Por Marco Vilela Gomes, Executive Director for Corporate Business Developement da Nova SBE Executive Education
Desde 2020 aprendemos uma lição difícil: a estabilidade deixou de ser garantida. Neste contexto, liderar deixou de ser resolver problemas claros. Passou a ser gerir tensões permanentes.
As empresas precisam de estabilidade – até quando estão em crescimento – mas operam num ambiente de
mudança constante. Precisam de decisões rápidas, mas enfrentam maior complexidade. Investem em tecnologia para acelerar a produtividade, mas o verdadeiro diferencial continua a estar nas pessoas.
A questão já não é escolher entre uma coisa ou outra. A competência passou a ser saber liderar dentro dessa tensão.
Num contexto onde o conhecimento rapidamente se torna obsoleto, aprender deixou de ser um momento pontual na carreira. Tornou-se uma capacidade contínua, essencial para a competitividade das organizações e evolução profissional das pessoas.
Por isso, as empresas procuram experiências de aprendizagem com aplicabilidade real e impacto no curto prazo. Modelos flexíveis, como microcredenciações, permitem responder à rápida evolução das competências. Em paralelo, academias corporativas dedicadas a temas emergentes – como inteligência artificial – desenvolvem capacidades críticas.
Mas há outra mudança e mais uma tensão. Nunca foi tão fácil produzir e consumir conhecimento. Ferramentas de inteligência artificial geram análises e frameworks com enorme rapidez. O risco não é a falta de informação – é a ilusão de que saber equivale a estar preparado para agir.
Num mundo saturado de ideias, a vantagem competitiva já não está apenas em quem pensa melhor, mas em quem aprende mais rápido ao testar na prática. Alguns autores falam na evolução de thought leadership para thought doership: transformar ideias em ação e aprender com a experimentação.
“Num mundo de ambiguidade, a vantagem está em aprender mais rápido, testar na prática e agir com consistência.”
Esta transformação traz outra consequência. À medida que o acesso ao conhecimento se democratiza e as decisões aceleram, cresce a exigência sobre as pessoas. Surge assim outra tensão central: a procura por alta performance sustentada num contexto onde a saúde física e mental se tornou igualmente crítica.
Liderar em ambientes de pressão exige mais do que competências técnicas. Requer clareza mental, energia, capacidade de regeneração e consistência. Cada vez mais, organizações reconhecem que culturas saudáveis e líderes equilibrados são decisivos para sustentar desempenho.
É neste espaço de tensões que novas abordagens de aprendizagem emergem. Na formação de executivos da Nova SBE, temos vindo a trabalhar com empresas, combinando reflexão estratégica, experimentação prática e desenvolvimento humano em jornadas ajustadas aos desafios atuais.
Gerir tensões tornou-se inevitável. O que continua nas nossas mãos é como aprendemos com elas – e como transformamos essa aprendizagem em ação.
Artigo publicado na edição 163 da RHmagazine, referente aos meses de março e abril de 2026
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