Erros ortográficos, promessas de salários irrealistas ou endereços de e-mail suspeitos eram, durante anos, alguns dos sinais mais comuns de uma oferta de emprego fraudulenta. No entanto, a IA está a tornar os esquemas de recrutamento mais sofisticados, alerta a Adecco Portugal, que identifica uma crescente sofisticação das tentativas de fraude dirigidas a quem procura emprego.
Segundo a empresa, os esquemas recorrem cada vez mais IA para criar anúncios de emprego credíveis, perfis falsos de recrutadores, entrevistas simuladas por videoconferência e comunicações. A tendência acompanha os alertas deixados por especialistas em cibersegurança. Num relatório divulgado este ano, a Microsoft refere que a IA generativa está a reduzir significativamente a complexidade técnica necessária para desenvolver esquemas fraudulentos, facilitando a criação de falsas ofertas de emprego, campanhas de phishing altamente personalizadas e entrevistas simuladas com recurso a tecnologia deepfake.
“Hoje, os candidatos enfrentam um risco diferente daquele que existia há poucos anos. Já não basta desconfiar de uma oferta demasiado apelativa. As fraudes evoluíram e conseguem reproduzir com enorme credibilidade praticamente todas as fases de um processo de recrutamento. É precisamente por isso que a literacia digital passou também a ser uma competência importante para quem procura emprego”, afirma Vanda Santos, Diretora de Serviço e Qualidade da Adecco Portugal, em comunicado.
A responsável acrescenta que “a inteligência artificial trouxe ganhos muito relevantes para o mercado de trabalho, mas também está a ser utilizada por redes criminosas para aumentar a credibilidade dos seus esquemas. É fundamental que os candidatos saibam reconhecer sinais de alerta e confirmem sempre a legitimidade das empresas antes de partilharem dados pessoais ou financeiros.”
Os sinais a que deve estar atento
Com tudo isto em mente, a Adecco recomenda que os candidatos redobrem a atenção durante os processos de recrutamento. Entre os principais sinais de alerta destacam-se:
- Pedidos de pagamento para continuar o processo de recrutamento;
- Contactos realizados exclusivamente através de WhatsApp, Telegram ou contas de e-mail pessoais;
- Ofertas com remunerações muito acima dos valores praticados no mercado;
- Processos conduzidos apenas por chat ou através de plataformas pouco habituais;
- Inconsistências entre o anúncio, o website da empresa e o perfil do alegado recrutador;
- Pedidos de informação pessoal ou bancária antes da apresentação de uma proposta formal.
“A melhor forma de prevenir este tipo de situações continua a ser confirmar sempre a autenticidade da empresa através dos seus canais oficiais e manter uma postura crítica perante qualquer processo que gere pressão, urgência excessiva ou pedidos invulgares. Quando uma oportunidade parece demasiado boa para ser verdade, vale sempre a pena confirmar antes de avançar“, remata Vanda Santos.
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI