Pedro Amorim
Managing Director da Experis
A tecnologia tem vindo a mudar as regras do jogo no que diz respeito à atração e contratação dos melhores talentos para as empresas, afetando todos, ou a maioria, dos aspetos no ciclo de contratação.
Estas novas ferramentas e canais de comunicação passaram, pois, a ter um papel determinante no recrutamento, já que é nessas plataformas que os candidatos passam parte considerável do seu dia. É cada vez mais norma os candidatos usarem a tecnologia para pesquisar vagas e os empregadores recorrerem a estas novas plataformas para contactar candidatos e até conduzir entrevistas. No entanto, para conseguir criar um engagement positivo e que possa maximizar o impacto destes canais de comunicação, é imperativo conhecer as preferências tecnológicas dos candidatos e como as empresas podem utilizar estas ferramentas para os atrair.
Entre as recentes mudanças está o aumento significativo do número de candidatos que pesquisam e se candidatam a vagas através de dispositivos móveis, como mostra o nosso estudo Swipe Right: Candidate Technology Preferences During the Job Search, onde avaliámos as últimas tendências tecnológicas no setor dos recursos humanos. Mais de metade dos candidatos a nível mundial gostava de ser capaz de utilizar aplicações móveis para se candidatar a empregos através dos seus smartphones, ainda que só uma pequena percentagem o faça de momento. Sem surpresa, e porque são a primeira geração de nativos digitais, os millennials mostram uma especial predisposição para se enviarem candidaturas via aplicações nos seus smartphones.
O aumento do interesse dos candidatos no uso de aplicações móveis na procura de emprego é impulsionado pelo facto de atualmente utilizarmos este tipo de ferramentas para grande parte das nossas tarefas, desde chamar um táxi, pedir o jantar ou fazer compras e, por isso, é apenas natural que se estenda a outras áreas como os recursos humanos. A portabilidade destes equipamentos está também a impactar positivamente esta tendência crescente, muito por força da conveniência e facilidade de acesso. Os smartphones permitem aos candidatos escolherem quando e onde enviam os seus currículos, seja num café, comboio ou até no topo de uma montanha.
O estudo da ManpowerGroup mostra também que as entrevistas por vídeo começam a ganhar mais preponderância, ainda que quase dois terços das mulheres não se sintam 100% confortáveis com este formato, ao contrário dos homens que já aceitam perfeitamente ser entrevistados através de uma câmara. A preferência por vídeoconferências, como ficou patente no estudo, é também determinada em muitos casos pela senioridade do candidato. A experiência de trabalho e a confiança estão positivamente correlacionadas, gerando um maior nível de conforto com os formatos de vídeo.
No entanto, e ainda que, os candidatos estejam cada vez mais predispostos a utilizar as novas tecnologias como ferramenta no processo de recrutamento, a verdade é que a maioria das empresas ainda não está devidamente preparada para seguir esta tendência. A adoção das mais recentes tecnologias de recrutamento está ainda longe da tecnologia de marketing de consumo, o que leva muitas empresas a inclusivamente ignorar um passo absolutamente decisivo nesta mudança, mantendo websites que não são compatíveis com dispositivos móveis.
É por isso fundamental que as empresas consigam encontrar o equilíbrio certo entre tecnologia e personalização, para atrair talentos de alto nível. As organizações que possuam a capacidade de se adaptar podem daí retirar uma considerável vantagem competitiva na atração de novos colaboradores. Para isso, há determinados passos práticos que as empresas podem seguir para atrair e reter trabalhadores qualificados na Era digital.
1. Entender o poder dos smartphones
Considerando o candidate experience no seu todo, um site tradicional otimizado para dispositivos móveis pode não ser suficiente para atrair a nova geração de talentos. É, pois, imperativo tornar um website compatível a 100% com dispositivos móveis, mostrando um entendimento da experiência de utilização pelo ponto de vista dos utilizadores de smartphones como ferramenta de procura de trabalho.
Os profissionais de recursos humanos devem entender que se os candidatos necessitarem de clicar várias vezes para ter acesso às vagas ou responder a um grande número perguntas, é provável que abandonem a pesquisa nessa página. No que diz respeito às aplicações direcionadas à procura de emprego, é imperativo entender as necessidades do público-alvo, bem como os pontos fortes e fracos das aplicações móveis.
2. Considerar outras plataformas de recursos humanos para além das tradicionais
Aplicações associadas a plataformas de emprego ou redes sociais profissionais, como o LinkedIn, são sem dúvida ferramentas muito úteis, mas existem outras tecnologias que combinam redes sociais e recrutamento e que podem ser igualmente benéficas, como é o caso do Facebook.
Como acontece com qualquer tipo de marketing de produto, é mais fácil encontrar um potencial cliente numa plataforma onde ele já esteja presente.
3. Utilizar a tecnologia para construir o employer branding
Dada a relativa facilidade na obtenção de métricas, as tecnologias de recrutamento são geralmente avaliadas com base no custo por clique ou no custo por candidato. No entanto, essas soluções podem também ajudar a ampliar o alcance da mensagem da marca.
Desde as páginas do Facebook, que sincronizam diretamente com a página da empresa, até à criação de conteúdo de vídeo para várias plataformas, as tecnologias de recrutamento devem refletir mensagens consistentes, valores e demonstrar a cultura corporativa. Um bom exemplo são os vídeos “Um dia na vida” de funcionários reais, que podem transmitir muito mais sobre o que realmente é trabalhar numa organização do que uma descrição de trabalho detalhada.
Em suma, tanto as expectativas dos candidatos, como os avanços tecnológicos na procura de trabalho, estão a avançar a um ritmo nunca antes visto. No panorama atual, a tecnologia que uma empresa usa, ou não usa, durante o processo de recrutamento vai impactar a maneira como os candidatos olham para a marca. Por isso mesmo, as empresas que consigam responder positivamente às preferências tecnológicas dos candidatos, têm uma maior possibilidade de atrair os melhores talentos.