Flexibilidade, criatividade e inovação são os novos alicerces em que todas as organizações deveriam apostar. Há milhares de anos que a música faz parte da história da humanidade.
Hoje em dia os gestores têm um dos maiores desafios dos últimos tempos: fazer mais com menos, obtendo melhores resultados com recursos cada vez mais limitados. Alcançar o melhor resultado do capital humano é, sem dúvida, um dos grandes objetivos das organizações, mas, numa realidade complexa como a que vivemos, como potenciar novos e melhores resultados sem esgotar os recursos humanos em demandas que disparam os níveis de ansiedade e stresse? Apostando no bem-estar e motivação dos seus colaboradores.
Mas onde encontrar força e determinação para motivar equipas a superarem-se? É preciso inspiração! É preciso encontrar novas linhas de pensamento. É urgente encontrar novas soluções, mais criativas, intuitivas e colaborativas, capazes de apoiar o indivíduo na sua procura para a resiliência e autodeterminação, qualidades tão necessárias para fazer frente aos desafios atuais.
Um dos grandes desafios dos líderes é encontrar novas estratégias que fomentem melhores relações interpessoais e mais humanas, honestas e valorizadoras, que catalisem um espírito de cooperação e otimismo. Só assim as organizações podem crescer de uma forma sustentada e não apenas focada no lucro rápido.
Atualmente, vive-se um período de transição e mudança e um novo paradigma está a emergir. O antigo sistema de crenças assente na «velha» forma de pensar e agir, baseado no pensamento cartesiano, linear e previsível, está a cair. Num cenário socioeconómico tão frágil, é fácil perceber que não se consegue encontrar novas respostas atuando da mesma forma. O panorama atual de incerteza e complexidade gera níveis de stresse e ansiedade jamais vistos e é assustador verificar que as pessoas se sentem cada vez mais esvaziadas, desmotivadas e sem entusiasmo.
Numa nova realidade organizacional, os indicadores de sucesso de uma organização estão cada vez mais assentes nos índices de bem-estar e felicidade dos seus colaboradores, sendo notória a importância de competências mais emocionais como empatia, autenticidade e intuição. É, então, fundamental numa organização desenvolver a valorização do indivíduo e promover a aprendizagem que é feita de dentro para fora, onde o saber é mais emocional e menos orientado para o lucro imediato, procurando soluções mais equilibradas a pensar nas pessoas e no crescimento sustentável da sociedade. Para tal, é necessário a partilha do saber e abraçar novas valências que convidam a sair fora do pensamento racional e a traçar novas estratégias que envolvem corpo, mente e espírito de uma forma dinâmica, energizante e altamente motivadora.
Desde tempos remotos que a música era um veículo privilegiado de comunicação, de partilha, uma ferramenta interveniente na resolução de conflitos, indispensável na escolha de estratégias e de tomadas de decisão fundamentais para o bem-estar das comunidades. A música era então vista como instrumento expressivo de alegria, celebração, comunhão, mobilização e cooperação. Utilizada por todos e para todos, transversal a todas as idades, crenças e culturas.
Ainda hoje, essa transversalidade permeia a nossa existência e a música mantém-se como uma linguagem universal.
São várias as formas de expressão musical e várias as sensações que a música nos transmite, tendo em comum o indiscutível impacto benéfico no organismo. A música altera o estado de espírito e o corpo responde à vibração do som, despertando emoções que influenciam a nossa forma de pensar, de agir, de nos relacionarmos e a forma como nos sentimos connosco próprios e com aqueles que nos rodeiam. A música, o movimento, o canto, a arte expressiva em geral aproximam-nos da nossa essência humana, conduzindo-nos a uma sociedade mais íntegra, mais autêntica e mais feliz.
A organização é uma rede interdependente de indivíduos que potencia ações e conhecimentos em direção a um objetivo comum. Várias pessoas se apoiam e colaboram entre si… Podemos então criar um paralelismo entre esta noção e o conceito de tribo. Não é difícil encontrar inúmeras correlações entre estes dois conceitos: a utilização de técnicas colaborativas de motivação e construção de espírito de equipa, a inspiração através da música.
As empresas e organizações necessitam de acompanhar esta transformação e devem ser inovadoras nas suas abordagens e ter a coragem de implementar programas inovadores que contribuam para a felicidade das pessoas. É fundamental proporcionar a reflexão e conexão mais profundamente com o propósito de vida de cada um, pois ele influencia a maneira de trabalhar e de comunicar com os outros. Há uma nova geração que grita pelo sentimento de pertença e que quer fazer parte de uma equipa que os valorize, elogie, estime e apoie. Há uma nova tribo que quer crescer e trabalhar para encontrar soluções para os desafios emergentes.
Existem atualmente vários estudos que referem que tocar, cantar e dançar sincronizam os dois hemisférios do cérebro: o esquerdo associado ao pensamento lógico, racional, e o direito mais criativo e intuitivo. De facto, a ciência tem vindo a pesquisar os efeitos tranquilizadores e energizantes de todas estas práticas.
Um dos fatores está associado à alegria que estas atividades despertam, ativando no corpo a libertação de endorfinas, uma substância natural produzida pelo cérebro que ajuda a relaxar e a gerar bem-estar, sendo também considerada um analgésico natural, reduzindo o stresse e a ansiedade. Como resultado, obtêm-se equipas mais satisfeitas, motivadas a sair da sua zona de conforto, a arriscar mais. É, então, vital para uma organização apostar em metodologias ativas e vivenciais, onde o conhecimento é emocional e criativo, com formações menos orientadas para técnicas expositivas e mais para abordagens multidisciplinares, participativas, onde as pessoas são o centro da equação e onde a música e outras formas de arte expressiva possam dar o seu contributo para aquilo que é mais sublime: o bem-estar do ser humano!
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