ASSINAR NEWSLETTER
Quarta-feira, Setembro 16, 2026
  • Login
RHmagazine
  • RHmagazineLEIA AQUI GRATUITAMENTE!
    • Ler a RHmagazine Digital GRATUITAMENTE
    • Saiba mais sobre a RHmagazine
    • Arquivo de edições da RHmagazine
    • Assinar a RHmagazine (papel)
  • ATUALIDADE
    • MERCADORH
      • NOTÍCIAS DO MERCADORH
      • PESSOASRH
      • PASSAPORTE
      • CRÓNICAS & OPINIÃO
      • MERCADO DOS BENEFÍCIOS by Edenred
    • ESTRATÉGIA
      • RECRUTAMENTO & ONBOARDING
      • APRENDIZAGEM, FORMAÇÃO E COACHING
      • SAÚDE E BEM ESTAR
      • COMPENSAÇÃO & REMUNERAÇÃO
      • SOFTWARES RH
      • DIREITO DO TRABALHO
      • TENDÊNCIAS RH
      • GESTÃO DA CARREIRA RH
      • ARTIGOS TÉCNICOS
  • EVENTOSRH
    • EVENTOS ONLINE WEBINARS
    • EVENTOS PRESENCIAIS
  • BIBLIOTECARH
    • GUIAS | EBOOKS | ESTUDOS
    • PODCASTS
  • FORNECEDORESRH
  • FormaçãoRH
  • Sobre nós
No Result
View All Result
RHmagazine
No Result
View All Result

Português imigrado em França: uma identidade em construção – por Nuno Guimarães Costa (ICN Business School)

IIRH Por IIRH
18 de Novembro, 2020
em TENDÊNCIAS RH
0
17
Partilhas
188
Visualizações

Ser professor universitário num país como a França, onde os portugueses são vistos como pedreiros ou empregadas de limpeza, levanta alguns desafios de integração. Mas o maior é enfrentado no espaço privado da própria identidade: serei um emigrante em França ou um académico cidadão do mundo?

Numa conferência em Israel em 2009, o sábio hindu Ravi Shankar referia-se à identidade como fator ambivalente, capaz tanto de aproximar como de afastar. Nunca se é estrangeiro numa comunidade fundada na sua identidade humana. No entanto, sempre fui considerado mais ou menos estrangeiro na pequena aldeia alentejana perto de Avis, onde tenho uma casa de campo. Eu era de Lisboa, o mesmo que dizer «sem terra», sem sotaque, sem raízes. Diluído numa identidade demasiado grande para que seja possível nela vermos refletida uma fração de nós.

E é fácil sentirmos esta dispersão enquanto nos balançamos entre supostos opostos. Sentimo-nos cidadãos de um mundo concentrado em centros nevrálgicos: Paris, Londres, Nova Iorque, São Paulo, Tóquio, Xangai… e acrescentamos Lisboa porque nos pensamos a partilhar os mesmos gostos, as mesmas músicas, os mesmos filmes, os mesmos autores. Convencemo-nos, pois, da nossa identidade urbana e projetamo-nos a viver em qualquer uma dessas cidades: uma mansarda em Paris, um estúdio em Park Avenue ou um apartamento no Bund.

Foi com essa disposição de cidadão do mundo habituado a viajar que recebi o convite para uma grande école francesa, o ICN − Business School. Pouco ou nada sabia do sistema universitário francês. Em contrapartida, considerava-me relativamente bem posicionado no que se referia à sua cultura. Desde muito cedo que me habituara a apreciar cinema francês. Tinha lido avidamente Sartre, Camus, Beauvoir, Yourcenar, Duras. Admirava Pissarro, Renoir, Monet, Camille Claudel. O apreço francês pela cultura, o gosto pela discussão, tudo contribuía para me predispor a aceitar o convite.

Enquanto académico com trabalho publicado na área dos expatriados e nos seus esforços de ajustamento, sabia que, por maior identificação que sentisse, por mais semelhante que me parecesse, até Badajoz pode ser uma experiência difícil. Nem sempre por nossa culpa, por vezes contra os nossos maiores esforços, quando os outros têm a sua identidade radicada em histórias particulares mais vincadamente virá à superfície a diferença, a separação entre os de cá e os estrangeiros. Sabia também que Nancy não seria certamente Paris. Por isso procurei obter informações sobre a cidade. Rapidamente fiquei a saber que era uma cidade com património classificado pela UNESCO, de média dimensão mas com uma interessante atividade cultural. Decidi então percorrer as ruas através do Google Maps e encontrei uma cidade em tons pastel, casas antigas, aparentemente bem cuidada e limpa. Precisava de encontrar argumentos que me assegurassem que a minha integração, e sobretudo a da minha família, não seria dificultada também por uma alteração substancial no estilo de vida a que estávamos habituados. Mais importante do que a minha satisfação com a nova posição profissional seria a facilidade da minha mulher em prosseguir uma carreira profissional e a capacidade da minha filha de cinco anos (na altura) de aprender uma língua completamente nova e de se integrar num ambiente radicalmente diferente do que estava habituada.

Toda a pesquisa, todas as opiniões, todas as expectativas criadas ao longo dos quatro meses que mediaram o convite e a nossa chegada definitiva a Nancy foram substituídas pelas sensações recolhidas nos primeiros dias da nossa estada, não muito animadoras. Era grande o contraste entre a cidade limpa e organizada que tinha imaginado e a confusão que encontrei. Tentei justificar as diferenças pelo facto de ser uma tarde de domingo, por estar a chover e por estarmos num aparthotel numa zona diferente da cidade (a chave da nossa casa ser-nos-ia entregue no dia seguinte). Não me deixar dominar pelo pânico foi a melhor opção. De facto, rapidamente chegámos à conclusão de que aquela parte de Nancy não era a mais agradável, que a nossa nova casa – um apartamento totalmente remodelado num palacete do século XVII mesmo no centro da Ville Vieille – tinha sido uma excelente escolha, que estar a 7 minutos a pé do ICN era excelente…

E o primeiro ano em Nancy já passou! A novidade das cores vivas do outono, do Saint Nicolas, das primeiras neves, do frio intenso de 15°C negativos, de sentir calor quando chegamos aos 10°C… tudo isso já faz parte de uma prática comum. Sinto-me particularmente bem integrado profissionalmente: lentamente venho a construir uma rede de relações que me permitem suportar a ausência dos amigos e substituir os hábitos lisboetas por outros necessariamente diferentes; a distância ao poder, as diferenças hierárquicas, talvez por estarmos no meio académico, são bastante reduzidas; a minha participação nas atividades da escola tem sido crescente, sentindo-me como parte ativa da transformação estratégica que está a ser desenvolvida. Contra todas as expectativas e a ideia geral, o facto de pouco falar francês não tem sido um problema, antes é encarado como uma oportunidade para mostrar a diversidade do ICN.

A integração familiar dificilmente poderia ter corrido melhor: a minha filha passou a falar fluentemente francês em quatro meses e a minha mulher decidiu enveredar por uma carreira académica, sonho que acalentava há muito. Essa integração é facilitada pelo diluir das distâncias: um recém-chegado não sente a mesma saudade da pátria. Estou a 150 euros e cinco horas de viagem desde o centro de Nancy até Lisboa. Através do eixo Skype – Facebook o espaço ganha outra dimensão e o local onde nos encontramos perde esse significado de afastamento e solidão. A era digital permite uma fluidez que reequaciona as fronteiras entre diferentes espaços: leio o Público e o Expresso no meu telemóvel mas também o Le Monde e o Nouvel Observateur, vejo a SIC Notícias e o ARTE por cabo, oiço a TSF ou a Rádio Radar tal como as francesas FIP ou France Info… Em Nancy estou mais próximo de Lisboa do que em Avis, onde não tenho Internet e a rede de telemóvel nem sempre é fiável.

Contudo, há algo que persiste, que por vezes nos isola, mesmo quando nos vemos como cidadãos do mundo. E se a princípio tal é justificado apenas pela maior ou menor diferença nos hábitos, no clima, na língua, se investigarmos mais profundamente acabamos por julgar (re)descobrir uma identidade que nos parecia perdida: afinal falamos com sotaque, pertencemos a algo diferente e desconhecido, temos terra e raízes, as que julgávamos perdidas no nosso tempo de Lisboa. Mas que identidade é esta? Não obstante a integração profissional e social, uma questão com novos contornos emerge desta situação de estrangeiro: serei emigrante português em França? Serei autoexpatriado em França? Cidadão europeu? Académico cidadão do mundo?

