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IA está a transformar o ciclo de vida dos colaboradores, da atração de talento à progressão de carreira, levando empresas como a EY a repensar modelos tradicionais de gestão de pessoas. A conclusão surge de uma análise partilhada por Ginnie Carlier, Chief Talent and Culture Officer da EY Americas, que aponta para uma mudança estrutural na forma como o desempenho e o potencial são avaliados.
“A IA está, sem dúvida, a mudar a forma como o trabalho é realizado”, afirmou a responsável, em entrevista ao Business Insider. “A pirâmide organizacional tradicional está a dar lugar a portfólios de carreira mais flexíveis, onde o impacto importa mais do que o cargo ou a antiguidade.”
Esta transformação estende-se também ao papel da liderança. “Os papéis dos gestores estão a evoluir rapidamente”, acrescenta. “São cada vez mais responsáveis por criar um ambiente psicologicamente seguro onde as pessoas possam experimentar, falhar e aprender com a IA; por orientar e desenvolver outros; e por liderar equipas compostas por humanos e agentes.”
Do percurso linear à carreira flexível
Durante décadas, os modelos de carreira assentaram numa progressão linear. No entanto, segundo Ginnie Carlier, a IA está a tornar os fluxos de trabalho mais dinâmicos e os papéis mais fluidos, uma vez que “as contribuições que mais importam cruzam cada vez mais competências, experiências e resultados, em vez de descrições de funções estáticas”.
Face a este cenário, a EY está a introduzir novos critérios de avaliação de desempenho e de potencial de promoção. Tradicionalmente, as promoções baseavam-se nas necessidades do negócio e na capacidade de um colaborador desempenhar funções de nível superior, indicou a responsável ao Business Insider. As mudanças em curso fazem parte da transição para uma organização mais orientada por competências.
“Já estamos a testar percursos de carreira mais flexíveis e individualizados, incluindo promoções ágeis e uma utilização alargada de avaliações de competências, para melhor alinhar as pessoas com as funções e refletir quando alguém está preparado para assumir maior responsabilidade ou impacto”, explica Ginnie Carlier.
Com a evolução tecnológica, também as competências valorizadas estão a mudar. Tarefas como análise repetitiva, pesquisa manual ou produção de apresentações perdem centralidade, dando lugar à interpretação de dados, ao julgamento crítico sobre outputs de IA e à capacidade de construir narrativas com impacto.
Recrutamento e diversidade em transformação
A IA está igualmente a alterar os critérios de entrada nas organizações. A EY passou a exigir que todos os candidatos em início de carreira realizem avaliações baseadas em competências, ajustando o modelo de recrutamento para identificar perfis capazes de evoluir com a tecnologia.
Entre as iniciativas em destaque está o programa 360 Careers, lançado no verão de 2024, que permite a rotação de profissionais em início de carreira por diferentes áreas do negócio, promovendo o desenvolvimento de competências diversificadas. O programa integra um investimento mais amplo de mil milhões de dólares em talento e tecnologia, que inclui aumentos salariais para perfis juniores, plataformas de auditoria e fiscalidade com IA, reforço do apoio a estudantes e benefícios de bem-estar.
Como resultado, a empresa está a alargar o universo de recrutamento. Há duas décadas, a EY era composta quase exclusivamente por profissionais de contabilidade. Atualmente, integra engenheiros, criativos e especialistas em tecnologia, incluindo candidatos sem formação superior, profissionais neurodiversos e perfis altamente especializados.
Numa publicação feita no LinkedIn, em janeiro, Ginnie Carlier sublinhou o alcance e a imprevisibilidade deste fenómeno: “O que sabemos é que a transformação da força de trabalho está a mudar a forma da nossa força de trabalho e as competências de que vamos precisar para ter sucesso. Por sua vez, precisamos de mudar completamente a experiência do colaborador – desde os processos e procedimentos de talento sobre como contratamos e desenvolvemos as nossas pessoas, até à forma como as alocamos ao trabalho e gerimos o seu desempenho e trajetória de carreira”.
Tendência no setor?
A EY não está sozinha nesta transformação. Também a Boston Consulting Group (BCG) está a integrar a IA como requisito básico no desempenho profissional. “Não há uma caixa nos nossos formulários que diga: ‘Está a usar IA?’ É uma expectativa”, afirmou Alicia Pittman, responsável global da área de pessoas da consultora, ao Business Insider.
Atualmente, cerca de 90% dos 33 mil colaboradores da BCG utilizam IA, sendo que aproximadamente metade o faz diariamente. Ainda assim, a avaliação mantém-se centrada na capacidade de interpretar os insights gerados e convertê-los em decisões para os clientes.
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