A
taxa de desemprego fixou-se nos 6,1% no primeiro trimestre do ano, refletindo uma subida face aos últimos três meses de 2025, mas mantendo uma trajetória de descida em termos homólogos. Os dados divulgados na quarta-feira, dia 6 de maio, pelo INE mostram ainda um aumento do número de desempregados, uma quebra do emprego em cadeia e mais de um milhão de pessoas em teletrabalho.
“A taxa de desemprego foi estimada em 6,1%, valor superior em 0,3 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre anterior e inferior em 0,5 p.p. por comparação com o mesmo trimestre do ano anterior“, informa o gabinete de estatísticas. Segundo o INE, entre janeiro e março, a população desempregada foi estimada em 346,3 mil pessoas, o que representa um aumento de 6,1% (mais 20 mil pessoas) face ao trimestre anterior. Ainda assim, em comparação com o mesmo período do ano passado, registou-se uma diminuição de 5,3%, equivalente a menos 19,5 mil desempregados.
Emprego recua face ao trimestre anterior
No mesmo período, a população empregada foi estimada em 5.300,8 mil pessoas. Os dados do INE apontam para uma diminuição trimestral de 0,7%, o equivalente a menos 38,7 mil trabalhadores empregados face ao trimestre anterior. Já em termos homólogos, o cenário mantém-se positivo: o emprego aumentou 2,3%, correspondendo a mais 119,4 mil pessoas empregadas do que no primeiro trimestre do ano passado.
A taxa de emprego situou-se nos 57,3%, traduzindo uma descida de 0,4 p.p. face ao quarto trimestre de 2025, mas uma subida de 0,7 p.p. em relação ao mesmo período do ano anterior.
Desemprego de longa duração continua elevado
O desemprego de longa duração continua a representar uma fatia significativa do desemprego total em Portugal. Segundo o INE, 35,6% dos desempregados encontravam-se nessa situação há 12 ou mais meses, um valor que ainda assim recuou 0,5 p.p. face ao trimestre anterior e 1,3 p.p. em termos homólogos.
Esta realidade revelou-se mais expressiva entre os homens, onde atingiu 38%, e e entre pessoas com, no máximo, o 3.º ciclo do ensino básico, grupo em que chegou aos 48%. A incidência foi também particularmente elevada entre trabalhadores mais velhos, com prevalência semelhante nos grupos etários dos 45 aos 54 anos (52,5%) e dos 55 aos 74 anos (53,4%).
Teletrabalho acima de um milhão
O teletrabalho continua a ter uma expressão relevante no mercado laboral português. De acordo com o INE, 21,1% da população empregada exerceu funções a partir de casa com recurso a tecnologias de informação e comunicação, o equivalente a 1.118,9 mil pessoas.
O valor representa uma ligeira descida de 0,1 p.p. face ao trimestre anterior, mas mantém-se acima do registado há um ano, com um aumento homólogo de 0,2 p.p..
O gabinete de estatísticas nacional destaca ainda uma subida da população inativa com 16 e mais anos. O aumento foi de 0,2% em relação ao trimestre anterior, embora em termos homólogos se tenha registado uma diminuição de 0,3%.
Os números do primeiro trimestre revelam, assim, um mercado de trabalho com sinais contraditórios. Apesar da melhoria face ao ano passado, o aumento do desemprego e a quebra do emprego em cadeia sugerem um abrandamento no arranque do ano.
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI