Depois de um abrandamento no segundo trimestre, os salários voltaram a ganhar fôlego. Entre julho e setembro, o salário médio líquido aumentou quase 9% face a 2024, traduzindo-se em mais 104 euros no bolso dos trabalhadores, já depois dos impostos e contribuições, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).
O salário médio líquido fixou-se nos 1.298 euros, acima dos 1.194 euros registados no mesmo período do ano passado. De acordo com o INE, o ritmo de crescimento acelerou face ao trimestre anterior. Entre abril e junho, o aumento tinha sido de 7,3% (86 euros).
Mesmo descontando o impacto da inflação média dos últimos 12 meses (2,4% em setembro), o ganho real foi ainda significativo (8,5% ou 101,5 euros). Na prática, cerca de 2,5 euros do aumento nominal foram absorvidos pela subida dos preços, o que significa que o salário médio real ficou pelos 1.295,5 euros.
Em 2024, o rendimento médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem subiu 100 euros, atingindo 1.142 euros líquidos, o que correspondeu a uma variação anual de 9,6%, face aos 1.042 euros registados no ano anterior, a maior subida da década. Já em 2025, a tendência manteve-se: no primeiro trimestre, o salário médio ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 1.200 euros. Entre abril e junho, aumentou 7%. No terceiro trimestre, acelerou 8,71%.
As profissões com os maiores aumentos
Dados do INE mostram que os militares lideraram o crescimento dos salários no terceiro trimestre, com uma remuneração média líquida de 1.990 euros, mais 22,69% (368 euros) face ao mesmo período do ano anterior. A subida explica-se por várias medidas recentes, nomeadamente o aumento de 50 euros no suplemento de condição militar, que passou de 300 para 350 euros mensais, e pela equiparação das remunerações base entre as Forças Armadas e a GNR.
Em segundo lugar surgem os técnicos de nível intermédio, cujo ordenado médio líquido passou de 1.242 euros para 1.387 euros, uma variação de 11,67% (145 euros).
Logo depois aparecem os agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, da pesca e da floresta, com um aumento de 9,32% (83 euros), passando de 891 euros para 974 euros mensais.
Fosso salarial recua
Os gestores, diretores e políticos continuam a ser os mais bem remunerados, com um ordenado médio líquido de 2.037 euros. Ainda assim, o fosso entre os salários mais elevados e os mais baixos recuou ligeiramente, passando de 1.267 para 1.236 euros em termos homólogos.
No terceiro trimestre, os gestores e políticos recebiam 2.037 euros líquidos, enquanto os trabalhadores não qualificados ganhavam 801 euros. Este último valor fica abaixo do salário mínimo bruto (870 euros), mas corresponde ao montante líquido, já depois do desconto de 11% para a Segurança Social e sem retenção de IRS, por se tratar da retribuição mínima mensal garantida
Variações mais moderadas
Entre o segundo e o terceiro trimestre de 2025, o aumento do salário médio líquido foi mais ligeiro (2,69%/34 euros), face aos 1.264 euros do trimestre anterior, como revela o INE.
- Gestores, diretores e políticos: –1,12% (menos 23 euros), de 2.060 para 2.037 euros;
- Trabalhadores da montagem: –0,45% (menos cinco euros), de 1.113 para 1.108 euros;
- Técnicos de nível intermédio: +1,39% (19 euros), para 1.387 euros;
- Seguranças e vendedores: +1,97% (19 euros), de 963 para 982 euros;
Setores com ganhos mais modestos
Do lado das profissões com aumentos abaixo da média nacional (8,71%), destacam-se:
- Operadores de instalações e máquinas / montagem: +6,23% (65 euros), de 1.043 para 1.108 euros;
- Serviços pessoais, proteção e segurança e vendedores: +6,86% 63 euros), de 919 para 982 euros;
- Profissionais das atividades científicas e intelectuais, como médicos e professores: +7,58% (125 euros), de 1.648 para 1.773 euros líquidos.
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