Muitos trabalhadores da geração Boomer (pessoas nascidas entre 1946 e 1964) estão a aproximar-se da idade da reforma, marcando uma transição demográfica no mercado de trabalho. Em resposta, 37% dos empregadores portugueses já estão a rever as suas estratégias de gestão de pessoas e a preparar-se para uma mudança estrutural com impacto na cultura organizacional, na liderança e na continuidade operacional, segundo o mais recente ManpowerGroup Employment Outlook Survey, relativo ao terceiro trimestre de 2025.
Ainda assim, este é um valor aquém da média global (57%), o que poderá indicar uma menor sensibilidade das empresas portuguesas ao impacto da saída dos trabalhadores da geração Boomer do mercado de trabalho. Em Portugal, 45% dos empregadores esperam vir a sentir pouco impacto com a reforma dos Boomers, 27% anteveem um impacto moderado e apenas 10% assumem que o impacto será significativo. Já 15% das empresas acreditam que não sentirão qualquer impacto.
A nível setorial, os mais proativos em Portugal são as tecnologias de informação (45%), transportes, logística e automóvel (44%) e finanças e imobiliário (43%). Por outro lado, setores como a Indústria Pesada e Materiais (26%), Serviços de Comunicação (30%) e Energia e Utilities (31%) revelam uma transição mais gradual.
Esta transição coincide com a crescente consolidação da Geração Z (nascidos entre entre 1997 e 2012) no mercado de trabalho. Estima-se que represente 58% da força laboral até 2030, de acordo com o estudo The Age of Adaptability, do ManpowerGroup.
O Global Talent Barometer 2025 do ManpowerGroup revela que a Geração Z e os Millennials (nascidos entre 1981 e 1996) são os que reportam mais stress no trabalho (52% e 53%, respetivamente). Mais: a Geração Z valoriza, sobretudo, oportunidades de promoção (63%) e de aquisição de novas competências (76%).
“No atual contexto de transição demográfica, a adaptação das estratégias de talento permitirá as organizações identificar e desenvolver potenciais sucessores, planear estratégias de partilha de conhecimento e introduzir novas competências técnicas e humanas. A análise e a compreensão das necessidades e das expectativas das diferentes gerações será, por isso, essencial para manter a produtividade das organizações”, acrescenta ainda.