Em Portugal, a diferença salarial entre homens e mulheres mantém-se em média nos 14% em 2025, acima da média europeia, que rondava os 10% no ano passado. Os dados constam do estudo Total Compensation 2025, da Mercer Portugal, que analisou 642 empresas, com mais de 180 mil colaboradores de diversos setores.
Em comunicado, Marta Dias, Rewards Leader da Mercer Portugal, afirma que “as organizações estão muito expectantes sobre o que a Diretiva sobre a Transparência Salarial poderá trazer como novos requisitos à gestão da compensação. O acesso a dados de mercados robustos facilita decisões e justifica algumas diferenças”.
Quase metade das empresas (45%) identifica a retenção de colaboradores como um dos principais desafios. O turnover voluntário situa-se, em média, nos 8,2%, ligeiramente abaixo do registado em 2024 (8,6%). As áreas mais críticas para atração e retenção de talento são IT & Telecom, engenharia e sales & marketing.
O estudo mostra que cerca de 30% das organizações pretendem reforçar o número de colaboradores em 2025, aumentando em média a força de trabalho em 11%. Para 2026, essas intenções descem para 22%.
No que a aumentos salariais diz respeito, o crescimento efetivo desacelerou em 2025, com uma variação de 2,2% face a 2024 (6,1%). A projeção para 2025 e 2026 é de 3,5%, abaixo dos 4% previstos anteriormente. “O regresso a valores de inflação mais baixos influenciou as decisões sobre incrementos salariais”, justifica Marta Dias.
A revisão salarial anual é prática comum em 91% das organizações, normalmente realizada em janeiro, março ou abril. Os principais fatores que determinam a percentagem de incremento incluem desempenho individual (96%), posição na grelha salarial (74%) e inflação (62%). Quanto à retribuição variável, 91% das empresas concedem bónus, sendo que 63% oferecem incentivos relacionados com vendas, maioritariamente anuais ou trimestrais. Incentivos de longo prazo ainda não são prática dominante, aplicando-se a cerca de 30% das empresas, geralmente para cargos de maior responsabilidade.
Os benefícios extrassalariais mantêm-se como prioridade. O plano médico e subsídio de refeição são oferecidos por 92% das empresas, e a política automóvel por 90%. A oferta de dias adicionais de férias, além do legal, já está presente em 64% das organizações. Outros benefícios incluem comparticipação de despesas de educação (57%), seguro de acidentes pessoais (44%), complemento do subsídio de doença (40%) e plano de pensões (36%).
Para 2026, a Mercer revela que as organizações enfrentam o desafio de implementar políticas de compensação e benefícios alinhadas com a nova legislação de equidade e transparência salarial, garantindo práticas justas e consistentes em todos os níveis hierárquicos.
O estudo inclui empresas de diferentes dimensões: 54% têm menos de 100 colaboradores, e 15% mais de 500. Quanto ao volume de negócios, 66% faturam menos de 50 milhões de euros, enquanto 21% ultrapassam os 100 milhões de euros. A amostra é composta por 64% de empresas internacionais e 36% nacionais.
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