Os trabalhadores portugueses estão a mudar aquilo que esperam das lideranças. Mais do que ambição ou pensamento visionário, valorizam hoje líderes capazes de assumir responsabilidades, responder de forma concreta aos desafios, comunicar com clareza e criar relações de confiança, como conclui o novo Relatório Global 2025 da MARCO, que coloca Portugal entre os países que mais valorizam a inteligência emocional e a empatia.
O estudo, realizado junto de mais de 4.500 pessoas em Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, México e Brasil, revela que a responsabilização é a característica mais valorizada em Portugal, alcançando nove pontos numa escala de zero a 10. Logo a seguir surgem a capacidade de resolução de problemas e a transparência, ambas com 8,8 pontos. A empatia e as competências de comunicação recolhem avaliações igualmente elevadas, com 8,7 pontos.
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O relatório indica ainda que Portugal é um dos países que mais valoriza competências relacionais nas chefias. Tal como no Brasil, México, Espanha e Itália, os participantes portugueses atribuem maior importância à empatia e à comunicação, demonstrando preferência por lideranças mais próximas e colaborativas. Por outro lado, países como Alemanha e França apresentam uma valorização relativamente menor destas características, refletindo abordagens de liderança culturalmente distintas.
À escala global, os resultados seguem a mesma tendência registada em Portugal. A responsabilização lidera entre as competências mais valorizadas, com 8,5 pontos, seguida da capacidade de resolução de problemas e das competências de comunicação, ambas com 8,3 pontos. Já características tradicionalmente associadas à liderança, como a ambição e o pensamento visionário, registam classificações mais baixas: 6,9 e 7,5 pontos, respetivamente.![]()
O que deixa de ser opcional?
O estudo revela também uma crescente valorização de modelos de gestão mais personalizados. Globalmente, 90% dos participantes considera importante que os líderes adaptem a sua abordagem às características individuais de cada colaborador, sinalizando uma procura crescente por ambientes de trabalho mais empáticos, colaborativos e ajustados às necessidades das equipas.
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Além disso, mais de metade dos inquiridos classificou a inclusividade e a colaboração como características “extremamente importantes” numa liderança eficaz, atribuindo-lhes pontuações de nove ou 10. Destes, 36,5% deram mesmo a classificação máxima.
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Embora a visão estratégica continue a ser relevante, o estudo faz saber que os colaboradores valorizam cada vez mais líderes capazes de agir, adaptar-se às necessidades das equipas e reforçar a ligação com os colaboradores. A credibilidade da liderança parece hoje depender menos da autoridade formal ou do discurso aspiracional e mais da capacidade de execução, transparência e inteligência emocional.
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