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população estrangeira residente em Portugal atingiu, em 2024, valores historicamente elevados e assumiu um papel fulcral no funcionamento do mercado de trabalho nacional, de acordo com os dados mais recentes da AIMA.
Segundo o relatório, residem atualmente no país 1.544.168 cidadãos estrangeiros. Em muitos territórios, sobretudo fora dos grandes centros urbanos, a presença de trabalhadores migrantes passou a ser essencial para evitar ruturas produtivas.

Lisboa, Setúbal, Faro e Porto continuam a concentrar os maiores volumes absolutos de população estrangeira. Ainda assim, a principal transformação registada em 2024 prende-se com a expansão da imigração para municípios rurais, agrícolas e de baixa densidade populacional.
Distritos como Beja, Santarém, Leiria, Braga, Aveiro e Coimbra registam hoje milhares de trabalhadores estrangeiros integrados em atividades produtivas essenciais, enquanto concelhos do interior centro e norte absorvem mão-de-obra migrante nos cuidados a idosos, na agroindústria, na pequena indústria e nos serviços de proximidade.
Onde é que a economia depende quase totalmente de migrantes?
Em Odemira, a população estrangeira representa 68,7% dos residentes, um reflexo direto da centralidade da agricultura intensiva e da agroexportação, setores dependentes de mão-de-obra migrante. Em Albufeira, mais de 55% da população é estrangeira, sustentando um modelo económico ancorado no turismo, hotelaria, restauração, construção e serviços associados.
Outros concelhos com forte impacto laboral da imigração incluem:
- Vila do Bispo (51,1%)
- Aljezur (49,2%)
- Lagos (46,1%)
- Loulé (39%)
- Tavira (37,7%)
- Portimão (35,3%)
- Lisboa (35,2%)
Setores críticos
A análise da AIMA confirma que a imigração é hoje estrutural para vários setores-chave do emprego em Portugal, destacando-se:
- Agricultura intensiva e agroindústria, sobretudo no Alentejo;
- Turismo, hotelaria e restauração, com forte expressão no Algarve;
- Indústria transformadora e logística, nas áreas metropolitanas e corredores industriais;
- Setor dos cuidados, em territórios envelhecidos e de baixa densidade.
Precariedade laboral
Apesar do contributo decisivo para o emprego, o relatório alerta para a precarização do trabalho migrante, sobretudo em territórios rurais e periféricos. A dependência de mão-de-obra estrangeira ocorre frequentemente em mercados de trabalho marcados por informalidade contratual, baixos salários, elevada sazonalidade e fraca fiscalização das condições de trabalho.
A escassez de inspeções regulares e a dependência de intermediários aumentam a vulnerabilidade dos trabalhadores migrantes a situações de exploração laboral e alojamento indigno, com impactos diretos na integração social e na dignidade do trabalho.
Imigração como resposta ao envelhecimento da força de trabalho
Num país com uma das populações mais envelhecidas da União Europeia, a imigração tem sido determinante para atenuar a redução da população ativa, sobretudo no interior. Em muitos municípios, a chegada de trabalhadores estrangeiros permitiu manter empresas em funcionamento, evitar o encerramento de serviços e garantir a continuidade de atividades económicas que, de outra forma, estariam em risco.
Sem este contributo, o relatório sublinha que vastas regiões enfrentariam um colapso funcional do mercado de trabalho local, com impactos diretos na viabilidade financeira dos serviços públicos e na coesão territorial. Ainda assim, a as políticas públicas continuam desenhadas para uma realidade urbana e metropolitana. Muitos municípios não dispõem de meios financeiros, técnicos ou administrativos para responder aos desafios associados ao crescimento rápido da população ativa migrante.
A AIMA identifica três riscos principais com impacto direto no emprego:
- Sobrecarga dos serviços públicos locais;
- Precarização estrutural do trabalho migrante;
- Tensões sociais associadas à concentração territorial da pobreza laboral.
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