As mulheres na União Europeia continuam a trabalhar muito mais para receber o mesmo que os homens. A conclusão é do Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE), que no relatório anual do Índice de Igualdade de Género de 2025 alerta que “apesar dos progressos em toda a Europa, a igualdade de género total ainda está a pelo menos 50 anos de distância”.
Segundo o organismo, “as mulheres em toda a UE ganham apenas 77% do que os homens ganham anualmente”. “Isto significa que têm de trabalhar, em média, 15 meses e 18 dias para levar para casa o mesmo que os homens num ano”, sublinha o EIGE, classificando esta situação como uma “chocante disparidade salarial entre homens e mulheres”.
O Índice de Igualdade de Género de 2025 atribui à União Europeia uma classificação global de 63,4 pontos em 100. Apesar de um avanço de 10,5 pontos desde 2010, o EIGE ressalva que, ao ritmo atual, a UE está “a meio século de alcançar a igualdade de género total”.
Em comunicado, Carlien Scheele, Diretora do EIGE, afirma que esta perda de rendimentos é “injusta” e funciona como “um entrave à igualdade e à competitividade em toda a Europa”. Para a responsável, aqueles meses adicionais representam tempo que as mulheres deixam de dedicar à família, à educação, à formação ou ao descanso – e têm impacto direto “nas pensões e no rendimento ao longo da vida”.
Das diferenças salariais às carreiras que ficam para trás
Organizado em seis áreas – trabalho, dinheiro, conhecimento, tempo, poder e saúde – o Índice revela que, apesar do aumento do emprego feminino, poucas mulheres chegam a cargos de gestão ou a posições com salários mais elevados. A maternidade continua a limitar as perspetivas de carreira, fenómeno que não se verifica entre os homens.
O relatório confirma que as mulheres ganham menos 77% do rendimento anual dos homens, um valor que, apesar de representar uma melhoria face aos 69% registados em 2015, continua a expor um fosso significativo. Entre mulheres que vivem em casal, a diferença permanece expressiva: auferem, em média, menos 30% do que os companheiros.
E não é tudo. As mulheres continuam a assumir a maior parte dos cuidados e das tarefas domésticas não remuneradas, restringindo o acesso ao lazer e à vida pública. Já no campo do conhecimento, embora as mulheres jovens apresentem melhor desempenho no ensino superior, continuam a concentrar-se em áreas tradicionalmente subvalorizadas, como educação, saúde ou serviço social.
No indicador poder, que tem sido o principal motor de progresso desde 2020, o avanço não chega para inverter a tendência: continua a ser o domínio com a pior classificação (40,5 pontos), penalizado pela sub-representação feminina em cargos de topo.
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