“O bem-estar não é uma ação pontual, mas parte da proposta de valor para os colaboradores.” A afirmação é de Conceição Carvalho e resume a forma como o novobanco encara uma área que considera estratégica para a gestão de pessoas e que esteve na origem da distinção com o prémio Best Wellbeing Program, atribuído na última edição dos Wellbeing Awards.
Para a Diretora de Bem-estar e Experiência de Colaborador do novobanco, o reconhecimento é também o reflexo da evolução do programa 5+, que “está no seu terceiro ano de vida” e que “todos os anos implementa novas iniciativas e alarga as dimensões de bem-estar que aborda”. A responsável defende ainda que a aposta em medidas como a flexibilidade, o apoio psicológico e a saúde mental garante “uma visão de longo prazo”.
Em entrevista à RHmagazine, Conceição Carvalho fala também dos desafios da gestão do bem-estar, explica como o novobanco mede os resultados das suas iniciativas e antecipa as prioridades que irão orientar os próximos passos da organização nesta área.
O novobanco foi distinguido com o prémio Best Wellbeing Program na categoria de mais de mil colaboradores. Que significado atribuem a este reconhecimento para a organização e para a vossa estratégia de gestão de pessoas?
Este prémio confirma o posicionamento do novobanco como uma organização que valoriza e cuida do seu capital humano. É um reconhecimento público do compromisso contínuo com a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos colaboradores, pilares centrais da nossa estratégia de gestão de pessoas. Reflete a aposta em criar um ambiente de trabalho saudável, equilibrado e centrado nas pessoas, reforçando que estas são o principal ativo da organização, que tem permitido fazer este caminho de resiliência.
No seu entender, quais foram as iniciativas que mais contribuíram para esta distinção? Há algum projeto recente cujo impacto considere especialmente relevante?
No meu entender, acho que o que terá sido mais diferenciador e que terá levado a esta distinção é a maturidade e consistência do nosso programa de saúde e bem-estar (o programa 5+), que está no seu terceiro ano de vida. O programa 5+ tem sido determinante, com ações que promovem saúde física, saúde mental, bem-estar, equilíbrio e felicidade, e é pensado de forma integrada nas temáticas de recursos humanos, nomeadamente com a área da formação, transformação cultural e gestão de talento. É um programa que, todos os anos, implementa novas iniciativas e alarga as dimensões de bem-estar que aborda. Entre as iniciativas destacam-se:
- Consultas gratuitas de nutrição, psicologia, psiquiatria, medicina geral e fisioterapia;
- Programas de cessação tabágica, aulas de ioga, sessões de mindfulness, danças escocesas, entre outros;
- Espaços para exercício físico, ginásio, caminhadas e atividades de socialização;
- Cantinas com alimentação saudável, fruta fresca semanal e take-away para facilitar a conciliação entre a vida pessoal e profissional;
- Projetos recentes, como o reforço das práticas de saúde mental e a criação de momentos de socialização e celebração, tiveram impacto significativo na melhoria do bem-estar e na redução do absentismo.
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Uma das conclusões dos Wellbeing Awards 2025 é que apenas 14% das empresas trabalham o bem-estar com uma visão de longo prazo. De que forma o novobanco procura assegurar que o bem-estar está integrado na cultura e não apenas associado a iniciativas pontuais?
O bem-estar não é uma ação pontual. É parte da proposta de valor para os colaboradores. A liderança de topo participa ativamente, e o programa 5+ está alinhado com a estratégia global do banco, garantindo continuidade e evolução. A aposta em medidas estruturais, como políticas de flexibilidade e apoio psicológico, assegura uma visão de longo prazo.
De que forma as lideranças e as equipas se envolvem na criação e no dia a dia do vosso programa de bem-estar?
As lideranças são protagonistas na promoção do bem-estar, participando em iniciativas e comunicando a importância do tema. As equipas contribuem com sugestões, participação ativa e envolvimento em eventos e programas, reforçando a cultura colaborativa.
Quais são hoje os principais pilares que orientam o programa de saúde e bem-estar do novobanco? Identifica alguma evolução relevante nos últimos anos?
Os pilares do programa 5+ são:
- + Saúde física;
- + Saúde mental;
- + Bem-estar;
- + Equilíbrio;
- + Felicidade.
A evolução é visível na diversificação das iniciativas, no maior foco na saúde mental e na integração de mais dimensões de bem-estar, nomeadamente na área da socialização e da resposta a contextos adversos.
“Procuramos incorporar as sugestões que recebemos dos colaboradores e envolvê-los ativamente no desenvolvimento de algumas iniciativas.”
De que forma monitorizam o impacto das vossas ações? À data de hoje, o que revelam os dados?
O impacto é monitorizado através de indicadores como a taxa de absentismo, os níveis de satisfação e o feedback dos colaboradores. Os dados revelam uma melhoria na conciliação entre a vida pessoal e profissional e um aumento da satisfação geral, refletindo-se numa redução do absentismo. Procuramos também incorporar as sugestões que recebemos dos colaboradores e envolvê-los ativamente no desenvolvimento de algumas iniciativas.
Quais são, na sua perspetiva, as tendências que terão maior impacto na evolução da gestão de bem-estar nas organizações, em Portugal e no contexto global?
As principais tendências incluem: integração da saúde mental como prioridade estratégica; flexibilidade e modelos híbridos de trabalho; programas personalizados e digitais para o bem-estar; diversificar as iniciativas para ir ao encontro dos diferentes contextos de vida dos colaboradores; e promoção da literacia em saúde e da prevenção. Estas tendências terão impacto tanto em Portugal como globalmente, exigindo abordagens mais holísticas e sustentáveis.
Quais os próximos passos do novobanco nesta área? Pode antecipar novas prioridades, iniciativas ou investimentos que estejam a ser preparados?
O foco será reforçar a integração do bem-estar na cultura, ampliar iniciativas digitais, implementar ações específicas para as hierarquias, no sentido de serem facilitadoras do bem-estar nas suas equipas, investir em programas de saúde mental e criar novas ações que promovam o equilíbrio e a felicidade. Estão previstas parcerias estratégicas para proporcionar mais experiências de bem-estar. Temos também em curso o processo de certificação WELL (do International WELL Building Institute), que será também uma etapa importante na consolidação deste compromisso do novobanco com a saúde e o bem-estar dos colaboradores.
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Infelizmente, para alem desses oressupostos serem quase na sua exclusividade para os serviços centrais, a realidade é que os colaboradores andam desgastados, sem rumo, a fazerem excesso de horas, levar trabalho para casa, altamente pressionados pelas hierarquias, principalmente na rede de balcões que lutam com falta de pessoal.