Só nos primeiros seis meses de 2025, o número de ciberataques em Portugal disparou 180% face ao segundo semestre do ano anterior, de acordo com um relatório da Thales. Esta escalada expõe as empresas a riscos significativos, desde interrupções de serviço à perda de dados, passando por prejuízos reputacionais e financeiros.
“Longe vai o tempo em que a atualização do antivírus era o principal indicador de segurança”, resume Eduardo Sousa, vice-presidente da Porto Tech Hub, em comunicado. “Hoje, a complexidade das ameaças eleva o trabalho das equipas de cibersegurança a um novo patamar estratégico e contínuo. Com a introdução da IA surgem novos riscos, com ataques mais personalizados e difíceis de identificar. Face a este desafio, defende, as empresas devem adotar práticas seguras e trabalhar em equipa “para reduzir a exposição ao risco, antecipando possíveis ameaças.”
Com isto em mente, a Porto Tech Hub identifica três riscos da IA que estão a transformar a cibersegurança dos negócios e explica como as empresas se podem – e devem – preparar.
- Sofisticação de ataques automatizados: os algoritmos conseguem identificar vulnerabilidades em tempo recorde, acelerando a exploração de falhas e ultrapassando métodos tradicionais de deteção. Esta evolução está a impulsionar novas variantes de ransomware capazes de bloquear sistemas e paralisar operações críticas. Para se anteciparem, as empresas devem investir em ferramentas avançadas baseadas em IA, capazes de analisar código, interno e externo, e identificar exploits conhecidos. A atualização contínua dos sistemas e os testes regulares de resiliência são agora indispensáveis;
- Aumento de ameaças de deepfakes: com a IA generativa, mensagens, vozes e imagens falsas tornaram-se quase indistinguíveis das reais. Resultado: um aumento da eficácia de esquemas como phishing e vishing, agora potenciados por personas artificiais capazes de responder em tempo real e de forma convincente. A Porto Tech Hub defende formação contínua das equipas com cenários realistas, bem como políticas de validação reforçadas, como a autenticação multifator, para mitigar a crescente sofisticação destes ataques;
- Manipulação e enviesamento de dados e modelos: o crescimento dos sistemas agentes, que interagem autonomamente com o exterior, abriu portas a ataques como o prompt injection, que permite a manipulação direta do comportamento dos modelos. Num caso simples, um CV submetido a um sistema interno pode conter instruções ocultas capazes de alterar resultados ou aceder a informação sensível. Para reduzir estes riscos, a Porto Tech Hub defende literacia interna sobre funcionamento da IA, análise crítica permanente dos outputs e a criação de estratégias de vigilância contínua.
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