A
IA está a entrar numa nova fase de maturidade nas organizações. A conclusão é da Microsoft, que revelou que o Microsoft 365 Copilot já ultrapassou os 30 milhões de licenças pagas e que as empresas estão a evoluir de uma utilização centrada na produtividade individual para modelos em que agentes de IA assumem tarefas, processos e projetos de forma cada vez mais autónoma.
Os dados foram apresentados durante a conferência de resultados financeiros da tecnológica e mostram que o número líquido de licenças do Microsoft 365 Copilot mais do que duplicou de trimestre para trimestre. Ao mesmo tempo, o número de clientes com mais de 50 mil licenças aumentou mais de sete vezes face ao ano anterior.
Segundo a Microsoft, esta evolução traduz uma mudança mais profunda na forma como as organizações utilizam a IA. Depois de uma primeira fase focada na automatização de tarefas e nos ganhos de eficiência, a IA começa agora a integrar processos de trabalho completos, recorrendo a agentes especializados capazes de planear, executar e concluir atividades de forma autónoma. “Na Microsoft, a nossa missão é capacitar cada pessoa e cada organização no planeta para alcançar mais. Estamos entusiasmados com a oportunidade crescente de concretizar essa missão à medida que humanos e agentes colaboram para construir aquilo que antes era impossível”, afirma Jared Spataro, Chief Marketing Officer, AI at Work.
IA passa a assumir processos completos
Entre as novidades apresentadas está o Copilot Cowork, disponibilizado de forma generalizada em junho, que permite executar tarefas compostas por várias etapas, desde a análise de informação até à produção de um resultado final. A empresa apresentou ainda o Microsoft Scout, um agente criado para funcionar autonomamente em segundo plano, mantendo processos em curso mesmo quando o utilizador está ocupado com outras prioridades.
Segundo a Microsoft, estes agentes recorrem ao denominado Work IQ, uma camada contextual que lhes permite compreender funções, projetos, prioridades e conhecimento organizacional, tornando as respostas mais ajustadas à realidade de cada empresa.
Utilização cresce e chega a novos setores
A adoção do Copilot continua a acelerar. De acordo com a empresa, o número de conversas por utilizador quase duplicou no último ano e a utilização semanal da plataforma aproxima-se já da registada em aplicações como o Outlook ou o Teams.
Embora setores como a indústria transformadora, a banca e o software continuem entre os mais avançados na utilização de agentes de IA, a Microsoft destaca o crescimento registado nas áreas automóvel e da saúde, sinal de que esta tecnologia está a expandir-se para novos contextos de negócio.
RH entre as áreas em transformação
Os recursos humanos (RH) surgem entre as funções onde a utilização de agentes especializados está a ganhar maior expressão. A Microsoft destaca o caso da Kantar, que desenvolveu um sistema composto por cerca de 10 agentes dedicados ao apoio às equipas de RH. Atualmente, cerca de 40% dos pedidos já são resolvidos automaticamente, sendo o objetivo atingir os 95% até ao final do ano. Uma carta de verificação de emprego, que anteriormente demorava três dias a ser emitida, passou a ser disponibilizada em cerca de dois minutos.
Também a equipa de People Operations da Microsoft está a recorrer a agentes de IA treinados para executar tarefas operacionais, libertando os profissionais de RH para atividades de maior valor acrescentado, como o acompanhamento dos colaboradores e a tomada de decisões. “Antes, passava muito tempo a ajudar equipas a escalar: a alinhar grupos grandes, coordenar trabalho e garantir que tudo avançava em conjunto. Agora, o foco está em criar condições para que equipas especializadas se movam rapidamente, experimentem com segurança e capturem continuamente o que aprendem, para que cada projeto comece num ponto mais avançado do que o anterior”, afirma Omar Shahine, Corporate Vice President do Microsoft Scout.
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI