O teletrabalho deixou de ser obrigatório a partir desta segunda-feira, depois de ter sido imposto às empresas. Mas um inquérito da CIP-Confederação Empresarial de Portugal concluiu que 48% das empresas portuguesas pretendem manter este regime de trababalho.
Um terço das empresas é favorável a que o teletrabalho seja a norma em três dias da semana, com dois dias em que os trabalhadores vão trabalhar presencialmente nas instalações enquanto 22% defende o regime no conjunto dos cinco dias da semana, com idas pontuais ao escritório.
Segundo o estudo, divulgado esta segunda-feira, as empresas apontam que as principais vantagens do regime de teletrabalho são os menores custos de funcionamento, como os relacionados com as instalações, e a maior motivação dos colaboradores. Outras vantagens destacadas incluem o facto de o teletrabalho evitar o despedimento imediato, mantém a produtividade dos trabalhadores que podem ao mesmo tempo cuidar dos filhos, protege os funcionários e diminui o tempo de deslocações.
A principal desvantagem apontada por 43% das empresas é a dispersão dos trabalhadores com atividades domésticas e familiares. Muitos trabalhadores que ficaram em regime de teletrabalho têm filhos ao seu cuidado dado que as escolas se mantêm encerradas para a maior parte dos alunos. A segunda desvantagem, apontada por 30% das empresas, é a falta de comunicação entre equipas.
Quanto à produtividade dos colaboradores, 43% das empresas considera que não sofreu alterações, enquanto 31% aponta que ainda é cedo para avaliar. Na ótica dos trabalhadores, a aceitação do teletrabalho foi elevada ou muito elevada em 57% das empresas.
O estudou, feito no âmbito do ‘Projeto Sinais Vitais’, desenvolvido em parceria com o Marketing FutureCast Lab do ISCTE, aponta ainda que 59% das empresas pretende que volte a vigorar o regime de teletrabalho que consta do Código do Trabalho, que prevê que tem de haver um acordo entre trabalhador e empresa para o exercício de funções naquele regime.
No total, segundo o estudo, que abrange uma amostra de 954 empresas representativas de um universo de 150 mil, 92% das empresas adotaram o teletrabalho durante o confinamento, sendo que 74% o fizeram em regime parcial. Do conjunto, 62% das empresas não tinha experiência anterior com o teletrabalho.