O Grupo Adecco realizou o inquérito Global Workforce of the Future 2024 e os resultados já foram divulgados. Contou com a participação de 35.000 trabalhadores de 27 países, incluindo Portugal, em 20 setores e verificou as vantagens no que diz respeito à eficiência proporcionada pela IA. Esta ferramenta permite que os trabalhadores poupem, em média, uma hora de trabalho por dia.
Metade dos utilizadores de IA garantem que são mais produtivos, sendo que apenas um quarto dos mesmos admitiram ter concluído a formação sobre como aplicar esta ferramenta no trabalho. O tempo poupado permite que os trabalhadores se dediquem mais a tarefas criativas, ao pensamento estratégico e ao equilíbrio entre as vidas pessoal e profissional, segundo o inquérito sobre como Trabalhar em Tempos de Mudança. Um quinto dos utilizadores referem que conseguem poupar até duas horas e 15% mencionam entre três e quatro horas diárias.
Os setores não apresentam muitas diferenças entre si, no que à poupança de tempo diz respeito, contudo, os da energia, utilities e clean technology foram os que registaram resultados mais significativos. Em causa, está uma poupança de 75 minutos por dia. Os setores aeroespacial e de defesa apresentaram números mais reduzidos, poupando 52 minutos diários. Na área da tecnologia, foram poupados 66 minutos diários, na dos serviços financeiros, foram 57 e, na da indústria transformadora, foram 62.
Denis Machuel, CEO do Grupo Adecco, referiu: “Tem existido muita especulação sobre a forma como a IA está a mudar o mundo do trabalho e é por isso que é extremamente emocionante ver estes primeiros sinais potenciais de melhorias de eficiência. O tempo poupado pelos trabalhadores parece estar a ser bem aproveitado e não está restrito apenas a um ou dois setores, está generalizado a todas as indústrias. Ainda estamos no início, mas a IA parece estar a cumprir a sua promessa”.
O trabalho criativo foi beneficiado, no que toca à ocupação do tempo poupado pela IA, no caso de 28% dos trabalhadores. 26% garantiram dedicar mais tempo ao pensamento estratégico e 27% ao melhor equilíbrio entre as vidas pessoal e profissional. Ainda assim, 23% dos utilizadores confessaram manter o volume de trabalho, estando, inclusive, 21% a gastar mais tempo em atividades pessoais.
Com base nestes resultados, o estudo recomenda:
- Adotar uma abordagem à tecnologia centrada nas pessoas, protegendo a empregabilidade e não os empregos – Os trabalhadores estão cada vez mais preocupados com um futuro incerto, sendo as condições económicas e a segurança no emprego as principais prioridades. 13% dos trabalhadores afirmaram ter perdido o seu emprego devido à IA. 40% expressaram preocupações quanto à segurança do emprego a longo prazo e 83% afirmaram querer permanecer na sua atual entidade patronal.
A perspetiva sobre os efeitos perturbadores da IA torna-se mais equilibrada, quando 51% dos trabalhadores concordam que estas competências aumentam as suas oportunidades de emprego e 46% dizem que a IA lhes deu mais oportunidades para aprender novas competências, progredindo na carreira. - Ensinar a adaptabilidade, não apenas as competências e não apenas a um número restrito de pessoas – Para desenvolver futuros líderes, as empresas devem priorizar a melhoria contínua das competências. Atualmente, apenas 11% dos trabalhadores estão preparados para o futuro, ou seja, são indivíduos que se destacam pela sua adaptabilidade, flexibilidade nos planos de carreira e abordagem proativa à aquisição de novas competências.
Dentro deste grupo, 93% recebem um plano de desenvolvimento personalizado, em comparação com 51% da força de trabalho em geral. Além disso, 95% destes trabalhadores participam em ações de formação em liderança proporcionadas pelas empresas, em comparação com apenas 57% da restante força de trabalho. - As empresas devem promover a mobilidade interna – Os trabalhadores podem estar a perder a confiança no compromisso dos seus empregadores, especialmente à medida que aumenta o desejo de uma maior mobilidade interna, enquanto menos trabalhadores optam por permanecer e melhorar as suas competências.
Atualmente, 76% dos trabalhadores acreditam que as empresas devem priorizar a formação dos colaboradores existentes para diferentes funções dentro da organização, antes de contratarem externamente. No entanto, apenas 9% planeiam permanecer nas suas empresas para serem requalificados. - A saúde mental e o bem-estar continuam a ser essenciais num mundo em rápida mudança – As empresas devem responder às preocupações de que a IA possa favorecer determinados grupos de trabalhadores, demonstrando um compromisso com a inclusão e práticas de trabalho sustentáveis.
No último ano, 40% dos trabalhadores sofreram burnout, devido a excesso de trabalho, um número que sobe para 62% entre aqueles que estão preocupados com o impacto da IA e foram negativamente afetados por ela. 46% confiam no conhecimento dos seus líderes em IA e 76% valorizam a experiência humana de um recrutador, para ver o potencial para além das competências e experiência.