Com a inteligência artificial (IA) a acelerar mudanças no mundo do trabalho, torna-se inevitável a questão: que competências vão resistir à automação? No livro Open to Work: How to Get Ahead in the Age of AI, Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn, e Aneesh Raman, Chief Economic Opportunity Officer da mesma rede social, reúnem contributos de especialistas – nomeadamente neurocientistas, psicólogos organizacionais, economistas comportamentais e líderes de talento – para definir as chamadas “5Cs”, um conjunto de cinco skills que poderão ajudar os trabalhadores a adaptar-se à disrupção tecnológica.
Para Ryan Roslansky, o impacto da tecnologia dependerá da forma como é integrada nas dinâmicas de trabalho. “Sempre acreditámos que a tecnologia deve servir as pessoas. A IA deve ajudar os humanos. Não o contrário”, refere o responsável, citado pela revista Inc.
Já Aneesh Raman sublinha que “o trabalho vai mudar, não vai acabar. E a forma como vai mudar – o que considero entusiasmante, porque é diferente de qualquer outro momento de disrupção – é que vai mudar a partir do trabalhador”.
Com isto em mente, eis as cinco competências que ambos destacam:
1- Curiosidade
Num contexto em que a IA consegue identificar padrões e gerar possibilidades, continua a ser o julgamento humano a determinar o que merece investimento. A verdadeira vantagem competitiva não reside apenas na leitura de padrões, mas em quem mantém a capacidade de questionar.
“Podemos aproveitar essa curiosidade e a abertura que a acompanha para aprender sobre a IA e como vai transformar os nossos empregos, para nos compreendermos melhor e perceber o que nos torna insubstituíveis e, mais importante, alinhar as nossas carreiras com as nossas curiosidades”, defende Aneesh Raman.
2- Coragem
“Num contexto de trabalho, a coragem transforma a hesitação em ação. O programador que sugere um novo framework a meio de um projeto para servir melhor os clientes. O gestor comercial que diz a um cliente que o seu pedido não é o mais adequado e o orienta para uma solução melhor. O designer que defende um rebranding completo quando todos os outros mantêm o status quo.”
3- Criatividade
A criatividade afirma-se como uma das competências mais críticas para manter os humanos à frente da IA, na medida em que a verdadeira inovação sempre teve origem nas pessoas. Importa, por isso, sublinhar que não está limitada a funções criativas, sendo transversal a diferentes áreas profissionais.
“Criatividade é a capacidade de gerar algo genuinamente novo, não apenas recombinando elementos existentes, mas imaginando possibilidades que nunca existiram antes”, aponta Ryan Roslansky.
4- Empatia
A empatia assume um papel central na experiência humana, dentro e fora do contexto profissional. “Um consultor com quem falámos incentiva os membros das equipas que acompanha a ligarem uns aos outros apenas para conversar” refere, sublinhando que estes gestos revelam-se determinantes na construção de confiança.
5- Comunicação
Os humanos, e não a IA, são responsáveis por manter uma comunicação significativa e colaborar entre si. Colocar isso em prática nem sempre é simples, mas os autores mostram como isso pode ser feito.
“Queríamos comunicar uma história que ajudasse todos a compreender e a gerir este momento de grande mudança no trabalho, especialmente aqueles que se sentem ansiosos, confusos ou céticos”, explica Ryan Roslansky. “Em cada palavra, tivemos de pensar profundamente na experiência humana de tentar processar um momento de grande mudança e em como, esperamos, dar a todos alguma capacidade de agir sobre ele. Para isso, é preciso conhecer as pessoas. É preciso ser humano.”
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