Autor: Rita Maria Nunes, Country Manager da TAB Portugal
Os empresários são constantemente bombardeados com conselhos e sugestões sobre o que devem e não devem fazer para construir uma empresa de sucesso. Ouvem especialistas do setor, como eu, falar sobre a importância de questões empresariais fundamentais como a produtividade, a visão e todo o tipo de abordagens operacionais e estratégicas.
Claro que estas são áreas cruciais a dominar quando se está a desenvolver uma empresa. Mas atrevo-me a dizer que, numa escala de importância, todos estes tópicos são insignificantes quando comparados com algo muito mais óbvio e, no entanto, muitas vezes inatingível – construir e fomentar relações.
Não existe nenhum guia prático ou infográfico que determine o processo de criação de uma ligação com as pessoas que rodeiam os líderes nas empresas. Embora o setor esteja quase inteiramente concentrado em aperfeiçoar os processos para obter o mínimo de envolvimento, aprendi algo com um colega meu há muito tempo. Quando se trata de relações, nunca devemos tentar ser eficientes.
Façamos o exercício de pensar em todas as pessoas que temos na nossa vida e nas relações que mantemos com elas. Especificamente, quero que façamos uma reflexão sobre as boas relações que valorizamos verdadeiramente. Essas relações são por vezes complicadas? Sim, claro que sim. São dinâmicas? Espero que sim! São baseadas numa conversa eficiente e num envolvimento modulado? Nem pensar.
Como é que se interage com a equipa?
Para que os funcionários tenham o melhor desempenho possível e prosperem na empresa, precisam de se sentir vistos, não só pelo líder, como também pelos outros membros da equipa de liderança. Precisam de saber que as suas vozes estão a ser ouvidas e reconhecidas. E precisam de acreditar que o gestor da empresa se preocupa verdadeiramente com o seu bem-estar e tem em mente os seus melhores interesses. É fundamental que todos os elementos da equipa se sintam valorizados e que as suas contribuições sejam apreciadas pelos líderes e por toda a empresa.
E nada disto, garanto que absolutamente nada, é conseguido através da eficiência.
Pensemos agora em todas as interações em que participamos ao longo do dia como empresários. Se eu fosse uma mulher de apostas, apostaria que a forma como os empresários interagem com as rececionistas é muito diferente do envolvimento que têm com a principal equipa de liderança. Em muitos aspetos, é natural ter uma relação mais dinâmica com as pessoas do seu círculo íntimo. Mas o problema é o seguinte: a rececionista – ou o engenheiro informático ou o vendedor – têm provavelmente os seus melhores interesses em mente, tanto quanto a sua equipa de gestão.
Provavelmente, são também tão importantes para o sucesso do empresário como qualquer outra pessoa na empresa. E, muitas vezes, têm opiniões, ideias e inovações maravilhosas, se apenas for dedicado algum tempo a estabelecer uma ligação ou uma relação significativa.
A eficiência impede o envolvimento
Quando nós, como líderes empresariais, somos eficientes na forma como interagimos com os membros da nossa equipa, é mais do que provável que não estejamos a criar um ambiente em que realmente conhecemos os nossos funcionários como pessoas e não apenas como colaboradores.
E se quisermos falar de eficiência, os colaboradores que não estão empenhados, que são subvalorizados e que não têm ligações, são quantitativamente menos produtivos do que aqueles que se sentem valorizados e cujas vozes são consideradas.
Criar uma ligação com a equipa
Construir relações significativas nas empresas não tem de ser um desafio. Na maior parte dos casos, qualquer esforço para cultivar essas ligações é tempo bem gasto.
Fiz questão de cultivar as relações que tenho em toda a minha organização. Reservo tempo para conversas ou chamadas regulares com toda a nossa equipa – desde a pessoa que atende os telefones até à equipa de contabilidade que trabalha os números, assim como todos os outros. E não falo de negócios com eles! Em vez disso, falamos sobre os seus interesses, paixões ou qualquer outra coisa que esteja a acontecer nas suas vidas, caso seja apropriado.
Não se trata de mensagens de texto. Não são emails. São oportunidades substanciais de criar ligação que ultrapassam a formalidade e o processo empresarial. E estas ligações maravilhosas, pessoais, talvez não lineares, resultam numa equipa mais empenhada, mais envolvida e, em última análise, mais produtiva.
Ninguém quer sentir-se como se fosse só mais um, por isso é importante demonstrar a toda a equipa o quanto a valoriza, comunicando a um nível individual e significativo.