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procura por engenheiros está a crescer a um ritmo que a formação não consegue acompanhar. A conclusão é do mais recente estudo do Manpower sobre tendências do mercado de trabalho na engenharia, que alerta para uma combinação de fatores que está a agravar a escassez de talento qualificado, nomeadamente o envelhecimento da força de trabalho, a aceleração tecnológica, a expansão das infraestruturas digitais e o aumento do investimento em setores estratégicos como energia, indústria, defesa e semicondutores.
Segundo o estudo, 73% dos empregadores enfrentam dificuldades em recrutar profissionais qualificados na área da engenharia. “A engenharia vive hoje um paradoxo sem precedentes: nunca houve tanto investimento em tecnologia, nem tanta necessidade de talento qualificado para a fazer avançar”, afirma Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup, em comunicado. É, segundo o responsável, “uma combinação de desafios composta pelo envelhecimento da força de trabalho, pela aceleração tecnológica e pela crescente complexidade dos projetos”.
Reformas agravam escassez de talento
O estudo destaca ainda o impacto crescente da saída dos profissionais mais experientes do mercado de trabalho. Nove em cada 10 empregadores afirmam que a reforma de trabalhadores seniores já está a afetar diretamente as suas estratégias de gestão de talento.
Grande parte destes profissionais encontra-se atualmente a menos de uma década da reforma, aumentando o risco de perda de conhecimento técnico acumulado ao longo de décadas. Ao mesmo tempo, o número de jovens que escolhem seguir carreiras na engenharia não está a acompanhar o ritmo de crescimento da procura.
A inteligência artificial (IA) surge como outro fator de transformação do setor. De acordo com o relatório, a tecnologia está a automatizar tarefas técnicas e administrativas, alterando o perfil das competências mais valorizadas pelos empregadores.
Três em cada quatro profissionais (76%) alertam para o risco de perda de competências devido a uma dependência excessiva destas ferramentas. Por outro lado, os empregadores reconhecem o potencial da IA para reforçar áreas como a gestão de projetos, a criatividade e o pensamento estratégico.
Globalmente, 29% dos empregadores da área da engenharia consideram que os trabalhadores não possuem atualmente as competências necessárias para utilizar a IA de forma eficaz. Em Portugal, essa percentagem situa-se nos 11%.
O Manpower defende que as organizações terão de rever as suas estratégias de atração e desenvolvimento de talento. Entre as soluções apontadas estão o reforço dos programas de formação e requalificação, o investimento em mentoria para acelerar a transferência de conhecimento entre gerações, a diversificação das bases de recrutamento e uma maior aposta na atração de perfis tradicionalmente sub-representados, como as mulheres.
Para o Manpower, o principal desafio da engenharia deixou de ser tecnológico. “Num contexto em que a procura por competências especializadas cresce mais rapidamente do que a capacidade de as formar, as organizações que conseguirem antecipar necessidades, desenvolver talento e acelerar a requalificação das suas equipas estarão mais bem posicionadas para liderar a próxima fase de crescimento económico e inovação.”
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