Os executivos estão mais disponíveis para sair do que para sacrificar o bem-estar. Um estudo da Page Executive, realizado junto de mais de 14 mil executivos C-level e líderes seniores em todo o mundo, revela que 90% estão abertos a novas oportunidades profissionais e que 58% recusariam uma promoção caso esta tivesse um impacto negativo na sua qualidade de vida.
Se, durante anos, a remuneração e a progressão na carreira dominaram as decisões profissionais, hoje fatores como propósito, cultura organizacional, qualidade da liderança e equilíbrio entre vida pessoal e profissional assumem um papel cada vez mais determinante. A Page Executive aponta para um desalinhamento entre aquilo que os líderes procuram e aquilo que as empresas estão a oferecer.
Os dados mostram que quase metade dos executivos se encontra ativamente à procura de uma nova função. Mais revelador ainda é o facto de 58% afirmarem que recusariam uma promoção caso esta tivesse um impacto negativo no seu bem-estar, o que reflete uma mudança na forma como os líderes encaram o sucesso profissional.
Segundo o estudo, os executivos valorizam cada vez mais ambientes de trabalho que lhes permitam manter um desempenho sustentável a longo prazo, privilegiando organizações com culturas fortes, lideranças consistentes e maior alinhamento entre valores pessoais e profissionais.
O relatório identifica também fragilidades na capacidade das organizações para responder à mudança. Apesar de muitas empresas estarem envolvidas em processos de transformação, apenas 47% dos líderes seniores europeus afirmam confiar na capacidade das respetivas organizações para se adaptarem aos novos desafios.
Os resultados revelam ainda diferenças de perceção entre os vários níveis de liderança. Os membros da C-suite apresentam níveis de confiança significativamente superiores aos dos restantes líderes seniores, sugerindo a existência de desalinhamentos internos sobre a forma como a organização está a responder ao contexto atual.
Para a Page Executive, esta discrepância pode comprometer a execução estratégica e dificultar a mobilização das equipas em torno de objetivos comuns. “Mais do que definir estratégias, as organizações precisam de garantir alinhamento, clareza e execução consistente entre equipas de liderança que operam em contextos cada vez mais complexos e multinacionais”, conclui o relatório.
IA acelera, mas as organizações nem sempre acompanham
Mais: a inteligência artificial (IA) continua a ganhar espaço entre os executivos. Cerca de 77% dos líderes que utilizam estas ferramentas afirmam registar ganhos de produtividade a nível individual. No entanto, só 67% identificam melhorias de produtividade ao nível empresarial e somente 53% consideram que a IA está a contribuir para aumentar a qualidade global do trabalho.
Embora 68% dos gestores de contratação afirmem adotar uma abordagem baseada em competências, apenas 30% admitem valorizá-las acima do percurso profissional tradicional ou da reputação dos candidatos. Para a Page Executive, esta realidade pode limitar o acesso a novos perfis de talento e dificultar a criação de equipas mais diversificadas e preparadas para responder às exigências futuras.
O que realmente retém um executivo?
Na Europa, 70% dos líderes afirmam estar satisfeitos com o seu pacote salarial. Ainda assim, 44% consideram que a remuneração é apenas um dos vários fatores que influenciam a satisfação profissional. Transparência, confiança, qualidade da liderança e cultura organizacional surgem cada vez mais como elementos determinantes na decisão de permanecer ou abandonar uma organização.
“O recrutamento executivo na Europa Continental está a tornar-se cada vez mais complexo, não devido à escassez de talento, mas porque as expectativas em relação à liderança sénior evoluíram profundamente. Hoje, as organizações procuram líderes capazes de atuar em mercados diversos, lidar com a complexidade e alinhar equipas em torno de uma visão comum”, afirma Marlene Ribeiro, Managing Partner Europe da Page Executive, em comunicado.
A responsável acrescenta que “a lacuna que observamos não está na ambição, mas no alinhamento”. E conclui: “Embora a remuneração continue a ser importante, são a cultura, a confiança e a qualidade da liderança que determinam onde os executivos escolhem permanecer e ter sucesso”.
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