O Grupo Your começou como uma empresa de contabilidade, e conta hoje com onze áreas de suporte e apoio à gestão. A organização procura cada vez mais acompanhar a realidade e os negócios dos seus clientes, sempre com o objetivo de, nas palavras da empresa, trazer ao mundo cinzento da gestão de empresas uma cor mais alegre.
Sara do Ó é fundadora, sócia e CEO do Grupo Your desde dezembro de 2006, e fala nesta entrevista à RH Magazine sobre a sua influência noutras mulheres no que ao sucesso profissional diz respeito, sobre o programa Restart, lançado em julho pela Your Business com o objetivo de ajudar as empresas a repensar os seus modelos de negócio face à pandemia, e sobre as dificuldades sentidas pelas empresas neste contexto, entre outras temáticas.
Venceu um Prémio Dona Antónia Adelaide Ferreira, pela defesa do empreendedorismo e dos valores humanistas. O que isso significou para si?
Uma grande responsabilidade! O Prémio Revelação Dona Antónia Adelaide Ferreira é atribuído a mulheres a quem o júri reconhece semelhanças no seu caráter e nos seus valores. A Dona Antónia foi, sem dúvida, uma mulher irreverente, uma mulher que geriu um negócio familiar numa época em que o poder era atribuído “automaticamente” aos homens. Uma mulher de força, de garra e sem medo de arriscar. Foi, e será, um momento transformador na minha vida, na minha força e um grande estímulo para afirmação e consolidação da minha carreira. Tudo farei para que todos os anos o meu trabalho esteja à altura de ser reconhecido como uma das premiadas Dona Antónia. Responsabilidade que carregarei com muita honra.
Gosta de pensar que inspira outras mulheres a procurarem o seu sucesso profissional?
Quando comecei o Grupo Your, ainda não se falava tanto em empreendedorismo, muito menos feminino. As minhas referências eram, e algumas ainda são, mulheres de carreira. Mulheres que fizeram a diferença nas empresas onde estavam. O meu percurso levou-me a ser muitas vezes convidada a partilhar a minha história. Não foi algo que procurei, mas algo que foi surgindo naturalmente. Hoje sei que inspiro muitas mulheres a procurarem o seu sucesso profissional, é essencial a partilha de testemunhos vivos.
Das coisas que mais gosto é de partilhar a minha experiência, o conhecimento que vou adquirindo com os erros, com as escolhas acertadas e até com os livros que vou lendo. Receber mensagens de outras mulheres que ganharam força e seguiram os seus sonhos depois de terem ouvido uma conferência em que participei ou de terem falado comigo deixa-me de coração cheio e com a sensação de dever cumprido.
A verdade é que as mulheres têm vindo a conquistar o seu espaço e estamos cada vez mais perto da igualdade de oportunidades, mas ainda há muitos passos a dar nesse sentido.
O Grupo Your investiu recentemente no capital da DFK Portugal e mostrou vontade de se tornar um “big 5” da auditoria em Portugal. Estão reunidas todas as condições para que tal aconteça?
É um facto que os serviços de auditoria estão concentrados nas “big 4”, mas a concentração do mercado nestas organizações tem vindo a reduzir, o que é um sinal da confiança e do espaço de crescimento para as outras organizações de serviços profissionais. O número de players é elevado e o mercado bastante fragmentado, e esta operação tem o objetivo de desenvolver uma alternativa ao oligopólio dos serviços de auditoria. Temos objetivos ambiciosos e sabemos que vamos ocupar um espaço interessante no mercado, porque temos uma equipa robusta e com bastante experiência, na sua maioria profissionais com experiência nas Big 4, mas com a agilidade que as grandes empresas de serviços profissionais não oferecem.
A Your Business criou, em julho, o Restart, um programa de soluções integradas que pretende ajudar as empresas a repensar e a reestruturar os seus modelos de negócio em face do contexto de pandemia. Que balanço fazer até aqui deste programa?
Sendo o nosso propósito apoiar as empresas a encontrar todo o seu potencial, não podíamos passar indiferentes às dificuldades que as empresas enfrentam perante esta “nova realidade”. No dia 13 de março quando iniciámos o teletrabalho, juntámos uma equipa multidisciplinar e lançámos uma Linha de Apoio às Empresas. Durante 3 meses as nossas equipas recebiam muitos telefonemas não só de gestores à procura de soluções para a falta de tesouraria e de alguém que lhes explicasse em linguagem corrente as medidas do Governo, mas também pessoas que não sabiam como continuar ou retomar a sua atividade.
Tornou-se claro para nós que era necessário criar uma solução integrada e ajustada às necessidades de cada empresa, que as apoiasse a repensar o seu modelo de negócio, a gestão da operação e das equipas.
Na maioria, as empresas procuram-nos para obter esclarecimentos sobre as medidas de apoio às empresas no âmbito da Covid-19, para diagnóstico funcional da organização, processos de trabalho e otimização de tarefas. Embora seja uma fase muito difícil para as empresas, é fundamental reconhecermos o trabalho e esforço dos gestores em manter a atividade e principalmente os postos de trabalho.
Do contacto que têm com empresas, ao nível dos recursos humanos quais são as principais dificuldades sentidas neste momento pelas organizações portuguesas?
Tanto da experiência que temos tido no Grupo Your, como das empresas com quem contactamos, penso que a maior dificuldade tem sido lidar com a distância das equipas e a ansiedade sobre o futuro.
Embora de uma forma geral, o teletrabalho, tenha sido um processo de fácil adaptação, a realidade é que muitas pessoas já começam a “sentir falta do escritório”, a separação entre o espaço casa e pessoal e o espaço trabalho e profissional. A ansiedade de não saber o que nos espera, quanto tempo vamos ficar nesta situação, quanto tempo demora a podermos voltar a aproximar-nos. Tudo isto mexe com cada uma das pessoas e por consequência com as equipas. A comunicação e a transparência são as palavras chave para este caminho.
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