Por Jessica Alves, Talent Sourcing & Employer Branding Leader na IKEA Portugal
Na IKEA temos uma visão simples, mas inspiradora: criar um melhor dia a dia para a maioria das pessoas. Trabalhamos todos os dias para contribuir para uma vida mais feliz, dentro e fora de casa. Mas, claro, sabemos que a felicidade é uma experiência subjetiva, que varia de acordo com as necessidades e as especificidades de cada um.
Ser feliz no trabalho é cada vez menos uma questão de salário. De benefícios monetários. De um escritório maior ou de um carro melhor. O conceito tradicional de carreira mudou e, com ele, a procura constante por uma experiência profissional repleta de dinâmica, propósito, impacto na sociedade e acesso diário a novos contextos e ecossistemas. Ser feliz no trabalho é cada vez mais uma questão de valorização, de liberdade de ser quem na verdade se quer ser. Ser feliz no trabalho é, cada vez mais, sentir que é reconhecida a importância de ser feliz fora dele.
Na IKEA, acreditamos que uma empresa com colaboradores felizes é uma empresa com clientes felizes. E que os colaboradores felizes são mais comprometidos e mais produtivos. Então o que precisamos de fazer para que isto aconteça?
Comecemos pelo recrutamento. Mais do que olhar às tradicionais “hard skills”, recrutamos com base em valores, tentando assegurar que todos os nossos colaboradores encontram na IKEA um lugar onde se podem sentir em casa. Recrutamos pessoas que, independentemente do lugar onde nasceram, da sua orientação sexual, da sua etnia ou da cor da sua pele, partilhem desta nossa visão e se sintam identificados com aquela que é a forma da IKEA estar no mundo.
Depois, importa assegurar que lhes proporcionamos um caminho profissional estimulante e diversificado, baseado nas caraterísticas e potencialidades de cada um, assegurando que aqui podem encontrar as funções, as equipas e os desafios que procuram. E incentivamos a mudança. Encorajamos os nossos colaboradores a experimentarem áreas diferentes, a mudarem de funções e, se for essa a sua vontade, a mudar inclusive de país. A verdade é que não há uma forma única de crescer e de nos desenvolvermos, e os colaboradores devem poder decidir o seu destino, o seu percurso e a forma como vão lá chegar.
Desafiamos o sonho das estratégias de Diversidade & Inclusão, tornando-as reais e prioritárias. A nossa estratégia enquanto organização assenta em três pilares estratégicos – “Acessibilidade, Omni e Inclusão”. Somos mais de 2.500 pessoas a trabalhar na IKEA em Portugal e queremos, cada vez mais, trazer diversidade e promover a inclusão na nossa organização. E não apenas porque sabemos que é a coisa certa a fazer, mas porque gera valor para as nossas equipas e para o nosso negócio.
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Todos gostamos de ver resultados em números: este foco permitiu-nos aumentar em dois anos 134% a percentagem de pessoas com deficiência na nossa organização, termos há anos consecutivos 0% de gap salarial entre homens e mulheres e uma representatividade de 50/50 em funções de liderança e, ainda, aumentar o salário de entrada acima dos 1.000 euros.
Mas não ficámos por aqui. Quando analisámos a representatividade étnica da nossa liderança, deparámo-nos com o facto de não sermos verdadeiramente representativos da diversidade que podemos encontrar na sociedade portuguesa. Além disso, concluímos que através dos processos atuais seriam necessárias algumas décadas para que as minorias étnicas estivessem representadas na nossa organização nestas posições. E por isso, lançámos o “EqualUp!”, um programa de desenvolvimento de competências de liderança-piloto na IKEA, que veio desafiar a maneira como olhamos para dentro. E isto não se trata de ser diferente, trata-se de ter potencial, e de que forma esse potencial pode ser correspondido.
O “EqualUp!” iniciou-se em janeiro de 2023 e teve a duração de 16 meses. Terminado este programa, olhamos para os resultados com orgulho e entusiasmo, com a percentagem de participantes em cargos de liderança a crescer constantemente.
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Mas mais importante do que isso, estes colaboradores ocupam hoje estas posições porque se sentiram aptos para fazer a candidatura. Válidos. Preparados. Com as ferramentas e as condições necessárias para abraçar um novo desafio. E esta é a principal conquista desta iniciativa, o empoderamento orgânico dos nossos colaboradores, o que transformou e continuará a transformar a forma como recrutamos e como potenciamos quem recrutamos.
Embora tenhamos muito orgulho no caminho que temos percorrido, sabemos que há muito por fazer. Sabemos que as tendências e as necessidades mudam, e que as metas também. Continuaremos a partilhar, a aprender, com os nossos e com quem chega de fora. Com o mesmo entusiasmo de sempre. E com a mesma visão simples e inspiradora, que nos trouxe até aqui.
Artigo publicado na edição 157 da RHmagazine, referente aos meses de março e abril de 2025
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