Autor: Rita Mendes, People Specialist e Learning & Development Manager na Present Technologies
Na era da rápida evolução tecnológica e mudança constante, as organizações que prosperam são aquelas que reconhecem a importância de promover uma cultura de aprendizagem contínua que proporciona o desenvolvimento das competências dos seus colaboradores alinhadas com o negócio, exigências da equipa e individuais.
Essa abordagem impulsiona não só o desenvolvimento profissional, mas também emerge como um fator crucial para aumentar o bem-estar dos colaboradores.
O investimento na aprendizagem torna-se um investimento direto na felicidade e satisfação das pessoas e como retorno as organizações crescem saudáveis e fortes.
Tudo isto pode parecer muito metafórico e cientificamente pouco fundamentado. No entanto, a investigação, em diferentes áreas da ciência, tem sustentado as práticas da gestão de recursos humanos de forma determinante.
A importância da ciência na gestão de pessoas é vital, pois além de nos orientar na tomada de decisões, enquanto profissionais, permite-nos ganhar a confiança da gestão de topo aquando a apresentação de novas propostas.
Todos sabemos que nem sempre é fácil convencer uma direção a financiar medidas focadas nas pessoas, pois o retorno do investimento (ROI) pode ser lento e financeiramente pouco atrativo a curto prazo.
Se pretendem implementar uma cultura de aprendizagem na vossa organização que ajude a promover o bem-estar das pessoas, seguem 3 argumentos científicos poderosos que podem apresentar para ganhar a confiança (buy-in) dos stakeholders.
Neuroplasticidade e Aprendizagem Contínua
Uma vez Albert Einstein disse: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original”. De facto, a neurociência ensina-nos que o cérebro é altamente maleável, capaz de se adaptar e criar novas conexões ao longo da vida. A aprendizagem contínua estimula a neuroplasticidade, permitindo que os colaboradores desenvolvam habilidades cognitivas e emocionais. Essa adaptação constante melhora, quer a capacidade de lidar com desafios, quer a resiliência emocional.
Estudos têm comprovado que ambientes que promovem a aprendizagem constante estimulam a libertação de neurotransmissores, como a dopamina e a serotonina, associados ao prazer e bem-estar. Portanto, uma cultura de aprendizagem ativa não só fortalece as habilidades profissionais, como também cria um ambiente interno propício à satisfação e à motivação.
Psicologia Positiva e Desenvolvimento Pessoal
A psicologia positiva de Martin Seligman destaca a importância do florescimento humano e do desenvolvimento pessoal, defendendo que os colaboradores ao terem a oportunidade de aprender e crescer dentro da organização experimentam um aumento significativo na satisfação e bem-estar no trabalho.
Esta aprendizagem e crescimento envolve habilidades relacionadas com o trabalho, mas também competências interpessoais, de liderança e inteligência emocional.
Uma cultura de aprendizagem que incorpora programas de desenvolvimento pessoal contribui para o crescimento profissional e nutre a autoestima e a autoeficácia dos colaboradores. A sensação de progresso pessoal está diretamente ligada ao bem-estar emocional, criando uma atmosfera positiva que se reflete na qualidade do trabalho e nas relações interpessoais.
Gestão de Recursos Humanos e Retenção de Talentos
Empresas que investem em programas de aprendizagem e desenvolvimento são mais propensas a atrair e reter talentos. As pessoas procuram cada vez mais empresas que têm planos de desenvolvimento de carreiras ou que permitem a mobilidade de carreira.
A possibilidade de evoluir ou mudar é cada vez mais um factor decisivo para permanecer numa empresa. O enfoque no desenvolvimento aumenta o engagement, promove um vínculo emocional com a organização, o que se traduz numa vantagem competitiva em relação às outras empresas na medida em que dispõe de equipas sólidas, produtivas e funcionais.
Em termos financeiros, podemos ver os custos com recrutamento e formação inicial decaírem, diminuir o absentismo, e por aí fora.
A rotatividade de funcionários, muitas vezes associada à falta de oportunidades de aprendizagem, pode ser drasticamente reduzida quando as empresas se comprometem a criar um ambiente que valoriza a aprendizagem contínua.
Em 2022, num estudo levado a cabo pela SHRM junto de cerca de 1000 trabalhadores norte-americanos, 76% referiu que é mais provável permanecerem numa empresa que ofereça formação contínua.
Colaboradores que percecionam que a empresa apoia o seu desenvolvimento pessoal e profissional têm maior propensão a manterem-se na organização, promovendo uma cultura de estabilidade e confiança.
Uma cultura de aprendizagem não é apenas um luxo, mas uma necessidade indispensável para as organizações que querem ser saudáveis, produtivas e competitivas.
Ao compreender as bases científicas que sustentam as propostas dos departamentos de recursos humanos, as empresas podem moldar um ambiente que não apenas sobrevive, mas prospera na era da mudança constante. Investir na aprendizagem é investir no capital humano, um caminho seguro para o bem-estar e felicidade organizacional. É criar um propósito comum.