E esta questão é tanto mais complicada quanto a identidade é, de facto, uma ideia partilhada entre quem «é» e quem «vê» que nunca controlamos totalmente. E ser português em França é partilhar de uma herança de décadas de emigração forçada por falta de meios e pobreza, que levava os mais fortes dos mais desprotegidos a «tentarem a sorte». A estreia do filme A Gaiola Dourada veio apenas relembrar esses estereótipos: o pedreiro, a mulher a dias ou porteira, o esforço conjugado com a facilidade de integração, a modéstia e a simplicidade, a vergonha das raízes. Como emigrante português em França, também eu sou um pouco tudo isto, são essas as minhas raízes e Portugal transforma-se na minha terra.

Mas na verdade fui convidado para lecionar em França, sou um académico que se dedica à investigação na área das ciências sociais, vim por opção para França tal como poderia ter ido para Inglaterra, para a China ou mesmo permanecido em Portugal. Ainda hoje, leciono em Nancy, em Paris e em Lisboa, como já o fiz em Luanda e em Xangai. Partilho dos ideais europeus e vejo-me como um cidadão do mundo. Nesta perspetiva, regresso à minha condição de lisboeta em Avis, órfão de terra e sem raízes.

Desta ambivalência resulta algo que se resume naquilo que efetivamente sou. Voltando à ideia do sábio indiano Ravi Shankar, escolho uma identidade que aproxima. Em França, em Nancy, no ICN, tomo consciência de que sou cidadão do mundo porque, agora que posso ver à distância, me sei, na diferença, português

Mais sobre Françaidentidadeimigração
Notícia anterior

A música como fator inspirador da mudança e motivação – por Sofia Monteiro (coach e formadora da Rit’Mundo)

Notícia seguinte

Business Intelligence e os seus desafios – por António Luís

Recomendamos

Mercado de escritórios em risco com a IA? Lisboa prova que não é bem assim

Na China, a IA já permite fazer mais com menos pessoas. Os tribunais começam agora a definir os limites

14 de Setembro, 2026
Quatro desafios, quatro webinars. Da saúde à transparência salarial, WTW debate o que está a mudar nas empresas

Quatro desafios, quatro webinars. Da saúde à transparência salarial, WTW debate o que está a mudar nas empresas

14 de Setembro, 2026
“A transparência salarial vai muito além de uma alteração legislativa”: o que esteve em debate no encontro do Grupo Egor

“A transparência salarial vai muito além de uma alteração legislativa”: o que esteve em debate no encontro do Grupo Egor

14 de Setembro, 2026
Marque na agenda: Clan e Câmara Municipal de Santarém juntam empresas e talento no 1.º The Talent Event

Marque na agenda: Clan e Câmara Municipal de Santarém juntam empresas e talento no 1.º The Talent Event

11 de Setembro, 2026
EU DECIDO 2026 junta diferentes gerações para discutir liderança, mudança e IA

EU DECIDO 2026 junta diferentes gerações para discutir liderança, mudança e IA

11 de Setembro, 2026
Edenred pergunta aos portugueses: onde é que vale mesmo a pena almoçar?

Edenred pergunta aos portugueses: onde é que vale mesmo a pena almoçar?

8 de Setembro, 2026
VEJA MAIS
Notícia seguinte
Business Intelligence e os seus desafios – por António Luís

Business Intelligence e os seus desafios - por António Luís

  • MAIS POPULARES
  • ÚLTIMAS
Coverflex prevê subida nos custos dos seguros de saúde das empresas em Portugal

Aumentos salariais de 3,2% em 2027? Sim, mas não para todos. Passamos a explicar

7 de Setembro, 2026
Coverflex prevê subida nos custos dos seguros de saúde das empresas em Portugal

Novo corte do IRS chega aos salários em novembro. Fizemos as contas e há um “mas” que os RH (e trabalhadores) devem saber

16 de Setembro, 2026
RH Talk – O Paradoxo de 2026: mais tecnologia, menos energia humana?

RH Talk – O Paradoxo de 2026: mais tecnologia, menos energia humana?

25 de Junho, 2026
Coverflex prevê subida nos custos dos seguros de saúde das empresas em Portugal

Novo corte do IRS chega aos salários em novembro. Fizemos as contas e há um “mas” que os RH (e trabalhadores) devem saber

16 de Setembro, 2026
Regresso às aulas. Tem filhos? Este direito que “quase ninguém usa” pode ajudá-lo a conciliar trabalho e escola

Regresso às aulas. Tem filhos? Este direito que “quase ninguém usa” pode ajudá-lo a conciliar trabalho e escola

15 de Setembro, 2026
Trabalhadores estrangeiros em Portugal: o panorama legal atual

Do “no-poach” aos salários: a Concorrência está cada vez mais de olhos postos nos recursos humanos

