídas assentam nesta premissa, desde a forma como concebemos a aprendizagem até à seleção das ferramentas utilizadas.
Que iniciativas de formação e capacitação têm implementado para garantir que todos acompanhem esta transformação digital?
Lançámos uma AI Fundamentals Journey estruturada para tornar a inteligência artificial acessível a todos, independentemente da sua função ou nível de experiência. Para apoiar este processo, criámos persona hubs, espaços personalizados que agrupam iniciativas com base no nível de conforto e familiaridade de cada persona com a inteligência artificial, para quem esteja apenas a começar ou para quem já está a usar. A journey combina casos de utilização reais, exercícios práticos e acesso a ferramentas avançadas de inteligência artificial, para garantir uma aprendizagem aplicada e relevante, e não teórica. E é apenas o início. Estamos a desenvolver ativamente os próximos passos, com base no feedback e na evolução das necessidades, para moldar a próxima fase dos nossos esforços de capacitação em inteligência artificial.
Que papel desempenha a liderança nesta mudança cultural?
Os líderes devem ser modelos de curiosidade, reservar tempo para a aprendizagem e incentivar a experimentação, mesmo que falhem. A mudança não acontece por decreto. Acontece quando os próprios líderes utilizam as ferramentas, falam abertamente sobre o que funciona, ou não, e criam espaço para as equipas crescerem. Também têm de proteger a segurança psicológica. As pessoas precisam de se sentir seguras para experimentar, falhar, aprender com os erros e tentar novamente sem receio de serem julgadas.
Olhando para o futuro, como prevê que a IA venha a transformar o trabalho e que competências serão essenciais para os profissionais?
O trabalho tornar-se-á mais criativo e analítico, mas também mais humano. A inteligência artificial assumirá tarefas de rotina, mas o julgamento, a empatia, o storytelling e a curiosidade serão insubstituíveis. A competência fundamental não é apenas utilizar a inteligência artificial. Trata-se de saber quando e como utilizá-la, fazer as perguntas certas e combinar a perspicácia humana com a inteligência das máquinas.
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