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taxa de desemprego em Portugal fixou-se em 5,8% em março deste ano, mantendo-se inalterada em relação a fevereiro, mas apresentando uma descida de 0,5 pontos percentuais (p.p.) em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados provisórios divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). No entanto, o indicador registou um ligeiro aumento de 0,2 p.p., face a dezembro de 2025.
Num contexto de estabilidade do desemprego, o mercado de trabalho continua a evidenciar sinais de robustez. A população empregada atingiu 5.300,4 mil pessoas em março, o que representa um aumento mensal de 0,1%, ainda que se observe uma diminuição de 0,3% face aos três meses anteriores. Em termos homólogos, o emprego cresceu 2,2%, traduzindo-se em mais cerca de 114,5 mil pessoas empregadas.
A população ativa foi estimada em 5.628,8 mil pessoas, refletindo um crescimento de 1,7% face ao mesmo período de 2025. Já a população desempregada aumentou 5,5% em termos homólogos, fixando-se em 328,4 mil pessoas. Por sua vez, a população inativa registou uma ligeira diminuição em cadeia (-0,1%) e uma queda mais expressiva em termos homólogos (-1,7%), situando-se em 2.432,8 mil pessoas.
A taxa de subutilização do trabalho (que agrega desempregados, subempregados e inativos disponíveis) foi estimada em 9,8%, mantendo-se igual ao mês anterior, mas ligeiramente acima (+0,1 pontos percentuais) face a três meses antes e abaixo dos 10,7% registados em março de 2025.
Os dados do INE mostram que a taxa de desemprego das mulheres se manteve superior à dos homens, situando-se em 6,3% face a 5,3%, respetivamente. Já o desemprego jovem fixou-se em 18,1% em março, o valor mais baixo desde outubro de 2022 (17,5%), evidenciando uma melhoria significativa, ainda que continue a representar um dos principais desafios estruturais do mercado de trabalho.
Queda do desemprego jovem acelera integração de talento
De acordo com uma análise da Randstad, baseada nos dados do INE, do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e da Segurança Social, o mercado de trabalho português mantém uma trajetória de “robustez e resiliência”. A descida homóloga de 13,6% no desemprego jovem é apontada como um dos sinais mais relevantes, refletindo uma integração mais rápida das novas gerações no mercado laboral, num contexto de transformação tecnológica e reorganização das necessidades das empresas.
Segundo o IEFP, o desemprego registado fixou-se em 295.756 pessoas em março, representando uma queda de 10,2% face ao período homólogo. A recuperação do mercado é descrita como transversal à maioria dos grupos profissionais.
Ainda assim, verificou-se um aumento do desemprego em oito profissões específicas, cinco das quais com variações percentuais mais expressivas, embora em muitos casos com baixo peso absoluto. Destacam-se: “outro pessoal das forças armadas” (+16,5%), “sargentos das forças armadas” (+15,4%), “diretores de serviços especializados” (+11,8%), “diretores comerciais” (+11,2%) e “gestores e dirigentes de empresas” (+8,1%). Esta evolução poderá refletir processos de reestruturação organizacional e ajustamentos nos quadros de gestão e liderança.
Setores operacionais pressionam procura de mão de obra
Em sentido inverso, algumas áreas registaram quedas expressivas no número de desempregados. O recuo mais acentuado verificou-se na agricultura e pescas de subsistência, com uma diminuição até 41,3%.
Também funções como pessoal de apoio administrativo, bem como áreas ligadas a análise de dados, estatística e contabilidade, e ainda a construção, registaram reduções significativas, com quebras entre 30,2% e 16,8%. Esta evolução sugere uma forte procura de mão de obra nestes setores, levando a uma integração mais rápida dos candidatos disponíveis, sobretudo em funções operacionais e técnicas.
Salários sobem 5,2%, mas persistem assimetrias regionais
A remuneração média mensal declarada por trabalho dependente fixou-se em 1.565,30 euros, o que representa um aumento de 5,2% em termos homólogos, embora com uma diminuição de 1,1% face ao mês anterior. Mantêm-se, contudo, assimetrias regionais significativas. Lisboa continua a liderar com um salário médio de 1.801,72 euros, enquanto Beja apresenta o valor mais baixo, com 1.292,84 euros.
Para Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal, os dados de março confirmam “um mercado de trabalho em fase de estabilização, sustentado por um volume de emprego superior a 5,3 milhões de profissionais”. A responsável sublinha, ainda assim, que os dados revelam “uma mudança qualitativa no mercado”, destacando a importância da integração das gerações mais jovens. “O desafio agora passa por garantir que este dinamismo é acompanhado por uma valorização contínua das competências, assegurando que Portugal mantém a sua atratividade e resiliência a longo prazo”, afirma.
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