15 de Setembro, 2026

Agenda de Eventos

Set 19
9:00 - 19:00

EU DECIDO 2026

Set 30
9:00 - 12:30

Employer Branding by iiRH 2026

Out 1
10:00 - 11:00

Human Risk Insights Talks

Out 20
8:30 - 18:00

Global Talent Day 2026

Nov 3
Novembro 3 @ 8:00 - Novembro 5 @ 17:00

Conferência: Labour Law Day

Ver calendário
TODOS OS EPISÓDIOS AQUI

Passaporte

LeYa inicia novo capítulo com Sofia Correia de Barros como CEO

LeYa inicia novo capítulo com Sofia Correia de Barros como CEO

7 de Setembro, 2026
Carla Sousa é a nova Business Director da Unidade de Serviços da Talenter

Carla Sousa é a nova Business Director da Unidade de Serviços da Talenter

4 de Setembro, 2026
Manuel Flahault é o novo rosto da liderança da Air France-KLM na Península Ibérica

Manuel Flahault é o novo rosto da liderança da Air France-KLM na Península Ibérica

1 de Setembro, 2026

Newsletter Semanal

  • 15.2k Fans
  • 3k Followers
  • 1.4k Subscribers

RHmagazine | Leia gratuitamente

Vídeos | Eventos by iiRH

https://www.youtube.com/watch?v=gaMUX4V0g_k
https://www.youtube.com/watch?v=2vJi28grd30&t=16s

assinatura da newsletter

O IIRH-Instituto de Informação em Recursos Humanos é o mais importante ponto de encontro do setor da Gestão de Pessoas de Portugal e é detentor da marca RHmagazine. No IIRH proporcionamos interações relevantes aos profissionais de Recursos Humanos, a empresas fornecedoras do setor e a estudiosos da área. Somos inovadores e influentes, criamos conhecimento através dos nossos Estudos e Publicações (RHmagazine, Guias práticos e eBooks) e proporcionamos experiências diferenciadoras de networking nos nossos eventos físicos (Fórum RH, Global Talent Day e Prémios RH) e digitais (webinares). 

Compartilhamos informações transformadoras para as empresas. Facilitamos o networking , criamos oportunidades!  

Somos 100% RH há 28 anos!

Acompanhe-nos nas Redes Socias

Twitter Facebook-f Youtube Instagram Linkedin

© 2020 IIRH. All rights reserved.

Made with ❤ by JCG

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

No Result
View All Result
  • RHmagazine
    • Ler a RHmagazine Digital GRATUITAMENTE
    • Saiba mais sobre a RHmagazine
    • Arquivo de edições da RHmagazine
    • Assinar a RHmagazine (papel)
  • ATUALIDADE
    • MERCADORH
      • NOTÍCIAS DO MERCADORH
      • PESSOASRH
      • PASSAPORTE
      • CRÓNICAS & OPINIÃO
      • MERCADO DOS BENEFÍCIOS by Edenred
    • ESTRATÉGIA
      • RECRUTAMENTO & ONBOARDING
      • APRENDIZAGEM, FORMAÇÃO E COACHING
      • SAÚDE E BEM ESTAR
      • COMPENSAÇÃO & REMUNERAÇÃO
      • SOFTWARES RH
      • DIREITO DO TRABALHO
      • TENDÊNCIAS RH
      • GESTÃO DA CARREIRA RH
      • ARTIGOS TÉCNICOS
  • EVENTOSRH
    • EVENTOS ONLINE WEBINARS
    • EVENTOS PRESENCIAIS
  • BIBLIOTECARH
    • GUIAS | EBOOKS | ESTUDOS
    • PODCASTS
  • FORNECEDORESRH
  • FormaçãoRH
  • Sobre nós

© 2020 IIRH - All rights reserved. (function(e,t,o,n,p,r,i){e.visitorGlobalObjectAlias=n;e[e.visitorGlobalObjectAlias]=e[e.visitorGlobalObjectAlias]||function(){(e[e.visitorGlobalObjectAlias].q=e[e.visitorGlobalObjectAlias].q||[]).push(arguments)};e[e.visitorGlobalObjectAlias].l=(new Date).getTime();r=t.createElement("script");r.src=o;r.async=true;i=t.getElementsByTagName("script")[0];i.parentNode.insertBefore(r,i)})(window,document,"https://diffuser-cdn.app-us1.com/diffuser/diffuser.js","vgo"); vgo('setAccount', '610690736'); vgo('setTrackByDefault', true); vgo('process');