Há contribuintes que, este ano, vão receber menos reembolso de IRS ou até enfrentar um valor a pagar. O fenómeno resulta de um conjunto de fatores acumulados ao longo de 2025 e já clarificados pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).
Numa publicação na rede social Facebook, a AT identifica três razões principais para este desvio face às expectativas dos contribuintes:
- Alterações à tabela de retenção na fonte: “Menos retenção na fonte, mais rendimento disponível mensalmente, o que se reflete no cálculo final.”
- Subida de escalão: “Se no decorrer do ano passado teve alteração dos rendimentos, isso pode resultar em mais imposto.”
- Impacto das deduções: “Um valor menor de despesas em saúde, educação, etc, influencia o valor final apurado.”
Recorde-se ainda que, ao longo de 2025, estiveram em vigor três tabelas distintas de retenção na fonte, na sequência das alterações introduzidas a meio do exercício. Entre janeiro e julho aplicou-se a tabela inicial; em agosto e setembro vigorou um regime transitório, que procurou refletir retroativamente o desagravamento fiscal; e, a partir de outubro, uma terceira tabela passou a regular os descontos até ao final do ano.
Quando cai o reembolso na conta?
Em declarações à Lusa, a secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, afirmou que a “expectativa é a de que os prazos médios de reembolso sejam próximos ou similares aos do ano passado”. “No IRS Automático, que é tendencialmente mais simples, [prevê-se] um período inferior a duas semanas”, afirmou. Já nas declarações mais complexas, o prazo médio deverá situar-se “de três semanas/três semanas e meia”.
Este ano, o IRS automático deverá abranger cerca de dois milhões de declarações, acima dos 1,7 milhões registados no ano anterior. O aumento explica-se, em grande medida, pela integração de novos perfis, incluindo trabalhadores até aos 35 anos abrangidos pelo regime do IRS Jovem.
Gestão de expectativas: o novo desafio para os RH
Para as direções de recursos humanos, o acerto do IRS tem impacto direto na perceção de rendimento dos colaboradores e, por conseguinte, na relação com a organização. Num contexto em que o rendimento líquido mensal pode induzir uma sensação de estabilidade que não se confirma no acerto anual, torna-se essencial reforçar a literacia financeira interna.
Gerir expectativas, clarificar mecanismos e antecipar impactos deixou de ser apenas uma boa prática. É, cada vez mais, um instrumento de gestão.
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