Portugal ocupa a sexta posição no ranking dos países europeus com maior taxa de crescimento de projetos IDE, segundo dados da EY, uma empresa de serviços profissionais multidisciplinares. Em 2023, o país atraiu 248 projetos, alcançando um valor recorde. Os países que mais investem em Portugal são Alemanha, EUA, França, Reino Unido e Espanha. A mão de obra qualificada continua a ser um dos principais fatores de atratividade.
Cerca de 29% dos investidores inquiridos pela EY valorizam o talento em Portugal, ao comparar este fator com o de outros países da Europa. Isto, porque o país ultrapassa a média europeia, no que toca à disponibilidade e à qualidade do talento no mercado de trabalho.
Outros fatores que tornam Portugal num dos países mais atrativos da Europa para investir são, segundo a EY, a qualidade das instituições, a logística global simplificada, a maior disponibilidade de internet e eletricidade verde e a melhoria da formação académica e profissional da força de trabalho.
No caso da qualidade das instituições, são evidenciados os seus ambientes social, político, jurídico, fiscal e financeiro, que são seguros e estáveis. No que toca à logística simplificada, as vantagens são o facilitado acesso ao mar e a outros países da Europa. Quanto à formação académica, os resultados anuais falam por si, principalmente nas áreas STEM, ciências médicas, administração de empresas e línguas estrangeiras.
O Jornal Eco evidenciou como fatores que tornam Portugal num país atrativo para as empresas a atitude aberta e positiva, a competitividade dos custos, a infraestrutura confiável, a mão-de-obra qualificada e a estabilidade e previsibilidade política.
Portugal e a média europeia
Segundo a EY, em termos de PIB, Portugal foi o terceiro país que mais cresceu na UE (União Europeia), no que toca aos projetos IDE, registando 6,7%. O EY Attractiveness Survey Portugal avaliou a atratividade do país, enquanto destino IDE. O objetivo é compreendê-la, a partir da perspetiva dos investidores estrangeiros. Ao analisar a atratividade, a EY tem em consideração a imagem, a confiança do investidor e a perceção da capacidade de um país ou região para oferecer os benefícios mais competitivos para o IDE.
Em 2023, segundo os resultados da pesquisa da EY, o IDE em Portugal foi, essencialmente, no setor do software e dos serviços de TI. Foram 99 os projetos nesta área e, de entre eles, 76 provieram de empresas que se estrearam no país. Estes números reiteram a atratividade de Portugal para a economia digital. 59% dos investidores prevêem melhorias na atratividade do país nos próximos três anos.
Os países que mais investem em Portugal
A Alemanha ultrapassou os EUA no IDE em Portugal, com 36 projetos. É, atualmente, o principal país investidor. Estes investimentos, bem como os dos EUA e de França, foram principalmente nas áreas de software e serviços TI. Em conjunto, os três países integraram neste setor 39 projetos, o que os leva a representar 39,4% do total de projetos na área.
Segundo a EY, os seis países que mais investem em Portugal mantiveram-se os mesmos. Contudo, investimentos provenientes de outras origens também começam a surgir. São disto exemplo os Países Baixos, que passaram de quatro projetos para 14. Também a Dinamarca aumentou o seu investimento, de dois projetos para oito.
Com o aumento do IDE, Portugal tem reforçado a sua posição na Europa, no que a este tópico diz respeito. Segundo a EY, entre 2018 e 2022, Portugal passou de representar 1,2% do total de projetos IDE na Europa, para passar a representar 4,2%. Também os postos de trabalho no país aumentaram, correspondendo a 6,4% do total da Europa. Estes valores demonstram que o mercado português tem vindo a atrair projetos de maior dimensão. Os cálculos, segundo a EY, são realizados a partir do número de trabalhadores de cada empresa.
Fatores a melhorar em Portugal
Apesar dos resultados positivos, nem todos os fatores são considerados atrativos para as empresas em Portugal. Os objetivos climáticos para 2030 continuam a ser uma meta na sustentabilidade. O país tem demonstrado o seu empenho na luta contra as alterações climáticas. Medidas como a transição energética têm sido aceleradamente implementadas, o que traduz o foco de Portugal em apresentar vantagens competitivas.
Ainda assim, o EY Attractiveness Survey Portugal demonstrou que o país tem melhorias a fazer, nomeadamente quanto à sensibilização para a inovação. Por outro lado, a proteção de dados e a disponibilidade de mão de obra com competências tecnológicas estão alinhados com os dados de outros países da Europa. Nesta área da inovação, Portugal lidera quanto à educação, aos instrumentos financeiros e às políticas fiscais.
Os investidores inquiridos na pesquisa da EY sugeriram melhorias ao nível da competitividade associada às indústrias menos qualificadas, do desenvolvimento dos fatores que potenciam o crescimento e a produtividade, da regulamentação e políticas ambientais e do apoio às PME. O Jornal Eco evidenciou como fatores menos positivos associados ao país a competência da governação, o regime fiscal competitivo, o ambiente legal e eficaz e o dinamismo da economia.
As intenções dos investidores
O EY Attractiveness Survey Portugal concluiu que 73% dos investidores inquiridos desejam investir em Portugal. O país tem vindo a aumentar a sua atratividade e resiliência, bem como a capacidade de realizar investimentos estrangeiros e inovadores. Portugal é um país seguro neste aspeto e líder em inovação e sustentabilidade ambiental.
De entre os investidores que tencionam dirigir-se a Portugal nos próximos três anos, 52% são da área de vendas e marketing, sendo que apenas 8% pretende diminuir a presença. A I&D é o segundo setor que mais procura tem no IDE em Portugal. Já os serviços às empresas ocupam a terceira posição, com 44% dos investidores focados nesta área.
De forma a concretizar a análise com sucesso, o EY Attractiveness Survey Portugal inquiriu 202 investidores, dos quais 62% estão em Portugal. 67% provêm da Europa Ocidental, 19% da América do Norte, 5% da Europa do Norte, 4,5% da Ásia, 4% do Brasil e 0,5% da Europa do Leste.